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Primeira e única

 

Se há alguém cuja morte não foi em vão, esse alguém é dona Marisa.

Viva, sacrificou-se pelo marido e pelos filhos.
Morta, emprestou o cadáver para enfeitar um palanque e se transubstanciou em visionária política e investidora imobiliária.

Se do pequi se aproveita tudo, e do boi nada se perde, dona Marisa foi boi e foi pequi.
Dela nada de desperdiçou, dos chifres aos espinhos.

Boi, ralou nos tempos das vacas magras das greves do ABC, e pequi, viveu o suficiente para colher os frutos do seu trabalho.

Tirou cravos das costas do marido e lhe cortou as unhas dos pés. Aguentou seus porres, seus destemperos, suas escapadas, seu machismo.
Depois, ao seu lado dormiu no Palácio de Buckingham, bebeu champanhe, voou de jatinho e mandou erguer um galinheiro no Palácio da Alvorada.

Seu único pronunciamento digno de nota, enquanto viva, foi aquele em que sugeriu que os brasileiros descontentes com a corrupção introduzissem panelas em si mesmos por via anal.
Morta, passou a dar ordens às duas maiores empreiteiras do país, a planejar a perpetuação do legado do marido, a fazer investimentos imobiliários sem sequer consultar o cônjuge.

Em vida, dona Marisa não teve para o país qualquer utilidade.
Morta, descobriu-se que dona Marisa é que era primeira-dama de verdade.

Marisa Letícia é a nossa Inês de Castro, aquela que depois de morta foi rainha.

Cherchez la femme

 

Hoje ficamos sabendo que o Instituto Lula (fechado pela Justiça Federal por haver “indícios veementes de que crimes podem ter sido iniciados ou instigados na entidade) foi ideia da finada Marisa Letícia.

D. Marisa nunca me enganou.

Aquele jeitão de patroa, dona de casa, mãe de família, uma D. Nenê com mais botox, voltada para o marido e os filhos e preocupada, no máximo, com a macarronada de domingo, era cortina de fumaça.

O louro natural era camuflagem para uma estrategista empenhada em compartilhar experiências de políticas públicas de combate à fome e à pobreza com os países da África, promover a integração da América Latina e ajudar a fazer o resgate da história da luta pela democracia no Brasil.

Nisso, fez jus à tradição das mulheres da família Lula da Silva.

Foi de Dona Lindu, mãe do ex presidente, a ideia de comprar Pasadena e criar a refinaria de Abreu e Lima, aquela que deu um lucro negativo de vários bilhões à Petrobras.

No pau de arara em que vinha do sertão de Pernambuco com o filho no colo, Dona Lindu contemplou o semiárido e pontificou: “Êta lugarzim bão para um polo petroquímico em parceria com algum governo identificado com o socialismo do século 21!”

Dona Lindu podia ser analfabeta e desdentada, mas tinha tino. E o filho jamais esqueceu suas palavras.

Ele tampouco deixou cair no esquecimento o que lhe disse, ainda na lua de mel, sua primeira mulher, Maria de Lourdes. Quando Lula lhe perguntou “foi bom?”, ela respondeu que ele devia fazer uma parceria institucional com a Odebrecht, a OAS, a Camargo Correa e a UTC, usar do seu prestígio para alavancar negócios em Angola, investir em sondas de perfuração de pré-sal e dar palestras.

Infelizmente, nenhuma está viva para confirmar.

Pena mesmo.

Fatos alternativos

 

1.
O grupo Folha/UOL continua sua campanha sem tréguas contra o fim das pichações em São Paulo.

A “notícia” de hoje é que “marido de secretária critica a medida”.

Amanhã ficaremos sabendo o que pensa o filho da cunhada da manicure da diarista de uma assessora do prefeito coxinha.

2.
O grupo Folha/UOL continua inconsolável pelo fato de o mundo não ter caído de joelhos diante de “Aquarius”, o filme-fetiche dos petistas.

As lamentações de hoje são por Sonia Braga não ter sido indicada ao Oscar de melhor atriz. Isso evitará que a Folha se desidratasse de chorar quando Sonia, se indicada, não levasse a estatueta da indústria opressora de cinema capitalista ianque.

A Folha queria também que Kleber Mendonça Filho fosse indicado ao prêmio de melhor diretor.

Quem sabe no Festival de Cinema de Caracas?

3.
Assim que li que a ex-primeira dama Marisa Letícia tinha sofrido um AVC, pensei “vai sobrar pra Lava Jato”.

Não deu outra.

