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Distribuição de riqueza

 

Já viu confissão de psicopata?
Se viu, deve ter ficado chocado com a tranquilidade com que o psicopata narra como abusou, mutilou, torturou, matou.

É tudo dito num tom monocórdio, sem emoção alguma, como quem canta tabuada (menos a tabuada do 7, porque essa sempre traz alguma hesitação).

Não há como não lembrar do psicopata ao ver / ouvir as delações da Odebrecht.

1 milhão para o Paulinho da Força.
50 milhões para o Aécio.
4,6 milhões para o Serra.
2 milhões para o Alckmin.

Não há sinal de arrependimento.
Não há crise de consciência.

120 milhões para Cabral e Pezão.
2 milhões para Lindbergh.
5,4 milhões para Picciani.
16 milhões para Eduardo Paes.

Não importa se o dinheiro está sendo desviado da Educação.
Da Saúde.
Da Infraestrutura.
Dos impostos.

40 milhões para o PMDB
100 milhões para Dilma.
1,5 milhão para Eliseu Padilha.
40 milhões para Lula.

Mais o estádio para o time do presidente.
Mais a mesada do irmão do presidente.
Mais a reforma do sítio para a mulher do presidente.
Mais o investimento nos negócios do sobrinho do presidente.
Mais a alavancagem do empreendimento do filho do presidente.
Mais o aporte financeiro na revista que apoia do presidente.
Mais a ajuda pecuniária para o presidente do instituto do presidente.

Mais as palestras do presidente que já não era mais presidente, e que se vendia por uns trocados quando ainda nem sonhava ser presidente e o que tinha para roubar era o direito de greve dos cumpanhêro.

50 milhões a Chinaglia, Mabel, Cunha e Jucá só por uma usina.
4 milhões a Jucá a 500 mil a Delcídio por uma resolução.
36 milhões para Aloysio Nunes e José Serra por obras viárias.

Tudo isso dito sem piscar.
Sem enrubescer.
Como quem conta um caso no bar.
Como quem canta a tabuada do 2.

Como o psicopata que narra, frio e indiferente, todos os detalhes dos seus crimes.
Menos um.
Um que não tem importância, um que nunca foi levado em conta: a dor da vítima.

Código de honra

 

Muito instrutivos os vídeos da delação do Marcelo Odebrecht.

Descubro, estarrecido, que:

1. Dilma sabia de tudo.

2. Dilma tratava desse “tudo” em reuniões que duravam horas, na biblioteca do Palácio da Alvorada.

3. Graça Foster sabia de tudo.

4. Graça Foster ficou puta quando soube que havia desvio de verbas da Petrobras para o PMDB.

5. Graça Foster só se acalmou quando soube que havia desvio de verbas da Petrobras também para o PT.

6. Lula sabia de tudo.

7. “Italiano” não era só o codinome do Palocci nas planilhas. “Italiano” era uma conta, gerenciada pelo Palocci, através da qual a propina era distribuída a outros petistas. Em Português, é o que se chama de “hub”.

8. Foi do hub “Italiano” que Paulo Bernardo sacou dinheiro para eleger sua senhora, Gleisi Hoffman.

9. O núcleo duro do governo Temer só não pode ser considerado uma máfia porque a máfica tem um código de honra.

10. Marcelo Odebrecht não sabe a diferença entre “aquém” e “além”.

11. Marcelo Odebrecht pronuncia “interím” (oxítona) em vez de “ínterim” (proparoxítona). E “prepôstos” em vez de “prepóstos”.

12. Nas eleições, devíamos pular os intermediários e votar não pra Presidente da República, mas pra Presidente da Odebrecht.

Mulher sapiens

 

Dilma, a mulher honesta, recebeu 50 milhões em propina da Braskem.

Ou seja, ela não era aquela anta que todos imaginávamos, única ovelha de coração valente numa alcateia de espertos sem coração.

O que supúnhamos ser uma criatura troncha, pedestre, intelectualmente indigente e incapaz de articular um raciocínio com pé e cabeça, era, na verdade, uma pessoa sagaz e refinada.

Aquelas estultícies dela eram mensagens em código.
A gente não entendia porque a gente não sabemos entender presidenta.
A Braskem entendia direitinho.

“Atrás de uma criança tem uma figura oculta, que é um cachorro” significava que, para liberação de uma determinada obra, havia um valor a ser entregue ao Vaccari..

“A galáxia é o Rio de Janeiro” era a senha para avisar que o Sérgio Cabral estava na jogada, junto com o Dudu Paes.

“Me considero hoje uma roraimada” indicava que o Romero Jucá (PMDB de Roraima) era o contato que ia pegar a grana, e repassar ao Temer, então comparsa de fé, irmão e vice camarada.

“Legado antes, durante e depois” – só não viu quem não quis – era a sinalização de que as propinas, que vinham dos tempos do Lula, deveriam continuar mesmo depois do impítimã, ou ela pegava o Marcelo Odebrecht lá fora.

“Vamos dobrar a meta” – mais claro, impossível! – estabelecia que os 5% agora eram 10%, e era pegar ou largar, que a OAS também tava interessada e a fila anda.

