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Justiça espetacular

 

Até que a defesa do Lula é bastante modesta e parcimoniosa.

Depois de arrolar 87 testemunhas (a lei fala em 8), pretende agora apenas que o depoimento da semana que vem se transforme em comício, seguindo uma tradição iniciada no velório de d. Marisa.

Quer que a câmera não fique focada só no ex presidente, como se ele fosse um investigado, um suspeito ou (toc toc toc) um réu. Alega que assim fica parecendo um interrogatório, e todos sabemos que se trata apenas de uma entrevista, um bate papo.

Quer que a câmera oscile entre Lula e os que perguntam, para que “sejam avaliadas a postura do juiz, do órgão acusador, dos advogados e de outros agentes envolvidos no ato, inclusive para fim de valoração da legitimidade do atos pelas superiores instâncias”.

E quer também levar suas próprias câmeras e marqueteiros.

Acho digno.
Justo.
E acho pouco.

Tinha que exigir que Lula ficasse na cabeceira da mesa.
Na cadeira mais alta.
Não aquela do Moro, mas uma que ele já usou, no Palácio do Planalto.

Acima dele, um holofote.
Atrás, uma bandeira (do PT, naturalmente).

Moro, mero figurante, ficaria num canto, numa cadeira mais baixa.
Sem encosto.

Poderia haver um ruflar de tambores antes de cada resposta.
Uma trilha sonora, tipo “Carruagens de fogo” ou “Assim falou Zaratustra”.
Atores globais (Letícia, Camila, Wagner, Monica, José, Tatá…) fariam uma performance carregando feixes de trigo, foices e martelos, como numa obra do realismo socialista.
Um ventilador estrategicamente colocado sopraria os cabelos de Lula, como num anúncio de xampu.

Moro apenas leria as perguntas, cuja formulação ficaria a cargo da defesa.

Lula deverá ter o tempo que quiser para responder.
Não poderá ser interrompido.
A não ser pelos aplausos da claque e por transmissões ao vivo das manifestações e quebra-quebra nos arredores.

Se Moro não aceitar, estará cerceando os direitos do acusado.
Se comportando pior que os milicos da ditadura.
Sua parcialidade estará escancarada.

E, claro, quando houver recurso (haverá recurso), este deverá ir direto para a segunda turma do STF.

Tralha

 

Imagino que milhares de petistas estejam com os olhos postos no noticiário e o coração em São Stálin, São Chávez e São Fidel, pedindo que o moço atingido na manifestação em Goiânia não se recupere, e a causa “Volta, Lula” ganhe um mártir. (O Paulo Henrique Amorim já o dá como morto).

Se a graça não for alcançada agora, farão o possível para que o seja dia 10, em Curitiba.

Não deve haver oferta de 72 virgens no paraíso socialista para os que marcharem para o sacrifício após depredar pontos de ônibus, queimar lixeiras e pneus, vandalizar prédios públicos e agências bancárias, incendiar viaturas. Talvez estejam prometidas 13 licitações fraudadas, 13 obras superfaturadas, 13 mochilas cheias de propina, 13 sítios, 13 triplex e uma caixa (2) com os presentes roubados da Presidência.

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Os trabalhadores que saíram às ruas no dia 28, no Rio, houveram por bem manifestar-se pelos seus direitos quebrando pontos do velitê e destruindo o elevador para portadores de deficiência física do metrô da Cinelândia.

Nada como ter argumentos embasados e convincentes.

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Pesquisa do DataFolha (ou seja, com margem de erro de 100% para mais e 100% para menos) aponta que Aécio e Alckmin despencaram, enquanto Lula subiu e tem 30% da intenção de votos.

Se há duas coisas que isso prova é que coxinha não tem bandido de estimação – e que petista é tão impermeável aos fatos quanto aderente a uma narrativa mitômana.

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O DataFolha incluir um juiz de primeira instância, que não é candidato a nada, numa pesquisa eleitoral faz tanto sentido quanto incluir letras num bolão da megassena.