A esta altura, Letícia Sabatella já deve ter embarcado para Paris para denunciar o feminicídio praticado por Sérgio Moro.

Claro que d. Marisa ainda está viva (porque foi para o Sírio e Libanês, não para o SUS) e talvez se recupere bem.

Mas isso é o de menos.

Para o PT, como para o Trump, o que conta são os “fatos alternativos”.

4.
Depois do Brexit, com o Reino Unido deixando a União Européia, vem aí o USexit, com os Estados Unidos deixando o planeta.

Vai ser divertido ver o Tio Sam voltando, daqui a quatro anos, com o rabinho entre as pernas.

Se é que ainda vai haver planeta daqui a quatro anos.

5.
Entidades ligadas ao movimento negro pressionam para que Temer nomeie um negro para a vaga do Zavascki no STF.

Entidades feministas pressionam para que seja uma mulher.

PMDB pressiona para que seja alguém alinhado com os interesses do partido.

Se alguém souber de alguma mulher negra, de notório saber jurídico, contra o aborto, pela reforma trabalhista, contra a prisão de condenados em segunda instância e perita em fazer corpo mole com a Lava Jato, favor encaminhar currículo com foto para michelpresidento@palaciodoplanalto.gov.br.

6.
Na charge de hoje d’O Globo, o cartunista petista mostra Janot tentando empurrar a Lava Jato pra frente, e a ministra Cármen Lúcia mandando parar.

Bem ao lado, a notícia real: Janot e Cármen Lúcia concordam sobre continuidade das investigações. E, na mesma página, a informação de que Cármen Lúcia e Celso de Melo foram os mais duros com os investigados.

Petistas e suas narrativas.
Petistas e fatos alternativos.

Tirania feminista

 

A Folha (sempre ela!) publicou outro dia um texto maldoso, raivoso, ressentido e preconceituoso contra a Marcela Temer.

A primeira dama cometeu, como se sabe, o crime inafiançável de ser bela, recatada e do lar.

Será que foi para isso que as mulheres lutaram tanto? Para deixar de ser obrigadas a se dedicar apenas à família e ser agora obrigadas a fazer qualquer coisa, menos se dedicar à família?

Que libertação é essa que troca uma servidão por outra? Que tira de cena o macho opressor e instala na função a feminista opressora?

Qualquer mulher deve ser livre para fazer o que quiser.
Ser do lar, do bar, surfar ondas gigantes, pilotar avião, fazer crochê.
Abortar, ter quantos filhos quiser, dar de mamar em público, só se despir no escuro, dizer palavrão, fazer novena.
Ser recatada, puta, liberada, moderada, ir pra cama no primeiro encontro ou só depois do casamento.
Por que não?

Marcela é execrada porque o seu filho, como milhões de outros (inclusive eu) leva o nome do pai. Porque, no seu pacto conjugal, não trabalha fora, de carteira assinada (para as feministas, o trabalho doméstico não conta, não pesa, não honra, não vale).

A inútil e “decorativa” Marcela é comparada a outras mulheres.
De um lado. Dilma Rousseff, a mulher que “inflou fantasia maior que a dos contos de fada”, essa, sim, mulher de verdade.
Do outro, as “princesas”, meninas vestidas de cor de rosa, que sonham com castelos e príncipe encantado. A loira Marcela (sim, ela é culpada disso também) fica ali, no limbo, entre a princesa indefesa e o dragão.

Por que a jornalista não comparou Marcela a outra primeira-dama, Dona Marisa Letícia? Essa era uma profissional de que área mesmo? Trabalhava onde? Lutou que batalhas, pegou em que armas em defesa da igualdade de gêneros? Que nome tem o filho de Dona Marisa, o Lulinha? Será que ela, feminista, guerreira, empoderada e independente, também não pôde nem escolher o nome do filho?

O problema, para a Folha de São Paulo e sua articulista, não são as escolhas de Dona Marisa Letícia.
São as escolhas de Marcela.

O Brasil teve Ruth Cardoso, antropóloga, e Rosane Collor, recepcionista.
Teve Marly Sarney, mãe de família, nos anos 80, e Nair de Tefé, caricaturista e vanguardeira, nos anos 10 do século passado.

Nenhuma foi eleita. Chegaram à vida pública na garupa do marido, por conta desse resquício de monarquia que é o posto de “primeira-dama”.

