• contato@eduardoaffonso.com.br

Arquivo da tag Marcelo Freixo

Santíssima Trindade

 

Quem tem dificuldade pra entender aquela barafunda teológica de Deus ser uma espécie de “três em um” não imagina o que passa um carioca com as linhas 1, 2, 3 e 4 do metrô – que são uma só.

Dividiram essa linha única em quatro, como podiam ter dividido em quarenta – uma linha para cada estação.

A “quarta” linha chegou até a Barra.
Quer dizer, à beiradinha da Barra.
E agora dá pra ir rapidão ao Rio de Janeiro.

Quer dizer, mais ou menos rapidão.
É preciso fazer baldeação em Ipanema e em Botafogo.
Porque, pra disfarçar que é uma linha só, botaram esses solavancos.

E não funciona aos sábados, domingos e feriados.
Nem depois das 9 da noite.

Talvez tudo isso tenha razão de ser.
Devem ter feito estudos comprovando que emergente não sai à noite. Nem em finais de semana.
Que é sedentário e precisa se exercitar subindo e descendo escadas, caminhando longos trechos dentro das estações para trocar de trem.

Foram até bonzinhos, se pensarmos bem.
Podiam ter feito o metrô com baldeação em todas as estações.
Só funcionando na segunda terça-feira do mês, nos horários de pico.
Em mês que não tem R, e apenas em ano bissexto.

Pelo menos é integrado ao berritê.
Mas tem que pagar duas passagens.

Com o estado do Rio quebrado, o governo federal sem dinheiro nem pra comprar deputado, o Crivella avisando que as obras acabaram (inclusive as inacabadas) e sem perspectiva de outra Olimpíada nos próximos 4 anos, o jeito é voltar cedo pra casa, fazer aeróbica nas estações Botafogo e Ipanema e torcer pra fazer logo 65 anos e ter alguma chance de viajar sentado.

~

Freixo acha que ligar para o vencedor das eleições e desejar-lhe um bom governo é “um protocolo hipócrita”.

Nunca deve ter visto uma partida de tênis, de vôlei ou uma luta de judô.

Ou, se viu, foi a daquele judoca egípcio que se recusou a cumprimentar o adversário israelense.

~

O site do PT, ontem, não tinha nenhuma notícia sobre as eleições.

O assunto do dia era a ocupação de escolas e universidades públicas.

Isso é que é valorizar a democracia, e as decisões populares.

Desvoto

 

PEQUENAS REFLEXÕES MATINAIS ANTES DE IR ANULAR O VOTO

1.
O TSE informa que não é permitido caçar pokémon na cabine eleitoral.

É sério.

Não é permitido fazer selfie, usar filmadora nem caçar pokémon.

Para votar, não tem que ter mais de 16 anos?
Alguém acima dessa idade caça pokémon?

Bom, se tem adulto infantil o suficiente pra votar no Freixo, tudo é possível.

2.
O grande vencedor dessas eleições foi o PSDB, que deve governar entre 40 e 50 milhões de brasileiros a partir de agora (dependendo dos resultados do segundo turno).

O vice campeão, o PMDB.

O maior derrotado, o PT, que tinha 14 prefeitos no grupo das grandes cidades, e agora só em 1. No Acre.

Como é que fica mesmo a narrativa do golpe?

3.
Conheci o Crivella pessoalmente.
Me deu um abraço, apertou minha mão.

E ele não só estava em campanha (para o governo do estado, na ocasião) como eu estava lá para ajudá-lo.

As escolas de samba do grupo de acesso (antigo “segundo grupo”) reivindicavam uma “Cidade do Samba” para elas, a exemplo da que existe para as escolas de elite (o “grupo especial”).

Me pediram, e eu fiz o projeto, num terreno que o Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, havia conseguido, e que pertencia à finada Rede Ferroviária.

Lula (que apoiava Crivella) se comprometeu a fazer a cessão, e lá fui eu a uma reunião do bispo com os bicheiros, mostrar o projeto (que, por sinal, nunca foi pago).

Só mesmo no alistamento militar, em que tive que ficar meia hora em pé e pelado num galpão, com outras centenas de infelizes recrutas, rezando (eu ainda não era ateu) para ser dispensado, é que senti tanto constrangimento e vergonha alheia de mim mesmo.

Vendi meu peixe, fiquei de mandar meus dados e uma cópia do projeto para o comitê de campanha (nunca o fiz) e vazei, com a sensação de estar vendendo também a alma ao diabo.

O Crivella perdeu (para o Sérgio Cabral) e meu projeto foi esquecido.
Melhor assim.

Vai que eu passo à posteridade como “o arquiteto do bispo”.

4.
O voto nulo tinha que ter outro nome.

Nulo é o que não existe, não tem utilidade, é inútil, vão.