“Eu tô saudando a mandioca” queria dizer “Recebi a bolada combinada. Câmbio, desligo.”

“Nos transformamos em mulheres sapiens” ainda precisa ser decifrada.

Mau cheiro

 

1.
Hoje é aniversário de Luís Inácio da Silva.

Escorpião (23/10 a 21/11). Elemento: Água. Modalidade: Fixo. Signo complementar: Touro. Regente: Plutão. Nada pode se comparar às pequenas manifestações de gentileza. Afinal, são elas que conseguem suavizar os momentos difíceis e criar amor. É tempo de compartilhar mais afeto com o parceiro.

Por essas e outras é que eu, taurino desde que nasci, não acredito em horóscopo.

2.
Não vejo a hora de sair a delação do Marcelo Odebrecht & cia.
Consta que vá jogar na fogueira 130 parlamentares e 20 govenadores (atuais e ex).

Torço para que haja gente de todos os partidos, incluindo Arena, UDN, PFL, Partido Republicano, Partido Farroupilha e até do Partido Português, extinto em 1831.

Com isso a petezada para de choramingar que o Moro só bate neles, que a Lava Jato é uma perseguição seletiva a eles, e que tudo é um complô da Globo, da Veja, da Fiesp, da Coca Cola e dos Iluminati contra eles por causa dos pobres comendo barrinha de cereal com o cinto afivelado e as poltronas na posição vertical etc.

3.
Paula Lavigne fez um jantar para angariar fundos para a campanha do Freixo.

Fernanda Lima e Mateus Solano doaram R$ 10 mil cada.

Menos generosos foram o maridão Caetano, Fábio Assunção, Fernanda Torres, Renata Sorrah, Cleo Pires, Patrícia Pillar e as indefectíveis Camila Pitanga e Letícia Sabatella.

Resta saber se a grana (R$ 100 mil) vai ter o mesmo destino da que foi arrecadada para a família do Amarildo.

4.
Marcelo Odebrecht trabalha varrendo o chão da sede da Polícia Federal em Curitiba.

É bom providenciarem um controle das vassouras e botarem chip nos baldes, para a eventualidade de um certo aniversariante do dia assumir a função em breve.

5.
A Infraero, depois de gastar milhões na reforma do Terminal 1 do Galeão, resolveu desativá-lo.

Quem sabe um dia, quando a classe D voltar a andar de avião…

6.
Crivella, praticamente eleito, foge do debate e de responder às incisivas (e pertinentes) perguntas d’O Globo.

Já deve estar é se preparando para governar com 2/3 da população contra ele: o terço que votará no Freixo e o terço que votará branco, nulo ou irá à praia no domingo.

7.
Freixo, que diz ser contra misturar religião e política, recebeu o apoio de padres católicos ligados à Teologia da Libertação.

A Arquidiocese, por outro lado, desautorizou a manifestação, e diz que não se pode compactuar com quem defende o aborto, a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Ou seja, ela é contra justamente o pouco que o Freixo tem de bom.

8.
A semana que vem será infinitamente melhor do que esta.

Não teremos mais que escolher entre Freixo e Crivella.

Aí é tapar o nariz e orar para que esses quatro anos passem depressa.

Eleições & Elections

 

1.
Não entendo todo esse auê em torno do “acordo de paz” entre o governo da Colômbia e as FARC.

Que paz, se não havia guerra?

Afinal, os livros de História editados pelo PT deixavam bem claro que os guerrilheiros colombianos “sonham com uma nova sociedade, mas os Estados Unidos os acusam de terrorismo”.

Se o PT ainda estivesse vivo, esse acordo fajuto não rolava.
Não mesmo.

2.
Não confio nessa Lava Jato nem nessa Polícia Federal.
Ô povinho midiático, espetaculoso e ingênuo.

Que prova eles têm que o tal “italiano” que aparece nas planilhas da Odebrecht seja mesmo o Palocci?

Quem garante que não é o Ricardo Berzoini? o Luiz Dulci? o Paulo Vannuchi? o Wagner Rossi? o Miguel Rossetto? o Guido Mantega? São todos igualmente italianos – e corruptos.

E se o Marcelo Odebrecht quis criptografar as coisas e chamou de “Italiano” o libanês Fernando Haddad, o francês Silas Rondeau, o alemão José Fritsch, o também alemão Mangabeira Unger, o japa Luiz Gushiken, a búlgara Dilma Rousseff?

Só porque o Marcelo Odebrecht não viu o Palocci numa cerimônia e escreveu que “o italiano não estava na diplomação da Dilma”?

Ora, senhores, o Berlusconi também não estava lá. Nem o Reinaldo Gianechini. Nem o Marcelo Crivella. Nem o Bruno Gagliasso. Nem o Carlos Marighella. E nem por isso foram presos.

Isso é perseguição política. Estamos voltando aos tempos da ditadura.

Só falta aparecer uma anotação dizendo que “o molusco de nove dedos” fez isso ou aquilo, e a PF amanhecer na porteira do sítio de Atibaia.