Ângela Alonso, autora do texto, sugere que a próxima presidenta extinga esse cargo.
Nem precisa, porque o cargo não existe, não está na folha de pagamento, não consta de nenhum organograma.
É uma tradição. É só um nome. E há de desaparecer naturalmente.

A única coisa aproveitável do discurso da petista é quando diz que precisamos de “mulheres de nervo e cérebro”.
Faltou dizer que deve ser um cérebro que funcione, não um como o seu, de uma inépcia de dar nos nervos.

Lava Jato, o filme

 

1.
Coitadas da Globo e da Veja.

Se veiculam alguma notícia contra o Lula e sua quadrilha, são golpistas, estão a soldo do imperialismo, querem destruir as conquistas da esquerda.

Se fazem o mesmo em relação ao bispo Crivella, estão em campanha para o PT-cover, vulgo PSOL, e querem eleger Freixo para se vingar da TV Record e minar o poder da Igreja Universal.

Tudo bem que é preciso saber ler nas entrelinhas (ou nas estrelinhas), mas acho que estamos todos virando conspiracionistas.

Um livro racista e homofóbico escrito por um sujeito racista e homofóbico normalmente é só isso: um livro racista e homofóbico escrito por um sujeito racista e homofóbico, que faz parte de um plano maquiavélico dos fundamentalistas para chegar ao poder.

Não é nenhuma campanha das organizações Globo ou da Editora Abril para emplacar um radical bolivariano na prefeitura do Rio a fim de acabar de vez com a esquerda brasileira (e, de quebra, quebrar o Rio), fazendo com que a elite branca paulista retorne ao Planalto em 2018.

Ou é, e eu é que andei lendo pouco Dan Brown ultimamente?

2.
Com o Cunha preso, a dúvida que não quer calar não é quem será o próximo (todo mundo sabe quem é), mas quem vai interpretar Sérgio Moro no filme do Padilha sobre a Lava Jato.

Ao contrário do que se espalhou por aí, Wagner Moura não foi convidado e, consequentemente, nem pôde ter o prazer de recusar o papel. Tampouco disse aquilo que certamente pensa sobre o nosso herói da República de Curitiba.

Diz-se que Rodrigo Lombardi também teria recusado o papel – mas por problema de agenda, não de legenda.

Interpretar Moro seria uma prova de fogo para boa parte dos atores brasileiros.

Porque Isis Valverde no papel de periguete, Eri Johnson no papel de malandro, Ingrid Guimarães no de maluca e Paulo Gustavo no de neurótica não é exatamente o que se possa chamar de “interpretação”.

Atuação, no duro, seria um José de Abreu fazendo discurso sobre ética, decência e dignidade, sem piscar, sem desviar o olhar ou cruzar os dedos.
Ou Paulo Betti defendendo honestidade e competência sem gaguejar.
Ou Marieta Severo e Camila Pitanga falando em distribuição de renda, justiça social e combate à miséria sem cair na gargalhada.
Ou Letícia Sabatella como pessoa equilibrada.

Quando ao resto do elenco, já está quase todo fechado.
Luís Mello (no ar em “Sol Nascente”) será o Japonês da Federal.
O Sr. Burns fará Eduardo Cunha.
Ao Fernando Caruso caberá o papel de Cláudia Cruz.
Gregório Duvivier (sim, ele aceita fazer papel de bandido) será Lula.
E Elza Soares fará Marisa Letícia.

Talvez seja spoiler, mas tudo indica que, neste caso, o culpado não é o mordomo, e no final (a menos que haja delação premiada) o crime não compensa.

Novela

 

1.
Primeiramente, #foraJucá, #foraRenan, #foraLobão, #foraMaranhão, #foraGleisi, #foraHumbertoCosta, #foraLindbergh e #foraCollor.

2.
Pena que o Temer tenha conseguido tirar o presidente petista da Empresa Brasil de Comunicação, conglomerado de mídia criado por Lula para ser porta-voz da ideologia cumpanhêra e cabide de emprego (metade dos funcionários não eram concursados, mas indicados pelo partido).

Era o momento certo de a EBC se contrapor à Globo e lançar sua primeira novela das oito.

Letícia Sabatella seria Marisa, mocinha virgem, doce, meiga e idealista, irmã de Letícia, papel de Camila Pitanga, mocinha corajosa, guerreira e batalhadora.

