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Arquivo da tag petrolao

Enquanto isso, num universo paralelo…

 

… o Presidento Aécio Neves luta desesperadamente para se safar do impítimã.

Já denunciou à OEA, à OTAN e ao Pacto de Varsóvia que é vítima de uma intentona comunista – apesar de o PT e o PSOL estarem roucos de dizer que não são comunistas, que o impeachment está previsto na constituição e que não faz sentido comparar o momento atual com o levante vermelho de 1935. Só a cor das bandeiras é a mesma, mais nada.

O Presidento acusa o antigo aliado e agora desafeto, Paulo Maluf (Presidente da Câmara, que responde a 127 processos, e nega ser turco e ter conta na Suíça) de agir por vingança.

Visivelmente alterado pelo uso de substâncias, Aécio deu margem a milhares de memes em que aparece saudando o inhame, dizendo que atrás de toda velha tem um gato e sugerindo estocar espirro.

Isso como se não bastassem a inflação galopante, o desemprego em massa, a perda do grau de investimento, a recessão profunda e a urucubaca geral que se abateu sobre o pais durante sua gestão (ou gestação, como ele insiste em dizer).

Os ânimos estão acirrados. Ary Fontoura escarrou num casal homoafetivo que o chamou de “empadinha” num boteco da Boca Maldita – e depois foi se defender no TV Fama.

Regina Duarte fez um discurso confuso em defesa do Presidento (a quem não apoia, mas chama de Presidento assim mesmo), e acabou atacada no Orkut por hordas de petistas e psolistas indignados com a fortuna que ela conseguiu captar de incentivo fiscal para fazer uma fotonovela.

O Supremo, com 8 juízes indicados pelos tucanos – inclusive um ex-advogado do PSDB – tem aceito as delações premiadas das empreiteiras envolvidas no Valão, o escândalo de corrupção que praticamente quebrou a Vale do Rio Doce, mais importante empresa estatal do país.

A Operação Lanternagem e Pintura, da Polícia Federal, já botou quase metade do PIB nacional na cadeia, e está nos calcanhares de Aécio e sua turma.

A deputada Grazi Massafera, empadinha radical, chamou os petistas de “canalhas” na votação do impítimã e, na saída, ainda mostrou o dedo médio para Gleisi Hoffman, que defende a intervenção militar.

Aécio está ainda mais isolado depois que não conseguiu nomear FHC para o Ministério da Defesa, a fim de livrá-lo de uma juíza de Sergipe (ou “da República de Aracaju”, como ele chama). FHC alega que a penthouse nos Champs-Élysées comprada por d. Ruth não é deles, que o filho que teve com uma amante não é seu, e que a amante é do José Serra – ele apenas a compartilha nos finais de semana. Ninguém acreditou.

Aloysio Nunes (que, apesar de ser o vice eleito, “não teve um voto sequer”, segundo os tucanos) já monta seu governo, e é chamado de traíra, judas e fura-olho pelo ministro da Casa Civil Geraldo Alckmin e pelo Advogado Geral da União, Ronaldo Caiado.

Os petistas dão risada quando algum tucano diz que “Aécio não pode ser deposto porque foi eleito democraticamente por 54 milhões de brasileiros” e “vocês não se conformam em ver rico andando de ônibus e branco usando o SUS”.

Quando parecia que nada poderia piorar, a nova Ministra do Turismo (a décima terceira desde a posse do Presidento) levou o marido, um ex-ator pornô que já teve o título de Mr. Big Dick, para fazer fotos de sunga no gabinete.

Lula, que se manteve quieto e nas sombras durante os 13 anos de governo tucano, evitando meter o dedo na política e fazer oposição, raramente se manifesta.

A última esperança do Presidento é seu fiel aliado Fernando Collor, Presidente do Senado e com ficha mais suja que poleiro de pato.

Se nada mais der certo, Aécio pretende convocar novas eleições e, com o que sobrou do Valão, do Itaipuzão, do BNDESão, do Eletrobrasão e do Furnão, eleger novamente FHC – garantindo, com isso, foro privilegiado para si próprio como ministro de uma das 97 pastas criadas durante seu governo.

Ninguém se lembra mais de quem seja Dilma Rousseff.