3.
Parece que o Moro levou a sério aquela ironia do Lula sobre a “República de Curitiba”.

Já levou pra lá três tesoureiros, dois ministros da Fazenda e dois da Casa Civil.

Não demora, fecha a escalação do ministério e, de quebra, leva até um presidente. Ou dois.

4.
Lula apoia Jandira (6% de intenção de votos).

Chico Buarque apoia Freixo (9% de intenção de votos).

Juntos, ainda é menos da metade da intenção de votos do bispo Crivella (35%), apoiado por Romário, Garotinho e Edir Macedo.

A música popular e o presidente popular já foram mais populares.

5.
O terceiro colocado na disputa pela prefeitura de Salvador é o Pastor Sargento Isidoro, ex-viciado, ex-adepto do candomblé e ex-gay.

“Eu estava gay, sim. Já queimei rodinha e rosquinha, queimei tudo, mas o que interessa é que Jesus mudou a minha vida.”

Pena que não seja candidato no Rio. Pelo menos teríamos uma alternativa contra o Crivella no segundo turno.

6.
Temer tinha que botar tornozeleira eletrônica na língua dos seus ministros ou decretar um “vaca amarela” geral no ministério.

Nem se Dilma tivesse infiltrado gente da sua confiança o resultado seria tão desastroso.

7.
Hillary foi de vermelho (cor dos republicanos) ao debate de ontem.
Trump foi de gravata azul (cor dos democratas).

Mais ou menos como se Aécio tivesse usado gravata de estrelinha e Dilma, um casaquinho com estampa de tucano.

Isso que é esforço para cativar os adversários.

62% acham que Hillary venceu o debate. 27% acham que foi Trump.

Mesmo fantasiada de Dilma Rousseff, eu ainda votaria nela.

(Nisso que dá não ter um único candidato decente aqui no Rio nestas eleições. A gente fica brincando de votar em Curitiba, em Salvador, nos Estados Unidos).

Sequela

 

1.
Começou a brincadeira de goiaba e mamão entre a Justiça Federal e o menino Toffoli, Ministro do STF.

Um prende, o outro solta.

2.
A Netflix avisa que vai relançar “Perdidos no Espaço” em 2018.

Tentaram fazer isso em 2004, mas os deuses da ficção científica trash intervieram a tempo e a serie foi pro espaço.

Também, era heresia pura.. A nave dos Robinson não era um disco voador. Dr. Smith era um garotão, com uma queda pela Jude. O Will não era sardento nem tinha uma voz irritante. O robô não aparecia. E mataram a Penny (mataram a Penny!).

Consegue imaginar “Perdidos no Espaço” sem o rabugento e desmunhecado Dr. Smith pontificando “Nada tema, com Smith não há problema” ou o robô agitando os bracinhos roliços aos gritos de “Perigo, perigo se aproxima!”? Nem eu.

Falta fazerem um rimeique de Daniel Boone (gay, em união estável com Bat Masterson, vivendo numa Bonanza clean com os filhos adotivos John Boy e Mary Helen), e seu fiel escudeiro Rin Tin Tin, um gato angorá.

3.
A vaquinha para pagar as viagens da presidenta afastada alcançou R$ 100 mil em seis horas.

Isso é um quinto da meta – que teria sido atingida em minutos se o Marcelo Odebrecht, o Alberto Youssef, o Ricardo Pessoa e outros militantes não estivessem impossibilitados temporariamente de acessar a internet e fazer suas doações.

As organizadoras do craudifunde deveriam ter deixado a vaquinha para pagar as quentinhas e o cachê do carregador de guarda-chuva. Podiam muito bem ter lançado mão da Lei Rouanet.

Afinal, viagem também é cultura.

4.
Cunha propõe renunciar, desde que possa indicar o seu substituto.

Tipo assim um presidente da república não concorrer a um terceiro mandato, mas indicar um poste para tomar conta do lugar até ele voltar.

O remendo costuma sair pior que a sineta.

5.
Nova operação da PF prende Fernando Cavendish, dono da Delta.

A melhor parte da história é que o amigo de fé, irmão camarada Sérgio Cabral não tem foro privilegiado.

6.
O item 2, lá em cima, tem uma incorreção que ninguém notou porque ninguém presta mesmo muita atenção ao que lê no feicebuque.

Uma coisa é um rimeique, outra é um ribute. Ou, para quem fez CCAA, remake e reboot.

Rimeique é recontar uma história, mantendo-se fiel ao original.
Ribute é pegar alguns elementos (personagens, trama) e criar uma nova história a partir daí.

E tem ainda a continuação, que é retomar a história e contar mais um pedaço dela. Também conhecida como sequência (sequel, para os frequentadores do NYCC, na Barra).

O novo “Perdidos no Espaço” seria um ribute, não um rimeique. Como o governo Dilma foi um ribute do governo Lula, e o governo Temer está sendo um ribute do governo Dilma.

Se Dilma retornar (toc toc toc), poderá tanto ser um rimeique quanto um ribute ou uma continuação. Mas tem tudo pra ser só uma sequela mesmo.