Lula e Moro não são adversários: são juiz e réu.
Se estão em campos opostos, não é na política – é diante da lei.
Um está do lado dela; o outro, contra.

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Moro determinou que Lula devolva 21 dos presentes que ganhou durante o período em que era presidente, e que levou consigo. A lei dispõe que sejam incorporados ao patrimônio público.

Lula alega que são “tralhas”.

E tanto são “tralhas” que ele as guarda num cofre do Banco do Brasil.

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Deixa o sultão Bin Zayed, dos Emirados Árabes, saber que Lula considera “tralha” uma certa escultura de camelo de ouro maciço e cristal.

Espera só o fantasma do Muamar Khadafi ser informado que é chamada de “tralha” uma adaga de ouro amarelo e branco, com pedras preciosas…

Verdade

 

Reclamamos dos petistas, dos seus dogmas, mantras e “raciocínios” em looping, e acabamos por não nos aperceber de quantas vezes agimos da mesma forma.

Um dos nossos dogmas de fé é acreditar que Lula mente.
Sempre.
Repetidamente. 
Irremediavelmente.
Em moto perpétuo.

E não é bem assim.
Quando Lula diz uma verdade, é bom parar e ouvi-lo.
Por mais que doa (e dói) nos nossos corações e mentes.

Lula disse: “Nem o Moro, nem o Dallagnol, nem o delegado da Polícia federal têm a lisura, a ética e a honestidade que eu tenho nestes 70 anos de vida.”

Nós, coxinhas, nos arrepiamos dos pelinhos da canela até os da virilha. E erguemos os olhos e as mãos aos céus, clamando por misericórdia (mesmo eu faço isso, mirando o céu de Darwin, Copérnico, Freud e Galileu). Mas por quê, se é a mais pura verdade?

Ninguém tem mesmo a lisura, a ética e a honestidade do Lula.

Nem o François Duvalier, que saqueou o Haiti, tinha a honestidade do Lula – porque, por ser o Haiti tão miserável, não havia tanto o que saquear quanto aqui.

Nem o Jean-Bedel Bokassa, que se proclamou imperador da miserabilíssima República Centro-Africana, e fez construir para si um trono de ouro, tinha a ética do Lula – porque ele jamais negou que seu trono e seus palácios fossem seus.

Nem o Beslusconi, o das festinhas de bunga-bunga, nomeou a amante para chefiar o escritório da presidência (talvez por ele ser Primeiro Ministro, mas dá na mesma).

Nem a Cristina Kirchner armou palanque e fez discurso eleitoral no velório do marido.

Para nossa alegria, nem o Moro, nem o “moleque” Dallagnol nem o delegado da PF têm a lisura, a ética e a honestidade do Lula.

É o que nos salva. Já pensou se tivessem?

Algo de podre

 

1. Beneficiários do Bolsa Família (teoricamente, pessoas carentes, que dependem de subsídio do Estado para sobreviver) doaram mais de 5 milhões de reais a políticos. E doaram o dobro disso em bens e serviços.

Como diria um petista, “alguma coisa está fora da ordem”.
Como diria outro petista, “dormia a nossa pátria mãe, tão distraída / sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.
Como diria um terceiro petista, “marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo”.

2. O mundo veio abaixo porque prenderam o Guido Mantega no dia em que sua mulher ia ser operada.

O Moro mandou soltar em seguida.

A esta altura, Lula já deve ter agendado cirurgias diárias de aplicações de botox e preenchimento labial em dona Marisa até 2020.

3. O pacto de não agressão (ou pura e simples formação de quadrilha) dos candidatos de “esquerda” à prefeitura do Rio durou só até estarem todos embolados na disputa.

Freixo e Jandira já se estapeiam para ver quem é que vai perder de lavada para o “pastor” Crivella no segundo turno.