Argumentação

 

1.
PT critica Temer por montar governo antes mesmo da decisão do Senado sobre o impítimã.

Queriam o que? Que ele esperasse o último senador invocar a esposa, a filharada, a concunhada, Deus e os parceiros de truco, para então começar a se articular? Que montasse um ministério nas coxas, na base do escambo, como sempre fez a Dilma?

Tenho pra mim que o Temer começou a montar esse governo em 2010.

2.
Dilma vai montar governo paralelo no Palácio do Alvorada.

Quem vai pagar os salários desses paraministros, já que o Marcelo Odebrecht tá em cana, o Fernando Baiano não tem mais acesso à senha das contas e o Moro fechou a torneira do petrolão?

A propósito, ela não devia também esperar o resultado do Senado para cair de novo na clandestinidade?

3.
Uma bela e descabelada Gleisi Hoffman foi à tribuna do Senado vociferar contra a indicação do amável e afável Antônio Anastasia para relator do processo do impítimã.

Motivo? Ele é do PSDB e já tem opinião formada sobre o caso.

Nobre senadora, quem, no Senado (ou neste país), ainda não tem opinião formada, pós graduada, com mestrado e PhD sobre o caso?

4.
A OAB pediu a cassação do mandato do Bolsonaro, por ele ter votado “em memória do coronel Brilhante Ustra”, notório torturador.

Mas não deu nem um beliscão no Glauber Braga (PSOL RJ), que votou por Marighela, notório terrorista.

Ustra e Marighela são dois lados da mesma viagem – ambos antidemocráticos, ambos dispostos a tudo.

Iguaizinhos aos nobres deputados que os citaram.

5.
O PT ajudou a derrubar Collor mas não apoiou Itamar, nem participou do seu governo, porque tinha lá seu projeto hegemônico de poder.

O PSDB ajuda a derrubar Dilma, mas reluta em participar do governo Temer porque tem lá seu projeto hegemônico de poder.

Como escreveu Guimarães Rosa, “o mundo do rio não é o mundo da ponte”.

6.
Renan já avisou que vai permitir que o José Eduardo Cardozo defenda, mais uma vez, sua patroa, agora em Waterloo, digo, no Senado.

Eu evitaria me sentar na primeira fila.

Vai que, esgotada a cantilena do golpe, ele resolve desenvolver a argumentação do Jean Wyllys e do José de Abreu.

E olha que o Cardozão tem fôlego para fazer um argumento encorpado e consistente chegar até as galerias!

Diferenças irreconciliáveis

 

– O que é isso, Miguel?
– Estou fazendo as malas, Vilma.
– Vai me abandonar quando eu mais preciso de você, seu traste inútil?
– Cansei de ser tratado como se fosse meramente decorativo.
– Decorativo, você? Não se enxerga, mesmo.
– Basta de sofrer ao seu lado. De viver à sombra.
– Chega de mimimi. Quanto você quer para ficar?
– Você pensa que sou um mercenário…
– Metade agora e os 30% restantes em 2018. É pegar ou largar.
– No começo você só roubava 10%…
– Inflação, meu filho. Tudo subiu.
– Pra mim, já deu. Seja feliz com sua base aliada, que eu irei em busca de novos desafios.
– Miguel, você devia me agradecer por eu te desprezar, porque seria pior se eu te ignorasse.
– Eu te dei tudo: carinho, apoio, base pra lamentar…
– Você só ficou comigo por interesse! Passou todos esses anos às minhas custas, seu sanguessuga, seu parasita! Se você sair por essa porta, vou fazer da sua vida um inferno! Fica, por favor… Daqui pra frente, tudo vai ser diferente.
– Eu não vou sair, Vilma.
– Eu sabia. É um bundão mesmo.
– Vilma…
– Peraí, essa mala vermelha é minha…
– E quem você achou que estava saindo?
– Miguel, e todos esses anos, e tudo que fizemos juntos, o mensalão, o petrolão, o canguru perneta de cócoras, nada disso conta?
– Tchau, querida.
– Me deixa ficar, Miguel, são só mais três anos…
– …
– E não é que o desgraçado ficou com o disco do Chico e me deixou o do Lobão! Malfeito eu até aceito, mas isso é golpe baixo. Golpe, não!

Seis por meia dúzia

 

1.
“Não vou à manifestação de hoje porque quero distância do Bolsonaro e do Malafaia”.

Então não ouça Bach, porque ele escreveu música sacra, e você também deve querer distância dos padres pedófilos, certo?