Marisa e Letícia seriam casadas, respectivamente, com Luís (interpretado por José de Abreu) e Inácio (Wagner Moura), operários de uma fábrica de brinquedos para crianças carentes e que cultivavam uma pequena horta orgânica num terreno abandonado, graças à qual forneciam alimentos saudáveis a idosos transexuais vítimas do imperialismo ianque e do capitalismo selvagem.

Bem ao lado, num castelo em formato de loja da Daslu, viveriam Sérgia, megera malvada de mecha branca no cabelo, interpretada por Regina Duarte, e seu cruel capataz (Marcelo Madureira), conhecido como “O Mouro”. Sérgia e o Mouro estariam interessados em tomar o terreno abandonado para ali construir um hangar, um heliponto, um shopping e um despejo de lixo químico com potencial de contaminar todo o aquífero Guarani.

Em defesa de Luís, Inácio, Marisa e Letícia, se insurge Gleice, uma maconheira do bem, vivida por Sonia Braga. Ela mora numa maloca, nos fundos do terreno, onde cultiva “ervas medicinais” e mantém vivas as tradições xamânicas de seus ancestrais quilombolas. Gleice lutará com todas as suas forças para que seu casebre não seja derrubado, contando apenas com sua superioridade moral e a ajuda do portador de necessidades especiais Lindinho (Gregório Duvivier, em seu primeiro papel dramático). Marieta Severo teria uma participação especial como a coruja Kátia Vanessa, ave de bom agouro que dá sábios conselhos aos nossos heróis.

Para não acusarem a trama de maniqueísta, haveria um personagem bipolar, o José Eduardo Paes Cunha – ora um ardoroso defensor da natureza, ora um desmatador insensível e sanguinário.

Universitários de Humanas fariam figuração, e a trilha sonora teria canções venezuelanas nas vozes de Caetano Veloso e Tico Santa Cruz.

Nos intervalos, anúncios da Friboi, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC e Andrade Gutierrez – porque hay que combater el capitalismo pero sin perder el patrocínio jamás.

3.
E a Globo, hein?
Não contente em derrubar a Dilma, derrubou agora também o Cunha.
Será que não dá pra abrir uma filial no Estados Unidos e derrubar o Trump?

4.
Na porrada de spams de hoje, uma novidade.

“A maca Peruana é um suplemento das montanhas do Peru, produzida na altitude do Peru. A mesma atua na restauração das funções sexuais.”

Melhor que isso, só frutos do mar de Camarões, shorts de Bermudas e pomada para hemorroidas do Butão.

5.
A gente sempre soube que o Cunha era 10.
450 a 10.

Primeira dama

 

Já que não tem como tirar o Brasil do buraco em que ela o meteu, Dilma quer, pelo menos, salvar a própria biografia.

Quer entrar para a História nem que seja só como a primeira mulher a governar o Brasil (não foi: a Princesa Leopoldina e sua neta, a Princesa Isabel, governaram o Brasil antes dela, durante ausências de Pedro I e Pedro II, respectivamente).

Ok, ela pode ter sido a primeira mulher eleita Presidente da República no Brasil, a primeira suprema mandatária das Américas com as iniciais D.R,, a primeira Chefe de Estado do hemisfério sul filha de um búlgaro com uma mineira, e mesmo a primeira chefe de governo desta galáxia a saudar a mandioca. Mas disso não passa. E isso não desemporcalha a biografia de ninguém.

Dilma tem, entretanto, um grande mérito – ainda não reconhecido – que é ter provado, mais uma vez, que primeira dama é uma coisa inútil.

Ficamos 5 anos desprimeiradamados e ninguém sentiu falta. Deu certo o que tinha que dar certo (quase nada), deu errado o que tinha que dar errado (quase tudo), e economizamos (alguma coisa tínhamos que economizar neste governo perdulário) a figura decorativa da primeira dama.

Ela volta agora, com força total (falo da primeira dama, não da Dilma) na figura da Marcela, a Bela (que também é recatada e do lar). Veremos que tipo de primeira dama será.

Já tivemos primeiras damas invisíveis (Scila Médici, Lucy Geisel) e da pá virada (Yolanda Costa e Silva, Dulce Figueiredo).

Tivemos as jecas (Marisa Letícia, Rosane Collor) e as musas (Maria Teresa Goulart, Nair de Teffé). As anódinas (Marly Sarney, Eloá Quadros) e aquelas que confirmam o ditado de que por trás de um grande homem tem sempre uma mulher maior ainda (Risoleta Neves, Ruth Cardoso). As atuantes (Darci Vargas, Carmela Dutra, Sarah Kubitschek) e, bem, as outras a História engoliu.