4. Nada é tão ruim que não possa ser ainda muito piorado – e não só na política ou no meu colesterol.

Me deparei ontem com mais um reality, o “De férias com o ex”.

Um bando de sarados tatuados, pegadores e machistas e suas ex, um cardume de pegadoras siliconadas, desbocadas e machistas, todos juntos se pegando, xingando, traindo e bebendo num cenário paradisíaco, enquanto tentam encontrar o amor verdadeiro se reconciliando com quem já sabem que não vai dar certo, ou buscando uma nova oportunidade com quem não tem a menor chance de sucesso.

Como os realities na tevê são tão inevitáveis quanto as greves dos bancários em setembro, por que não lançam…

– O FRAQUE IDEAL
Noivos vão escolher o traje do casamento, acompanhados do sogro, do pai e dos padrinhos.
O sogro nunca aprova o caimento e acha que a braguilha ficou muito evidente.
Os padrinhos adoram a gravata, mas acham que devia ser de outra cor, outro modelo e em outro tipo de tecido.
O pai chora.

– MASTER CHEF MIOJO
Solteiros se enfrentam em sucessivas eliminatórias para definir quem faz o melhor miojo.
O vencedor ganha o direito de participar da competição seguinte, de nível profissional, o Master Chef Lasanha de Micro-Ondas.

– LUNÁTICOS DO PASSADO
Apresentador artificialmente bronzeado, mais despenteado que o Guga Chacra e com olhos mais vidrados que o Lindbergh Faria, apresenta provas irrefutáveis de que todos os avistadores de disco voador estavam sob o efeito de substâncias ou tinham um parafuso a menos.

– PRATO FEITO
Uma loja mantida por três sujeitos meio fanfarrões e casca grossa, que servem PFs para pessoas que não têm grana suficiente para ir a um restaurante decente. É só isso.

– ESQUADRÃO DO ACOMODA
Deputados com mau gosto para a ética e que não sabem como combinar discurso de campanha e atuação parlamentar, se acomodam em outro partido, onde recebem orientação de especialistas para dar uma repaginada, ganhando um novo look e ficando irreconhecivelmente igual ao que era antes.

– IRMÃOS NA MASSA
Dois irmãos gêmeos univitelinos idênticos iguaizinhos um ao outro (só muda o avental) ajudam casais com dificuldades culinárias a fazer macarrão, pão, bolo e nhoque. Um, de avental mais mauricinho, faz a massa; o outro, de avental mais descolado, o molho.

– KEEPING UP WITH THE BALABANIANS
Câmera acompanha a vida loka de Araci Balabanian e sua família disfuncional, que inclui uma madrasta travesti, uma sogra ninfomaníaca, as sobrinhas megalômanas, os tios cleptomaníacos, as cunhadas dependentes de preenchimento labial e o primo isentão.

– AGARRADOS E BEM VESTIDOS
As aventuras de José Dirceu, João Vaccari, Marcelo Odebrecht, Ricardo Pessoa e Alberto Yousseff na carceragem da Polícia Federal, lutando para sobreviver ao banho frio, ao juiz Sérgio Moro e ao sotaque dos carcereiros curitibanos, tendo como única arma sua fé no marxismo e na delação premiada. A nova temporada promete emoções ainda mais fortes, com a visita relâmpago de Guido Mantega, e a chegada do chefão do esquema e sua excelentíssima senhora.

Hashtag

 

1.
Primeiramente, #BoraTemer!

2.
Lula se diz perseguido pelo Sérgio Moro.
Pelo Ministério Público.
Pela Polícia Federal.
Pelo Janot.

Como se o four de ases não bastasse, agora é perseguido também pelo Zavascki.

Royal Straight Flush.

2.
Toffoli cassou a liminar que mantinha um petista agarrado à EBC (Empresa Brasileira de Comunicações).

O desaparelhamento do Estado vai demandar mais carrapaticida do que se imaginava.