Meu voto nulo serve para mostrar que não apoio nenhum dos candidatos.
Que nenhum dos dois me representa ou chega perto de corresponder ao que eu espero de um político.

E não é que eu esteja me abstendo (deixando de votar) ou votando em branco (tanto faz um quanto o outro).
Não.
Eu não voto é em nenhum deles.
Não quero nem um nem outro.
Quero que os dois percam.

Podiam chamar de “não-voto”.
Voto paradoxal.
Desvoto.
Voto negativo.
De protesto.
De repúdio.

Nulo é que não é.

Mau cheiro

 

1.
Hoje é aniversário de Luís Inácio da Silva.

Escorpião (23/10 a 21/11). Elemento: Água. Modalidade: Fixo. Signo complementar: Touro. Regente: Plutão. Nada pode se comparar às pequenas manifestações de gentileza. Afinal, são elas que conseguem suavizar os momentos difíceis e criar amor. É tempo de compartilhar mais afeto com o parceiro.

Por essas e outras é que eu, taurino desde que nasci, não acredito em horóscopo.

2.
Não vejo a hora de sair a delação do Marcelo Odebrecht & cia.
Consta que vá jogar na fogueira 130 parlamentares e 20 govenadores (atuais e ex).

Torço para que haja gente de todos os partidos, incluindo Arena, UDN, PFL, Partido Republicano, Partido Farroupilha e até do Partido Português, extinto em 1831.

Com isso a petezada para de choramingar que o Moro só bate neles, que a Lava Jato é uma perseguição seletiva a eles, e que tudo é um complô da Globo, da Veja, da Fiesp, da Coca Cola e dos Iluminati contra eles por causa dos pobres comendo barrinha de cereal com o cinto afivelado e as poltronas na posição vertical etc.

3.
Paula Lavigne fez um jantar para angariar fundos para a campanha do Freixo.

Fernanda Lima e Mateus Solano doaram R$ 10 mil cada.

Menos generosos foram o maridão Caetano, Fábio Assunção, Fernanda Torres, Renata Sorrah, Cleo Pires, Patrícia Pillar e as indefectíveis Camila Pitanga e Letícia Sabatella.

Resta saber se a grana (R$ 100 mil) vai ter o mesmo destino da que foi arrecadada para a família do Amarildo.

4.
Marcelo Odebrecht trabalha varrendo o chão da sede da Polícia Federal em Curitiba.

É bom providenciarem um controle das vassouras e botarem chip nos baldes, para a eventualidade de um certo aniversariante do dia assumir a função em breve.

5.
A Infraero, depois de gastar milhões na reforma do Terminal 1 do Galeão, resolveu desativá-lo.

Quem sabe um dia, quando a classe D voltar a andar de avião…

6.
Crivella, praticamente eleito, foge do debate e de responder às incisivas (e pertinentes) perguntas d’O Globo.

Já deve estar é se preparando para governar com 2/3 da população contra ele: o terço que votará no Freixo e o terço que votará branco, nulo ou irá à praia no domingo.

7.
Freixo, que diz ser contra misturar religião e política, recebeu o apoio de padres católicos ligados à Teologia da Libertação.

A Arquidiocese, por outro lado, desautorizou a manifestação, e diz que não se pode compactuar com quem defende o aborto, a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Ou seja, ela é contra justamente o pouco que o Freixo tem de bom.

8.
A semana que vem será infinitamente melhor do que esta.

Não teremos mais que escolher entre Freixo e Crivella.

Aí é tapar o nariz e orar para que esses quatro anos passem depressa.

Mequetrefes

 

1.
Comprovando o que disse em sua “Carta aos cariocas”, dirigida ontem a todos os patos, oops, eleitores do Rio de Janeiro, descobre-se hoje que Freixo realmente tem o hábito de fazer apenas indicações técnicas para os cargos da sua administração, sem interferências partidárias.

Tanto que sua então mulher foi assessora no gabinete de dois vereadores do PSOL enquanto era casada com ele.

Não, não é nepotismo (mulher não é parente, certo?) e a escolha foi eminentemente técnica.

2.
Por outro lado, quem é assessora de Crivella no Senado é sua própria mãe.

Mãe também não é parente, é?

3.
E o usurpador Temer, que indicou a própria mulher, a bela e recatada Marcela, para o cargo de Primeira-Dama?

Isso a imprensa golpista não fala.

4.
Renan Calheiros chamou o ministro da Justiça de “chefete”, e de “juizeco” o juiz federal que mandou prender parte da milícia – oops, polícia – do Senado.

O senadorzinho diz que vai recorrer à ministralha do STF e já foi se queixar ao Presidenteco.

O parlamentarote, investigado naquela operaçãozeta comandada pelos curitibocas, está com os nervitos em frangalhos depois da prisãozaça do deputadinho Eduardo Cunha.

