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Estatísticas

 

1.
Pesquisa revela que Salvador é a capital brasileira em que há mais adúlteros.

O corolário é que isso a torna, também, a capital em que há mais cornos.

2.
Comecei a usar o Uber.

Até agora, nenhuma mercedes preta dirigida por um ex-engenheiro da Petrobras com modos de criado de Downton Abbey – só carros normais, dirigidos por gente normal.

Ou seja, o exato oposto dos táxis.

Em três meses e meio de Salvador, não consegui pegar um táxi sequer com ar condicionado, em que o motorista não fosse petista ou tivesse em algum momento usado a seta.

Um táxi do Rio Vermelho ao terminal rodoviário sai em torno de R$ 50,00.
O Uber fica por R$ 16,00.
E sem “fora, Temer”.

3.
A Estatística é uma ciência sem qualquer vínculo com a realidade. Tipo assim a Física Quântica, só que com mais números.

Num ônibus com 42 lugares, a probabilidade de uma pessoa específica se sentar ao seu lado é de 2,38%. De se sentar à sua frente ou logo atrás é de 9,42%.

Não quando o passageiro sou eu.

Se há no ônibus apenas uma mulher com criança no colo, a chance de ela se sentar ao meu lado é de 120%. Crianças de colo choram em 100% dos casos – quando estão do meu lado, a probabilidade sobe para 250%.

51,4% da população são mulheres.
42,7% da população são obesos.
12,5% das pessoas roncam.

Isso quer dizer que apenas 2,74% da população são gordas que roncam. Isso quer dizer também que, num ônibus, a chance (teórica) de haver uma dessas no seu entorno é de 0,36%.

Não quando o passageiro sou eu. Aí a chance vai a 115%.

Não sei o percentual de pessoas com dependência química, física e/ou psicológica de um celular. Deve ser (chutando) uns 50%.

Como ao meu lado já tem a mulher com um bebê chorão no colo, e na poltrona atrás está a gorda que ronca, os outros três lugares disponíveis (dois à frente, um atrás) serão necessariamente ocupados por celularólatras, adictos do uotiçape, incapazes de esperar chegar em casa para saber como foi a festa ou se beltrano comprou pão. E todos, claro, com barulhinhos irritantes a cada mensagem que chega, a cada tecla apertada.

Ainda bem que de Aracaju a Salvador são apenas cinco horas de viagem.

4.
Voltando ao ranking do adultério, a capital com menos adúlteros (em termos percentuais) é São Paulo. Eu jurava que era Curitiba, onde as pessoas se cumprimentam com meio beijo e o contato visual é considerado ofensa grave.

E de onde será que os compositores sertanejos de Goiânia tiram tanta inspiração para suas sofrências, sempre regadas a chifres e cachaça, se Goiânia nem aparece no ranking?

A pesquisa mostra que 42,8% dos soteropolitanos admitem ter pulado a cerca. O número sobe para 55,6% no Rio Vermelho, bairro onde estou hospedado.

Tirando cinco ou seis casos nos últimos três meses, não tenho nada a ver com isso.

5.
Todos somos fieis entre uma pulada de cerca e outra.

Domingo na Ribeira

 

 

A Ribeira é uma espécie de Lado B de Salvador, voltada para a Baía de Todos os Santos, não para o mar, o que lhe dá um jeitão de Paquetá, de Ilha do Governador.

Dali se vê melhor a Igreja do Bonfim, e se aprecia também melhor o “soteropolian way of life” – botecos por toda a orla, uma festa em cada boteco, uma celebração sem fim.

E no fim da linha da Ribeira, finalmente, a célebre Sorveteria da Ribeira, com seus trocentos sabores e suas filas intermináveis.

Tive a minha overdose de sorvete: coco, jenipapo, pitanga e (o melhor de todos) tamarindo.

Preciso voltar para tomar os de biribiri, cajá, graviola, mangaba, sapoti, tapioca…

Praia do Forte

 

Curtindo o inverno glacial na Praia do Forte.

 

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Nada a Temer

 

1.
O problema no cadastro do Bolsa Família nem são os mortos.
São os muito vivos.

2.
“Temer escolhe mulher para comandar BNDES”.