Primeira dama de verdade, daquelas de eclipsar o marido, só mesmo a Nair de Teffé, no início do século passado. Pintora, cantora, atriz, pianista e, como se não bastasse, a primeira caricaturista mulher de que se tem notícia neste planeta.

Filha de barão, neta de conde, era 30 anos mais nova que o marido, o marechal Hermes da Fonseca. Levou a amiga Chiquinha Gonzaga pra tocar o Corta Jaca – um maxixe lascivo, coisa da ralé, “a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens” – no Palácio do Catete, nem aí para o escândalo que iria causar (e causou).

Terminado mandato do marido, mudou-se para a Europa (onde tinha sido criada), mas voltou ao Brasil a tempo de participar da Semana de Arte Moderna de 22. Não satisfeita, ainda abriu um cinema em Copacabana, o finado Cine Rian (“Nair”, ao contrário).

Morreu aos 95 anos, no dia do seu aniversário.

Castelo Branco e Itamar Franco também não tiveram primeiras damas (o primeiro, viúvo; o segundo, divorciado). Itamar Franco até teve a desinibida Lilian Ramos (lembra dela?), mas essa não conta.

Dilma entrará para a História pela porta dos fundos: pior governo que o Brasil já teve (e olha que já tivemos Collor e Sarney!), autora das frases mais malucas e sem noção, o poste que achou que tinha luz própria e levou o país ao blecaute. Mas, diga-se a seu favor, pode nos fazer refletir sobre essa coisa obsoleta, machista e pouco republicana que é a instituição da primeira dama.

A Marcela certamente não será nenhuma Nair de Teffé (não dá pra imaginá-la, toda tatuada, organizando baile funk no Alvorada). Mas só de não ser uma Marisa Letícia, já é lucro.

Nada de novo no front 2

 

1.
Custava o Brasil, tão alinhado à vanguarda do “socialismo do século 21”, engatar uma ré e pegar o bonde do bom e velho comunismo do século 20? A China seria um ótimo exemplo a seguir: anunciou ontem que vai demitir 6 milhões de comunistas que ocupam cargos públicos.

Se Dilma fizesse o mesmo aqui (nem precisava ser 6 milhões: uns 5 milhões e meio já estava de bom tamanho), aliviaria a folha de pagamento, não comprometeria em nada o desempenho da máquina pública (muito ao contrário!) e salvaria o emprego de dezenas de milhões de brasileiros.

2.
O PT é contra flexibilizar as leis trabalhistas para garantir empregos e evitar a quebra de mais empresas, e, consequentemente, novas demissões.

É perfeitamente coerente: o partido é, já no nome, só dos trabalhadores. Tem que defender os trabalhadores. Sejam eles muitos, poucos ou quase nenhuns. Os desempregados que se danem.

3.
Para acalmar Lula, Dilma trocou o Cardozão por um pau mandado do Jaques Wagner. Não sairia mais barato fundir a Casa Civil com o Ministério da Justiça, e deixar o próprio Jaques botar focinheira no Ministério Público e cortar as asinhas da Polícia Federal, sem intermediários?

Economizava um salário de ministro, a conta de luz de um ministério, a impressão de novos cartõezinhos e dispensava o boneco de ventríloquo. Além de liberar o único neurônio ainda parcialmente ativo da Presidenta da ingrata tarefa de decorar o nome de mais um ministro.

4.
Previsão do tempo para março de 2018:

– Para acalmar Lula, Dilma nomeia Ruy Falcão para comandar a Polícia Federal.

– O Instituto Lula informa que D. Marisa Letícia não é mulher de Lula. Ela é mulher de um amigo dele, que a disponibilizou para o ex presidente em função das relações de amizade.

– Taxa de desemprego bate novo recorde de 98%. PIB já é menor que o do Haiti. Impopularidade de Dilma chega a 178%. Oposição diz que prepara discurso duro e que se o governo não der sinais de que está aberto ao diálogo construtivo, ai ai ai.

– Eduardo Cunha adia pela milésima ducentésima nonagésima quarta vez a votação de sua cassação no Conselho de Ética.

– Marcelo Odebrecht aceita fazer delação premiada, mas a Polícia Federal não tem mais papel, caneta, dinheiro pra gasolina, cortaram a luz – e fica por isso mesmo.