3.
Não me importo que Lula e Dilma fiquem com nenhum presente.
Quero que devolvam é o nosso futuro.

4.
Entrevistada no Segundo Caderno d’O Globo, Sigourney Weaver, quase inteiraça aos 66 anos, diz que acha a tenente Ripley (sua personagem da série Aliens) “original pacas”.

Fico pensando no que é que ela teria dito em Inglês para ser traduzido como “original pacas”.
Original for dick? for prick? for cock?

Original pacas esse tradutor.

5.
7 de setembro teve “Marcha dos Excluídos”.

Tiveram treze anos de inclusão, subvenção, patrocínio e empoderamento.

The mimimi never ends.

6.
No Supremo, o Zavascki recusou o pedido do Lula para escolher outro juiz que não fosse o Moro, o Fachin mandou arquivar o processo de suspensão do impítimã, a Rosa Weber negou cinco ações contra o golpe do fatiamento e, por 10 x 1 (esse um é o Marco Aurélio) o plenário abortou o cancelamento do julgamento do Cunha.

Este ano, a Semana da Independência fez jus ao nome.

7.
Ver na televisão as campanhas do PT sem vermelho e sem estrela.
Isso não tem preço.

#XoraLula!

Je suis Moro

 

MANIFESTAÇÃO DE 31 DE JULHO

Manifestação hoje em Copa.

Achei que não fosse ter ninguém, porque o impítimã já são favas contadas. Mas tinha muita gente.

Só que foi uma manifestação mais à direita, mais reacionária, mais preocupante.

Surgiu uma bandeira vermelha na praia – tinha que ser baixada, recolhida, retirada das vistas. Por que não respeitar o outro, o direito do outro à divergência? A praia é de todos, o direito à manifestação também.

E dá-lhe dizer que temos que banir o comunismo (não temos: é preciso garantir que todos possam se expressar livremente), que é preciso intervenção militar (não é: é preciso reforçar a democracia).

Bolsonaro estava lá, recebendo abraços, cantando virilmente o hino dos paraquedistas, sorrindo para selfies. Vade retro.

Estavam lá os monarquistas, os devotos de Plínio Salgado, de Olavo de Carvalho, os patriotas (“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, Samuel Johnson), os xenófobos (um gritava que Dilma abriu as portas para o terrorismo islâmico se instalar aqui ao aceitar refugiados sírios; que logo estaremos sendo degolados e “nossas mulheres” feitas de escravas).

Felizmente, havia os que só estavam lá para apoiar Moro (faz aniversário amanhã, ganhou até parabéns pra você), a Lava Jato, a Polícia Federal, o saneamento das contas públicas, a ética na política.

Mais à frente (estacionadas diante do Copacabana Palace), mulheres negras protestavam contra o racismo, entre um “fora Temer” e outro – como se todas as mortes que elencavam, se toda a injustiça que diziam combater, não tivesse ocorrido justamente nos 13 anos de governo do PT.

Felizmente, as duas manifestações ocorridas ao mesmo tempo, no mesmo lugar, jamais se encontraram. Duas intolerâncias juntas não iam acabar bem.

 

Teori da conspiração

 

Tenho uma teoria (e não é uma teoria zavasque, uma teoria qualquer).

O impítimã foi golpe, sim.

Um golpe dado pelo PT.

Um autogolpe.

Dilma não tinha como se manter no poder. Não tinha credibilidade, não tinha competência, não tinha popularidade, não tinha mais de onde tirar dinheiro para financiar a quadrilha.

O TSE ia, mais cedo ou mais tarde, cassar a chapa Dilma + Temer, convocar novas eleições. Um adversário (Aécio) ou uma ex-correlegionária (Marina) ia ganhar e o PT estava fora do jogo.

Devem ter ido a um centro espírita e consultado o Golbery, o Jânio, ou à Papuda e tido uma conversa ao pé de ouvido com o Dirceu no parlatório. Por que não um autogolpe?