Não, Folha de São Paulo estúpida.
Ele escolheu uma economista.

Não é com o útero, o ovário, as trompas, que se dirige o Banco.
É com o cérebro.
E aí tanto faz ser homem ou mulher.

3.
“Wagner Moura critica o fim do Ministério da Cultura: “Pior ainda está por vir”

Eu, se fosse o Papa, instalava logo um detector de petista na entrada do Vaticano – ou o coitado não vai ter sossego.

Ainda mais com o Apocalipse a caminho.

4.
O inferno astral do PT parece não ter fim.

O relator do processo contra o Aécio Neves no STF será o Gilmar Mendes.

5.
Uma das expressões mais lindas que ouço por aqui é “não lhe dou ousadia”.

É um mix de “não lhe dei essa liberdade” com “você não está com essa bola toda”.

Não vejo a hora de ter motivos para usar.

6.
Que outro lugar, além de Salvador, teria uma Praia da Paciência, uma Ladeira da Preguiça?

Um Pau da Lima e um Pau Miúdo?

Um Largo das Sete Portas e um Beco dos Quinze Mistérios?

O Campo da Pólvora e o Largo do Queimadinho?

O Tororó e o Chame-Chame, o Bonocô e o Ogunjá, o Beco das Gostosas e o Largo dos Aflitos?

7.
Falar nisso, cadê o Lula que ainda não pediu o impítimã do Temer?

Baianidades

 

1.
Não existe sorvete de casquinha.
Sorvete é no copinho ou no cascalho.

2.
Pego o ônibus de volta pra casa e aí é que vejo que só tem nota de 50 na carteira.
O trocador olha pra gavetinha dele e diz que tem troco, não.
Antes que eu faça menção de pedir pra descer e arrumar trocado, ou proponha esperar que o troco apareça, ele pede ao motorista que pare e abra a porta do meio.
“Desce, e entra lá por trás”.
Faço isso me sentindo um contraventor, mas é assim que funciona.
Se ele não tem troco, não é culpa minha.
Viajo de graça – não sem imaginar se não tem gente que aplique esse golpe, ou sem avaliar a possibilidade de só andar com nota de 100 no bolso quando for pegar ônibus em Salvador.

3.
Parece que ninguém coa nada por aqui.
Desde que cheguei que estou atrás de uma peneira – pra coar limonada suíça, suco de maracujá feito com a fruta – e não encontro.
Já fui no BomPreço, não tem. Nas Lojas Americanas, não tem. No Perini, não tem. No Le Biscuit, também não.
O jeito vai ser tentar no e-bay, no Mercado Livre, no amazon.com, no Alibaba.

4.
No ônibus, pergunto ao senhor ao meu lado se ainda está longe do Shopping da Barra.
Em vez de dizer que não sabe, ele se levanta, vai até o motorista, se informa, aperta o botão de parada e me diz “é no próximo ponto!”.

Igualzinho no Rio de Janeiro…

5.
“Lascar”, aqui, tem conotação sexual.
Sim, isso mesmo que você está pensando.
Logo, pense duas vezes antes de dizer “estou lascado” quando houver um soteropolitano por perto.
Ele pode entender mal, e aí você tá f*dido.

6.
No Rio, cachorro na praia é proibido.
Aqui parece ser obrigatório.

7.
Salvador me lembra muito Havana.
Com a diferença que lá tem muito menos esquerdista.

Véi

 

1.
Pense duas vezes antes de falar de política com um baiano.
Há aproximadamente 150% de probabilidade de ele ser petista.

(Nota de esclarecimento: é possível, recomendável e enriquecedor que se converse com esquerdistas e direitistas, com liberais e conservadores, com quem pensa como você e com quem pensa diferente. É impossível conversar com quem não pensa).

2.
Laranja bahia, aqui na Bahia, se chama laranja umbigo.
Ou pelo menos é assim que se chama na quitanda aqui perto.

Faz sentido.
Não existe restaurante japonês no Japão – existe restaurante.
Não existe lojinha de turco na Turquia – existe lojinha.