Nem leia Umberto Eco, Dante, Calvino, Montale, porque eles nasceram na Itália, e lá também nasceu o fascismo.

2.
A Globo estreia novela das nove amanhã. Como de praxe, terá duas fases.

Na primeira, nos anos 60, o mocinho é um rapaz de belos olhos e voz de taquara rachada, que luta por um amor impossível com a democracia, a liberdade, os direitos humanos, os fracos e oprimidos. Mas o destino cruel não permite que esse amor seja consumado.

Quarenta anos depois, a trama o encontra nos braços de uma cleptocracia decrépita, manipuladora, que, de muito gorda, já não anda, e que ele confunde com seu amor de juventude.

A novela leva o título poético e melancólico de “O Velho Chico”.

3.
Cansado do Petrolão? Não se desespere. Delação do Delcídio traz de volta aos holofotes (finalmente!) a ex-ministra Erenice Guerra, fiel escudeira da Presidenta. E, com ela, o Belomontão.

Tudo bem que foram só 45 milhões desviados – uma gota d’água se comparados ao oceano drenado da Petrobras. Mas essa gota irrigou justamente a campanha de 2014.

Se Dilma escapar do espeto do impeachment, cai na brasa do TRE.

4.
“Não vou à manifestação porque se Dilma cair, quem assume é o Temer, que é trocar seis por meia dúzia”

Perfeito. Se cadeia não regenera ninguém e a pessoa presa vai sair igual entrou (ou pior…), pra que processo, julgamento, prisão? Melhor abolir o Poder Judiciário, e deixar os bandidos soltos, que dá na mesma.

5.
Se a DataFolha afirmar que não foi ninguém à manifestação de daqui a pouco em Copacabana, desconfie. Porque eu tenho certeza de que estarei lá. Fui!

Vulgo

 

1.
Além do setor dedicado a dar nomes matadores às operações que deflagra, a Polícia Federal deve ter também uma equipe só para decodificar os nicks (como é mesmo que se diz nicks em Português?) usados por políticos e empreiteiras.

Em casa, no trabalho, eu me refiro às pessoas pelo nome delas, no máximo por um diminutivo. Mas nas quadrilhas – o PT, por exemplo – todo mundo tem codinome (pronto, lembrei como se diz nick em Português).

Não é nome de guerra, nom de plume, apelido. É codinome, aquilo que, nos jornais de antigamente se chamava “vulgo” (“O facínora Francisco da Costa Rocha, vulgo Chico Picadinho…”).

O codinome serve pra tentar esconder a identidade de alguém. E se você precisa esconder, é porque boa coisa não é.

“My Way, o Lindinho falou com o Bob que esteve com Brahma e Batman, para tratar do 3X da Madame. 120 acarajés, no minimo. Feira ficou de trazer o pixuleco do Vaca. Seminarista e Omeprazol estão apreensivos. MO pode ir em cana a qualquer momento, e se abrir o bico JD dança. Me traz um cheesburguer e duas batatas fritas, que hoje tem reunião com o Chefe pra tratar das obra do IL”.

A Polícia Federal ainda só não descobriu quem são Cheesburguer e Batata Frita.

2.
Polícia Federal diz que Lula, vulgo “Brahma”, deve ser investigado “com parcimônia”. Com um apelido desses, eu acho que devia era partir pra cima sem moderação.

3.
João Santana, vulgo “Feira”, elegeu seis presidentes e se casou sete vezes. Ou seja, tem seis ex-mulheres. Escolha errada é com ele mesmo.

4.
Evo Morales (a exemplo de Cristina Kirchner e Nicolás Maduro), também foi derrotado nas urnas e perdeu a boquinha de se perpetuar no poder. Segundo ele, a culpa não foi do seu autoritarismo, nem dos escândalos de corrupção, mas das redes sociais.

Taí uma boa desculpa pra “Gerentona” usar no discurso de despedida, no dia da cassação do seu mandato.

5.
A esperança do Planalto para abafar a repercussão da prisão do Feira, vulgo “João Santana”, é que as investigações da Lava Jato despejem na praça pelo menos uma dúzia de novos escândalos esta semana, entulhando as manchetes dos jornais e dispersando as atenções.

Nem que para isso seja necessário botar focinheira no Ministro da Justiça, de modo que ele deixe a PF e o Moro trabalhar em paz por uns dias. Assim que o furacão passar, eles soltam o Cardosão de novo.