5.
Aproveitando o “Dia Nacional da Adjetivação Revoltada”, comemorado ontem, Crivella chamou os jornalistas da Veja de “patetas” e os d’o Globo de “vagabundos e patifes”.

Velhaco, safado, sacana, bandido, ordinário, canalha, miserável, moleque, crápula, verme, bandalho, bilontra, birbante, bisbórria, cachorro, cafajeste, salafrário, sicofanta, mequetrefe, alarife, calhorda, safardana, pulha, biltre e fedaputa ainda devem ser utilizados ao longo da semana.

6.
Fechado o acordo de delação premiada do Marcelo Odebrecht.

O Rivotril já tinha sumido das farmácias com a prisão do Cunha.
A partir de hoje, o que deve sumir das prateleiras são as fraldas geriátricas.

E a gente zoando a Venezuela, onde falta papel higiênico.

7.
A Polícia Federal abriu processo disciplinar contra o hipster que escoltou o Cunha, por ter dado entrevistas sem autorização.

Ainda bem, porque mais uma semana e ele estava participando da Dança dos Famosos, desfilando de sunga na SP Fashion Week ou posando para a G Magazine.

Meteoros

 

Talvez você nunca tenha se perguntado por que caem muito mais meteoros na Rússia que em qualquer outro país. Ou por que há muito mais vídeos de acidentes de carro na Rússia do que em qualquer outro lugar do mundo.

Não é que os meteoros gostem de lá (ou, no caso, não gostem dos russos). Ou que os russos dirijam embriagados (sim, eles dirigem) e provoquem mais acidentes.

É que a Rússia é o maior país do mundo e, estatisticamente, há mais chances de meteoros caírem lá. E, como praticamente todos os carros têm câmeras, tudo que acontece é filmado.

Penso nisso quando ouço / leio / vejo petista reclamar que a Lava Jato é seletiva, só persegue petista. Não percebem (ou fingem não perceber) que o PT está para a corrupção assim como a Rússia está para os meteoros.

Pode até um meteoro despencar sobre o Liechtenstein, o Vaticano, Andorra ou o selim da sua bicicleta – mas as chances de cair na Rússia, ou na China, ou no Oceano Pacífico, são infinitamente maiores.

Penso nisso, de novo, quando vejo / leio / ouço os antifreixistas reclamarem que a grande imprensa (batizando os semoventes: Veja e O Globo) faz campanha aberta contra o Crivella, apontando seus podres nesta reta final de campanha.

Não é culpa da imprensa se o que não falta ao bispo são podres. Se ele é preconceituoso, incapaz de compreender e aceitar outras culturas, outras crenças, outras orientações sexuais. Se ele escreveu sobre isso, pregou sobre isso, deixou vídeos registrando isso. Se ele é parte do plano maquiavélico do seu tio para levar o fundamentalismo ao poder e acabar com esse nosso rascunho de estado laico.

Não que Freixo seja melhor. O aprendiz de bolivariano, que apoiou a propinocracia petista e apoia ditaduras mundo afora, odeia a imprensa livre e só pensa em estatizar e aparelhar, é o pior que podia acontecer ao Rio neste momento. É um desfibrilador aplicado no coração valente do petismo moribundo, que pode lhe dar alguma sobrevida. É a pá de cal na falida economia carioca.

Mas o passado do Crivella é uma Rússia com milhões de motoristas bêbados dirigindo no asfalto coberto de gelo – e com câmeras ligadas. É uma Sibéria oferecendo seus milhões de quilômetros quadrados para o meteoro que quiser aterrissar por aqui.

Não são O Globo, com suas manchetes de primeira página, e a Veja, com sua infeliz capa desta semana, que querem destruir Crivella. É a biografia dele pedindo passagem.

Assim como a Lava Jato não é responsável pelos desmandos petistas, a imprensa não tem nada a ver nem com o tenebroso passado do bispo nem com a tragédia anunciada do bolivariano.

Criticá-la por mostrar que o bispo está nu é culpar o mensageiro pelas más notícias.

Botão vermelho

 

1.
O mundo inteiro devia votar nas eleições americanas. E nas russas.

Se um maluco como o Trump ou um maníaco como o Putin assumem o comando de um arsenal atômico ao mesmo tempo, não são apenas Washington e Moscou que viram cinza – somos todos incinerados por tabela.

Putin está no poder, mas do lado de cá tem o Obama.

Quando aqui tinha o Reagan, lá estava o Gorbatchov, pra equilibrar.
Por isso continuamos vivos, porque quando só um quer, dois não destroem o planeta.

Não faz muita diferença quem esteja no poder no Canadá ou na Noruega. Mas a humanidade inteira tinha que poder dar pitaco nas eleições em países com acesso a bombas atômicas.