Se bem que tem queijo Minas em Minas.

Ok, esquece a minha teoria.

3.
Amanhã é meu aniversário, e o presente que me dou é ter atingido a meta que estabeleci ao desembarcar em Salvador: chegar aos 57 com o mesmo peso que tenha aos 20.

Saí do Rio, vinte dias atrás, pesando 84. Hoje bati nos 78.

(Como já vi que não vai dar pra ficar rico como arquiteto, fotógrafo ou cronista de feicebuque, talvez invista no ramo das dietas milagrosas para emagrecimento.

Essa que inventei, a “Dieta de Salvador Hills”, consiste em caminhar muito (uns 12 km por dia), cortar carne vermelha, massas e frituras, e investir nas frutas e peixe.

Tudo bem que rola um acarajé de vez em quando. Mas gula não é pecado e, de mais a mais, a Bahia pode ser de todos os santos, mas eu, definitivamente, não sou um deles).

4.
Os ônibus aqui são velhos, sujos e feios.
Mas são seguros – e nunca estão lotados.
Isso vale mais que qualquer ônibus novo, limpo e bonito do Rio.

5.
Já me chamaram de véi.

Já me chamaram de pai.

Agora deram de me chamar de nêgo.

Assim é que eu não vou querer ir embora nunca mais dessa cidade miscigenada, arrodeada de água.

6.
Os jornais daqui são ilegíveis.

Vou ver se arrumo um emprego de revisor num deles.
A R$ 1,00 por erro, fico milionário antes da posse do Temer ou da prisão do Lula – o que vier primeiro.

Caminhada

 

Hoje resolvi explorar outro lado de Salvador, e deixei para trás o circuito Rio Vermelho – Barra para conhecer Amaralina e Pituba.

Me entusiasmei e acabei chegando, 17 km e 4 águas de coco depois, a Itapuã. A pé. Sem boné (como só ia “ali”, não achei que precisava proteger o cocuruto).

Três horas e pouco de caminhada sob um sol profissional, além de fritar o couro cabeludo, servem também para meditar, pensar na vida, nos mortos, nos nossos caminhos tortos.

Vinte anos atrás, fui visitar um grande amigo, moribundo. Ele morreu poucas horas depois de eu ter deixado sua casa. Na viagem de volta, eu olhava a paisagem por mim e por ele, que não veria nunca mais nada além do próprio quarto.

Por muitos dias, tudo que provei, ouvi, senti – provei, ouvi e senti por ele, como se lhe emprestasse os sentidos para que ele continuasse vivendo, ouvindo, sentindo.

Fiz isso hoje de novo, olhando mar, nuvens, coqueiros, como se os olhasse por meu pai, que teve os olhos fechados para sempre.

Ele gostava do mar, e foi para ele – com os olhos dele – que admirei os coqueirais, as pequenas piscinas em que o mar brinca de ser outro quando encontra as pedras, a longa faixa de areia horizontal que a água transforma em espelho, as duas imensidões azuis superpostas no horizonte.

E foi por minha mãe, que nunca amou o mar, que caminhei do mirante em que agora vivo até o farol. Caminhei por ela, que quase não se locomove, circunscrita ao labirinto do Alzheimer.

Ela hoje andou comigo pelos casebres com vista para o mar de Amaralina, por Pituaçu, Piatã, Placaford, parou na Praça Caymmi, cantarolou (elegante, afinada) uma canção praieira, tomou pela primeira vez uma tigela de açaí, viu o farol rasgar, com suas listras vermelhas e brancas, um céu absurdamente azul.

Emprestei a ela minhas pernas, como ao meu pai cedi os olhos. Talvez por isso tenha caminhado tanto, e visto tanta coisa.

Retornamos, os três, exaustos e felizes. Mas só eu, certamente, com o cocuruto em brasa.