Encenaram um impítimã, afastaram Dilma temporariamente e colocaram lá o Temer, com a única missão de provar ao mundo que político é tudo igual, que o Brasil não tem mesmo jeito, que o PT não era tão estratosfericamente corrupto assim – apenas um pontinho ligeiramente fora da curva.

O presidente decorativo interino nomearia ministros corruptos, tentaria barrar a Lava Jato, faria a classe artística dar um piti, ameaçaria recriar a CPMF e, com a ajuda da Folha de São Paulo e da aguerrida militância (na verdade, a Folha faz parte da aguerrida militância, não sei por que distingui uma da outra) criaria na população aquela sensação de desalento, de mais do mesmo, de “pelo menos com a Dilma a gente se divertia mais”.

Provado que Temer não é a solução, nem paliativa, Dilma voltaria ao poder nos braços do povo, após 180 dias descansando a imagem.

Voltaria mais magra, repaginada, com mais botoques, um novo corte de cabelo, e a gente ficaria feliz de ter a coroa maluquinha de novo saudando o inhame no que se refere ao cachorro atrás de uma criança – com aquela doce nostalgia que nos faz engolir reprises sob a alegação de que vale a pena ver de novo.

Por que Temer toparia? Porque ele é PMDB, e o PMDB topa tudo.

Onde é que o Serra e o Meirelles entram nisso? Inocentes úteis: um arrumaria a economia (para o PT ter de novo de onde roubar) e o outro daria um chega pra lá nos parasitas bolivarianos (o que representaria uma despesa a menos).

O Oscar de “Melhor Performance Digna de Novela do SBT” iria para os indignados Lindbergh, Gleisi e Cardozão. O de melhor coadjuvante, para a Letícia Sabatella. Lula levaria o de “Efeitos Especiais”, chorando na descida da rampa.

Só não sei se combinaram com o Moro.

Autocrítica

 

1.
Depois da recusa de Marília Gabriela, Bruna Lombardi, Regina Duarte, Vera Fischer, Juliana Paes, Luana Piovani, Carol Castro, Bruna Marquezine, Rita Cadilac e Narjara Tureta, parece que o finado Ministério da Cultura vai mesmo para as mãos de um macho.

Porque tem que ter culhão pra aguentar a grita dos que perderam a mamata.

2.
Reclamar que Temer reduziu o status da Cultura, de Ministério para Secretaria, é fácil.

Quero ver é admitir que, sob Dilma, a Saúde perdeu 23.000 leitos.

3.
Além de se queixar ao Papa e fazer passeata em Cannes, as próximas ações da elite artística do país devem ser azucrinar o Dalai Lama, não aceitar indicações para o Oscar e pendurar uma faixa (“Don’t go have golpe!”) na Estátua da Liberdade.

4.
O rombo deixado por Dilma nas contas públicas deve chegar a R$ 150 bilhões.

Impichar essa maluca pelas pedaladas é como condenar a Susane von Richthofen por não ter escovado os dentes antes de ir pra cama na noite em que matou os pais.

5.
Temer demitiu 324 petistas em 3 dias.

Neste ritmo, mais uns anos e estaremos livres da infestação.

6.
O PT finalmente admite que errou.

Em sua “autocrítica”, o partido diz que demorou a perceber o “esgotamento do modelo econômico” (o que os forçou a “aceitar parcialmente a agenda do grande capital”), que ficou “refém de acordos táticos, imperiosos para o manejo do Estado” e que foi um equívoco não tomar frente na “democratização dos meios de comunicação”.

Ou seja, o erro foi não ter aprofundado ainda mais o poço da gastança, ter pago por uma base aliada que lhe virou as costas quando a fonte secou e não ter conseguido controlar a imprensa.

Ah, sim: e a Lava Jato “configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas”.

Nem uma palavra sobre terem roubado como nunca antes na História deste país.

Caíram por suas virtudes, e porque o Moro é um golpista.

Autocrítica assim, até eu.

