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Arquivo da tag Marcelo Crivella

Moeda forte

 

1.
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é um homem bule, ou seja, de pouca fé.

Passou a vida convencendo os miseráveis mundo afora – até na África, onde a miséria é ainda mais miserável – a doar o pouco que tinham para garantir não só um imóvel do Minha Casa Minha Vida-Após-a-Morte lá no céu, como a cura de todos os males – principalmente os incuráveis – deste lado de cá do túmulo.

E quando lhe aparece um tumorzinho na próstata, ele esquece os prodígios que viu nos altares dos teatros, ops, dos templos da família e vai se tratar com medicamentos mundanos e, se necessário, cirurgia.

Para que servem, então, a água milagrosa do Rio Jordão? O sabonete ungido? O paninho com o sagrado suor do pastor?

Casa de obreiro, espeto de pau.

2.
O juiz Marcelo Bretas não estava errado ao conceder o benefício da prisão domiciliar à ex-primeira dama Adriana Ancelmo.

Errados estão todos os outros juízes, que negam sistematicamente esse direito às demais presidiárias com filhos pequenos. Principalmente àquelas que não podem pagar babás e governantas uniformizadas.

O erro do juiz Marcelo Bretas foi crer que arrancar da tomada os telefones e cortar o uaifai bastariam para que a esperta esposa do Sérgio Cabral ficasse quietinha em casa, fazendo as unhas, regando as plantas, vendo novela ou ajudando no dever de casa das crianças, como alguma esposa-modelo dos anos 50.

Se não consegue impedir que o crime organizado continue na ativa, falando livremente ao celular em Bangu, ia conseguir isso num apartamento de luxo no Leblon?

3.
A polícia apreendeu 40 milhões de bolívares (moeda venezuelana) numa favela carioca.

Não se sabia como o dinheiro chegara ali, nem para quê.

Seria para comprar armas na Venezuela? Drogas?
Mas por que bolívares – e não dólares, euros, reais, moedas mais valorizadas e de maior aceitação?

Sabe-se agora que as cédulas seriam apagadas com uma lavagem química e só se aproveitaria o papel para imprimir dólares, euros, reais – transformando-se, aí sim, em dinheiro de verdade.

Quer melhor metáfora para o que o Hugo Chávez e Nicolás Maduro fizeram com a economia de um dos maiores produtores de petróleo do mundo?

4.
O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil estagnou.

Permanecemos atrás até da Venezuela, que tem 81,8% da população na miséria – sendo 51,5% em pobreza extrema.

Nada que não possa ser resolvido com o retorno do PT ao poder, em 2018.

Lula sabe muito bem o que não deu certo no governo Maduro (Maduro é a Dilma do Chávez) e o que deu errado no governo Dilma (Dilma é o Maduro do Lula).

Com Lula lá de novo, só não chegaremos aos 100% de miseráveis porque tem sempre os 10% de petistas, filopetistas e isentões que vão se dar muito bem.

Os venezuelanos se preparem morrer de inveja (se não morrerem antes de fome) porque não podem ressuscitar a jararaca deles, e nós, pelo visto, podemos dar uma sobrevida à nossa.

E aguardem que, tudo correndo como apregoa a Folha de São Paulo, em breve haverá apreensão de milhões de reais em alguma favela paraguaia.
Grana que eles irão lavar para imprimir guaranis.

Un pasito pá d’lande, un pasito pá trás…

 

1.
Crivella nomeou o irmão do Freixo para um cargo que não existia.

Crivela desnomeou o irmão do Freixo do cargo que não existia.

2.
Crivella já tinha nomeado um sujeito de ficha quase tão suja quanto a do Sérgio Cabral para a Administração Regional de Copacabana.

Crivella, desnomeou o tal sujeito de ficha quase tão suja quanto a do Sérgio Cabral quando a imprensa divulgou o fato.

3.
Crivella tinha também nomeado para a Subsecretaria de Inclusão Produtiva da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos um advogado que advogava “a reintegração dos bandidos à sociedade: os órgãos iriam para doação, o esqueleto iria para a escola de Medicina e o que sobrasse virava adubo”.

Crivella desnomeou o aprendiz de Bolsonaro.

4.
Pezão nomeou a ex-deputada Solange de Almeida, condenada em segunda instância por improbidade administrativa e – como se não bastasse – aliada do Eduardo Cunha, para o cargo de Secretária numa secretaria criada, em plena crise do Estado do Rio, especialmente para ela.

Pezão desnomeou a ex-deputada aliada do Cunha quando a imprensa caiu de pau. A nova Secretaria permanece.

5.
Temer nomeou um primo do Gilmar Mendes para uma diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.

Temer nomeou Rubens Camargo Penteado, do PPS do Paraná, e Ramiro Wahrhaftig, do PSD do Paraná, para diretorias da Itaipu Binacional, contrariando a Lei das Estatais – que ele mesmo sancionou – lei esta criada justamente para impedir o uso político de empresas públicas.