Resoluções

 

Metas para Salvador:
– Comer um acarajé por dia e, ainda assim, perder 10 kg.
– Ok, 5 tá bom.
– Virar negão.
– Encontrar o eixo.
– Ajustar o foco.
– Achar o prumo.
– Organizar os escritos.
– Fazer pilates.
– Recuperar a carteira de motorista, suspensa pelo fato de os radares não respeitarem a velocidade que costumo praticar.
– Já estar acordado quando o sol nascer.
– Passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã.
– Não perder um pôr do sol. O de quarta foi lindo.
– Voltar a Itaparica e Morro de São Paulo. Várias vezes.
– Tirar o atraso dos anos que fiquei sem comer siriguela.
– Dobrar, sempre que possível, todas as metas.
– Menos a dos dois quilos e meio. Um quilo tá bom.
~
Estava ontem no show do (ótimo) Aluísio Menezes no Largo da Mariquita quando o bando do “não vai ter golpe” passou e tentou interromper o cantor. Ou seja, dar um golpe no espetáculo.
O moço mexeu no repertório, subiu o tom e abafou a fanfarra que defende sua democracia e seu estado de direito.
Funcionou.
O Aluísio queimou as cordas vocais e quase fundiu o motor da banda – mas não teve golpe.
~
Sábado tem Gil e Caetano, de grátis, no Farol da Barra. Lá, sim, o que não vai faltar é golpe.
~
Segundo o (ainda) ministro da Saúde, Celso Pansera, existem “defesas apaixonadas, contra e a favor” da pílula do câncer.
Interessante esse conceito de “defesa contra”.
Deve haver também “ataques a favor”, não?
~
É impressão minha ou baiana já nasce empoderada?
~
Quem conhece de verdade o projeto de poder do PT é o Chico Buarque, que antes mesmo de o Lula chegar lá já tinha pontificado:
“não tem governo, nem nunca terá;
não tem vergonha, nem nunca terá;
não faz sentido”.
~
Pode ser que alguém até já tenha dito isso antes, mas a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem.

Diários soteropolitanos

 

1.
De novo voando para Salvador, de novo a maldição da poltrona em cima da asa. Na volta vou ver se consigo marcar a poltrona 1A, Se a asa estiver lá e o avião nem conseguir levantar voo, a culpa não é minha.

2.
Não gosto das metáforas médicas, ainda que volta e meia recorra a elas. Dizer que o petismo é um câncer, por exemplo.

Li hoje, em dois lugares distintos, sobre o “autismo político” da Dilma, e num outro alguém falava que o Lula aparenta estar com Alzheimer, tal o seu descolamento da realidade.

Meu pai morreu de câncer, minha mãe tem Alzheimer.

Assim como não consigo vincular o labirinto em que minha mãe se encontra à falta de caráter, ao instinto manipulador do ex Presidente, quem tem um filho autista não deve gostar nem um pouco de ver essa síndrome associada à incapacidade cognitiva da nossa Presidenta .

São metáforas, eu sei. Mas para quem convive com esses males, a coisa é mais que concreta. E dói.

3.
Em Salvador, as pessoas falam tão alto que aqui certamente o som não se mede em decibéis, mas em quilobéis. A gente se acostuma, claro. Mas que é bom voltar pro hotel e curtir o silêncio, isso é.

4.
Em casa, não falávamos palavrão, nem se podia contar piada envolvendo religião. Era falta de respeito – e para minha mãe, as palavras deveriam ter algum poder, não sei.

Uma vez apanhei porque falei que meu irmão era uma praga (“praga”, “peste” eram palavrões). Não se podia pronunciar a palavra “raio” durante a chuva, porque atraía raios (dizer “pudim de leite condensado”, inexplicavelmente, não atraía pudins de leite condensado). Palavrões, pelo que deduzi, deviam atrair algo ruim.

Gente de bem até pensa palavrão, e solta algum durante uma topada, um gol mal anulado, uma fechada no trânsito. Aprendi a avaliar as pessoas pela sua relação com o palavrão, porque uma boca suja diz muito sobre a mente.

Ao ouvir que era inconstitucional expulsar um jornalista que o chamara de bêbado, Lula teria dito “foda-se a Constituição”. Ao nomear Marcelo Navarro para o STJ, com a missão de livrar empreiteiros presos, Dilma teria dito que não queria “outro juiz filho da puta como o Fux” (que também deve ter prometido mundos e fundos para ser nomeado, e não entregou o combinado). Flagrado, involuntariamente, pela Jandira Feghali, Lula esbravejava com Dilma que deviam enfiar no cu o processo contra ele.