7.
Dilma caiu porque era mulher.
Maria Sílvia foi para o BNDES porque é mulher.

Afinal, ser mulher é uma maldição ou um pistolão?
As duas coisas ao mesmo tempo, ao sabor da situação, é que não dá pra ser.

Naufrágio

 

A Folha já reservou seu lugar no bote salva-vidas e abandonou o Titanic, oops, o governo. Mas o UOL continua com a petralhadora funcionando a pleno vapor.

Manchetes de hoje, domingo:

“Documentos indicam grampo ilegal e abuso de Moro na origem da Lava Jato”

“Quem paga oposição na rua? Movimentos contra governo não divulgam origem de sua receita”.

“Caetano diz “não vai ter golpe” em show em Salvador”.

1. Os tais documentos fazem parte da defesa do Paulo Okamotto, do Instituto Lula, que quer invalidar a Lava Jato. “Jus sperniandi”, e só.

2. Certamente não é a mesma fonte que paga o pão com mortadela, os 30 reais, as camisetas e os ônibus fretados.

3. Caetano disse muito mais coisa, mas só esse mantra foi música para os ouvidos do repórter.

Algo me diz que no baile da Ilha Fiscal do PT, o UOL vai ter que tirar o MST pra dançar, porque até a UNE já deve ter ido embora.

Agora vai

 

Pode até demorar um pouco, mas não vejo a hora de começarem as entrevistas desse povo que apoia Dilma, esclarecendo que não era bem assim.

Eram a favor dos programas sociais, entende? Não sabiam das tenebrosas transações. São artistas, intelectuais, sabe como? Rodam suas ideias noutra plataforma, e não têm tempo para o mundo-cão dos jornais – além, claro, de não ver tevê, nem frequentar essa feira de vaidades que são as redes sociais.

Já imagino o Wagner Moura afirmando, categoricamente, que sempre foi contra a corrupção, e vamos falar da nova minissérie. A Camila Pitanga dizendo que a arte é apolítica e que a mídia, essa rede de intrigas, distorceu suas palavras, e que sua personagem na nova novela é um presente do autor. A Zélia Duncan relativizando o que disse, pensou ou escreveu – eram só reflexões, um lance conceitual, meio breinstorme, e agora vamos falar do novo disco.

Claro que isso não vale para os dinossauros. Jô, Veríssimo, Chico, Leonardo Boff, Paulo Henrique Amorim, José de Abreu, esses chegarão à missa de sétimo dia chamando Fidel de democrata e Lula de líder operário.

São como os velhos bolcheviques, que jamais caíram naquele conto dos crimes de Stálin, ou os que, mesmo diante das pilhas de ossadas, continuam negando o Holocausto. Afinal, as evidências enganam, né não?

2.
Com a defecção (adoro essa palavra!) do PMDB, Dilma começa a reestruturação do seu governo. Ou, como diz o Jaques Wagner, a “repactuação”.

Vai buscar no que sobrou da “base aliada” os nomes para o primeiro escalão da República – aqueles com altas responsabilidades, grandes salários e foro privilegiado – além, claro, de votos contra o impítiman.

Antevejo a posse e a pose da nova nata do Executivo: Tiãozinho do Posto (PQP-RO) na Saúde, Juvanildo Quaresma (PORN-PR) nas Minas e Energia, Pastor Isaías (Partido do Evangelho Triangular do Dízimo Ungido-PI) na Ciência e Tecnologia, Galega do Gás (PCC-SP) na Aviação Civil – e mais uns 600 nos escalões inferiores.

Agora vai.

3.
Afastada Dilma, empossado Temer, começa a batalha do PMDB, PSDB e assemelhados para esvaziar a Lava Jato, desidratar Sérgio Moro e, com isso, garantir a governabilidade etc etc etc.

O PT irá para a oposição, com a faca nos olhos e sangue nos dentes, cobrando ética, exigindo transparência e pagando lição de moral.

A gente veste uma camisa amarela e sai por aí, porque não vai ter golpe e a luta continua.