Se um dos princípios da democracia americana é não haver taxação sem representação – ou seja, só pago imposto se puder escolher quem cria os impostos – por extensão, só devemos aceitar correr o risco de ser aniquilados numa hecatombe nuclear se pudermos eleger o dono do dedo que aperta o botão vermelho.

Já imaginou a Dilma com um poder desses nas mãos? Vai que dá um dos seus célebres pitis com murros na mesa e a coisa dispara por engano.

Já pensou um Maduro, um Duterte (é o psicopata da vez, nas Filipinas), um Bashar al Assad, com o poder de fazer com o planeta o que o PT fez com o Brasil, arrasando tudo?

Que o Texas votasse em peso no Trump seria o de menos. O resto do mundo, que é bem mais sensato, votaria na Hillary e a gente tocava o bonde.

2.
Freixo diz que não aceita apoio de criminoso. Tá certo.

Mas peralá, ele não recebeu de braços abertos o apoio de Lula, Jandira, Lindbergh?

Ou pra ele só miliciano é que é bandido?

3.
Crivella padece da síndrome de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Quando era bispo da Universal e se dedicava a tomar dinheiro de pobre e demonizar gay e preto, parecia não dar a mínima para o que pensavam das estupidezes que ele falava a escrevia.

Agora que virou candidato, alega que eram traquinices de uma criança imatura de 42 anos, que mudou da água (benta, a R$ 50,00 o fraco de 50ml) para o vinho (francês, desses bem caros, que não devem faltar em sua adega de milionário).

Vai ser eleito, infelizmente, e levar adiante o plano do seu tio e mentor Edir Macedo de colocar os fundamentalistas no poder.

A História tem exemplos de sobra de que isso nunca acaba bem.

4.
No mais, não terão sido vãos os embates sanguinários entre Hillary e Trump.

A carnificina entre Freixo e Crivella.

O conflito implacável entre a narrativa petista e a realidade.

Estamos, finalmente, prontos para o aniversário do Guanabara, que começa hoje.

Retrocesso progressivo

 

1.
A Folha de São Paulo se declara imparcial, isenta, independente, neutra, pluralista, apartidária.

Sei que a língua é viva, que as palavras mudam de significado, mas será que meu Aurélio (impresso, com a lombada detonada) já está desatualizado com apenas duas décadas de uso?

2.
O PMDB agora quer implantar o projeto petista do “voto de lista fechada”, que é, na prática, a eleição indireta para o legislativo.

Você vota na legenda, e os caciques escolhem pra quem vão os votos.

Como dizia uma quadrúpede ruminante de casaquinho vermelho, “é golpe!”.

3.
O arcebispo e Nobel da Paz Desmond Tutu escreveu um artigo defendendo a eutanásia.

Ao fazer 85 anos, ele disse que espera “ser tratado com compaixão e ter permissão para passar à próxima fase da jornada da vida da forma que escolher”.

Não achei que fosse viver para ver isso – um religioso lúcido.

4.
A filha do Luis Fernando Veríssimo disse que o pai, que é monossilábico em público, em casa também mal abre a boca. Que em 51 anos, nunca o viu desatar a falar sobre coisa alguma.

Não dava pra ele inverter a coisa, e passar a falar merda em casa, e aplicar o dom do silêncio à escrita?

5.
O Rio devia fazer um esforço concentrado e eleger o Freixo.
E, claro, torcer para ele implementar as promessas de campanha.

Tipo estatizar o transporte público.
Reduzir o valor das passagens, chegando à tarifa zero em algumas áreas.
E aumentar a folha de pagamento, com um motorista e um trocador em cada ônibus.

Acabar com a gestão privada da saúde e contratar mais servidores.

Garantir a “autonomia pedagógica” dos professores (sabem o que significa, não?) e valorizar os “projetos políticos pedagógicos”.
Só fornecer merenda sem agrotóxico e sem transgênico.

Criar um “Banco Municipal de Investimento”.
Criar uma empresa pública de saneamento.
Acabar com a remoção de invasões.
Estabelecer política de financiamento e apoio às “mídias populares e alternativas”.
Não recolher mais pessoas “em situação de rua” e usuários de drogas.

Em menos de um ano a cidade estaria quebrada.

A culpa, claro, não seria do estatismo, da ideologização e da má gestão, mas da zelite, da globalização perversa, da mídia golpista, da lei da gravidade, dessa gente de olho azul que não suporta suburbano na PUC e favelado no Village Mall etc.

Mas ficaríamos livres do PSOL antes que ele conseguisse alçar voos mais altos, e retomasse aquele projeto de poder do molusco e da anta.

Para isso, o Rio teria que ir pro sacrifício.
Mas é por uma boa causa.

Até a próxima olimpíada, a cidade se recupera.