Essa gente, definitivamente, não seria muito bem vista lá em casa.

5.
Por que será que a Bahia é 220 volts? Por que não encontro uma única famigerada tomada de três pinos? Por que nunca me lembro de trazer um kit de adaptadores?

6.
Tudo se acelerou. Lula denunciado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Pimentel, governador de Minas, indiciado pela Polícia Federal. OAS e Odebrecht articulando delação premiada conjunta. A bela e sorridente Monica Moura, a “Feira” do Santana, parando de mascar chicletes para dar com a língua nos dentes. Quem marcou a manifestação coxinha para 13 de março devia ter o dom da premonição.

7.
Se Temer era decorativo com Dilma, imagina como ficará se Lula assumir um ministério e Dilma se tornar ornamental…

8.
São 6:45 deste 10 de março, e ainda não li o matutino “A Tarde”, o jornal petista de Salvador. Se daqui a pouco ouvirem gargalhadas em altos decibéis, sou eu, já em modo baiano, tomando pé da vida como ela não é.

Diário de Salvador

 

1.
Prezado Luís Inácio:

No seu pronunciamento – que (olha que coincidência!), mais uma vez, foi agendado para o mesmo horário do megapanelaço contra o governo – o senhor reclamou dos brasileiros que não acreditam no Brasil (ou que falam mal do Brasil – não deu pra entender direito por causa do barulho das panelas, apitos e buzinas).

Mais uma vez, o senhor está enganado. O brasileiro acredita no Brasil. Não acredita é no senhor, e fala mal é do senhor – e dessa senhora que o senhor colocou tomando conta do seu lugar enquanto cumpria, a contragosto, a quarentena constitucional para retornar ao poder.

O brasileiro não acredita é nas suas mentiras, nas suas lorotas e nessa lengalenga de nordestino-humilde-cuja-mãe-nasceu-analfabeta-e-desdentada, de fornecedor de milhagem para quem só andava de van ou de pau de arara.

Não se iluda, sr. Luís Inácio: o senhor e o Brasil são duas coisas bem diferentes. Eu diria, mesmo, incompatíveis. O Brasil tem jeito. O senhor, não.

2.
Começo a achar que as asas dos aviões são móveis. Não importa que poltrona eu marque, é sempre em cima da asa. Faço a reserva, e eles mandam imediatamente adaptar a asa a uma posição que me impeça de fotografar lá de cima.

Se um dia eu resolver pilotar, não tenho dúvida: a asa vai pro focinho da aeronave.

3.
Ouvido sem querer de um guia turístico que descia o Pelourinho desinformando um bando de incautos: “Essas pedras que estamos pisando eram usadas nos porões dos navios, para garantir a aerodinâmica das caravelas.”

Arrojados esses portugueses do século 16, não?

4.
Leitura matinal em Salvador (num jornal, petista paradoxalmente, chamado “A Tarde”): “Pesquisa eleitoral mostra vitória de Lula em dois dos três cenários apresentados”. Os tais “dois cenários” eram aqueles em que não há candidato tucano na disputa.

Poderiam ter ido mais fundo, e proposto vários outros cenários: um em que Lula disputa com Kim Jong Il, outro em que o concorrente é José Dirceu ou Vaccari, um terceiro contra o Maníaco do Parque e o casal Nardoni, etc. Acho que só não o fizeram porque a vitória petista não seria assim tão garantida.

5.
Baiano é alegre, cordial, falante. Menos, claro, a baiana do acarajé do Pelourinho. Essa é o caso clássico de miscasting. Vestida em trajes vistosos num lugar turístico, fecha a cara à aproximação de qualquer fotógrafo. Rosna. Esbraveja.

Algo me diz que é funcionária pública concursada, odeia ter que usar turbante e saia rodada, e preferia estar no ar condicionado, de carimbo ou grampeador em punho, destratando algum contribuinte.