6.
A Companheira Wanda, vulgo “Dilma Rousseff”, não participará da propaganda do PT, que vai ao ar hoje. Não gravou nenhum pronunciamento porque está “com a agenda cheia”.

Eu também não vou ver. Estou com o saco cheio.

Finalmente, as provas da inocência de Lula

 

O Instituto Lula começa, enfim, a tornar públicas as provas de que o ex-Presidente é totalmente inocente das acusações de ocultação de patrimônio nos casos do sítio e do triplex.

A primeira foi dada pela ex-amante de FHC, que, trinta anos depois, revelou que o homem pelo qual foi apaixonada era um canalha, que ajudou a custear suas despesas no exterior e ainda por cima sustentou e deu um apartamento ao filho que, segundo exames de DNA, não era dele.

Novas provas irrefutáveis da inocência de Lula virão à luz esta semana:

1. Cristóvão Buarque chutou a questão 9 da prova de OSPB do segundo bimestre de 1974, e teria colado a questão 11 da colega à sua frente. M.A.P, hoje aposentada, revelou que o futuro senador a cutucou com o lápis e quando ela se virou, percebeu que ele espiou por cima do seu ombro.

2. Marina Silva botou enchimento no sutiã quando saiu pela primeira vez com um namorado. Atualmente auxiliar de serviços gerais da prefeitura de Tarauaca, J.S. lembra que desconfiou da consistência do seio esquerdo e do volume do direito da futura ambientalista, até porque nenhum dos dois existia de manhã, quando ele a conheceu no seringal e convidou para comer açaí com cupuaçu na pracinha de Xapuri. J.S. desistiu do relacionamento, mas ainda se revolta com a fraude, ocorrida em agosto de 1976.

3. K.C.M., microempresária em Londrina, enche os olhos d’água ao relembrar que teve que cortar o cabelo bem curto após o primo, o atual juiz Sérgio Moro, ter colado chiclete nele. Isso teria ocorrido em 1975, quando ambos tinham 3 anos e brincavam num parquinho no centro de Maringá. “Jamais me recuperei do trauma”, será a manchete da matéria na Folha.

4. Ex diarista da casa de Gilmar Mendes, M.H.S dirá que ele não levantava a tampa do vaso, apertava o tubo de pasta de dente no meio (e largava aberto), deixava a toalha molhada em cima da cama e certa vez chegou a usar a mesma meia dois dias seguidos. “Não dá pra confiar no caráter de um homem que faz esse tipo de coisa!”. M.H.S. trabalhou na casa do ministro entre julho e setembro de 1984, duas vezes por semana.

Aécio Neves está tranquilo e acha que nada de comprometedor será revelado sobre seu passado, até porque o Instituto Lula está focado só na oposição.

Sete linhas de defesa para Lula usar diante do malvado Sérgio Moro

 

1. Lula é sonâmbulo. Nas 111 vezes em que esteve no sítio, estava dormindo. Os sócios do filho, por orientação médica, não o acordaram. Ele não se lembra de nada.

2. Os sócios do filho do Lula são um casal homoafetivo que ainda não saiu do armário. Lula e d. Marisa vão lá para parecer que são os donos, assim os vizinhos não ficam pondo maldade no fato de dois homens terem um sítio com lago em forma de coração e pedalinho de cisne.

3. Lula vai ao sítio apenas para acompanhar d. Marisa, que se apegou muito aos patos do local. Ela deseja adquiri-los e é ele quem vai pagar o pato.

4. O GPS dele é um modelo ching ling, e por isso ele sempre se perde a caminho da sede do sindicato, indo parar em Atibaia. Para não ter que voltar de noite, acaba pernoitando. Vai, inclusive, processar a loja da 25 de Março que lhe vendeu o GPS.

5. Lula vai lá por causa de d. Marisa, que leu nalgum lugar que, se houver impeachment e o Cunha assumir, será decretado Estado de Sítio. Ela quer estar preparada para essa eventualidade, por isso tem estado no sítio.

6. O sítio é deles, sim, e não está em nome de terceiros. É que, na intimidade, eles se chamam de “Fernando” (uma referência brincalhona ao Fernandinho Beira-Mar) e “Jonas” (por ela estar uma baleia).

7. Aquilo não é sítio. É chácara.

(ilustração meramente imaginativa)