Ao contrário de Crivella e Pezão, Temer ainda não desnomeou ninguém.

Freud e O Senhor na Cidade Maravilhosa

 

Marcelão nomeou o filho Marcelinho para a Casa Civil, para ser uma espécie de seu Primeiro Secretário.
Pôs a coroa na cabeça do herdeiro antes que outro aventureiro a quisesse – tudo dentro da nossa melhor tradição republicana.

É a dinastia Crivella / Macedo demarcando território na disputa com a antiga dinastia reinante, a dos Garotinho – cuja herdeira, a menina Clarice, também faz parte do secretariado do pastor.

São ambos pastores – Garotinho e Crivella – talvez unidos para juntos melhor garantir a posse da Capitania Hereditária Neopentecostal do Rio de Janeiro.

Marcelão alega que o filho Marcelinho é preparado, competente, e estaria sendo indicado por seus méritos, por sua aptidão técnica, não por seus genes.
Aham.

Ocorre que Marcelinho não é formado em Administração ou Economia, não tem MBA em Gestão ou algo assim.
O moço graduou-se nos Estados Unidos, na renomada Universidade de Biola (!!) em… Psicologia Cristã.

Sim.
Não numa reles Psicologia sem adjetivo, dessas que qualquer UFRJ, USP, PUC ou Unicamp oferecem.
Foi em Psicologia Cristã.

Não dá pra saber, pela internet, a grade curricular, mas é de se supor que, em vez de Freud, Jung, Melanie Klein ou Lacan, se estude o pensamento de Isaías, Jeremias, Miquéias e Oséias.

As teorias cognitivas de Habacuc e Malaquias.

A psicologia infantil segundo Isaac, que quase foi sacrificado por seu pai, Abraão (aquele que ouvia vozes que o mandavam matar o filho em sinal de devoção).

Evolucionismo by Noé.

A fixação anal nos nascidos em Sodoma.

Terapia comportamental, com ênfase nas técnicas de reprodução assexuada de peixes, panificação sem trigo, flutuação e deslocamento sobre as águas, combustão espontânea de sarças, derrubada de muralhas no grito e apedrejamento de adúlteras,

O curso, infelizmente, ainda não é reconhecido no Brasil.
Assim como não o são os de Medicina Xamânica, Odontologia Umbandista, Direito Zen ou Engenharia Espírita.
O diploma, talvez por isso, não foi validado por nenhuma universidade brasileira.

Mas o moço é bom.
É competente.
E, como a fé remove montanhas, pode até exorcizar a suspeita de que sua nomeação seja mais um vergonhoso caso de nepotismo.

Pena mesmo é que eles estejam no Rio, não num estado vizinho.
Seria a glória para o tio Edir Macedo ver pai e filho governando o Espírito Santo.

Não verás país

 

Antigamente era a Europa que se curvava ante o Brasil.
Agora são os Estados Unidos.

O Departamento de Justiça da terra do Trump declarou que a atuação da Odebrecht e da Braskem é “o maior caso de suborno da História”.

Uma merreca de um bilhão de dólares indo para o bolso de políticos e executivos não só do Brasil, mas da Argentina, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Guatemala, México, República Dominicana, Angola, Moçambique e outros menos votados.

A maior propina foi paga em Moçambique, mas a melhor relação custo x benefício foi aqui mesmo. Investiram 349 milhões de dólares em doações não contabilizadas, obras em sítios etc, e faturaram 1,9 bilhão. Melhor que narcotráfico e lenocínio.

“Maior caso de suborno da História”.

Tem coisas que só o PT faz por você.

~

O povo tanto pediu intervenção militar que a Marinha resolveu gradear a Orla Conde, no Rio.

Se insistissem mais um pouco, a Aeronáutica era capaz de interditar o Sambódromo e o Exército mandava pintar de branco os troncos de todas as árvores da Floresta da Tijuca.

~

Crivella está saindo melhor que a encomenda.

Nomeou uma tucana para a Assistência Social e a filhota do Garotinho para o Desenvolvimento.

Para a Educação, indicou um ex-terrorista. E para a Ordem Pública, o coronel que prendeu o tal ex-terrorista durante a ditadura.

Economizou uns trocados mandando o seu vice fazer dupla jornada e acumular a Secretaria de Transportes.

Botou a neta de D. Zica e de Cartola na Cultura, e para a Conservação e Meio Ambiente escolheu um pastor que acredita no criacionismo e acha que deviam ensinar Adão, Eva, maçã e cobra nas aulas de Ciências.

Agora, sim, o Rio sai da lama.

Democracia modelo 2016

 

1.
O PT foi o grande vencedor das eleições de 2012.
Eram as urnas consagrando a vontade do povo.

O PT foi o grande derrotado nas eleições de 2016.
O povo não sabe votar.

2.
Das 26 capitais, só uma elegeu um petista.
A do Acre.

Dos 92 municípios do Rio de Janeiro, só um elegeu um petista.
Maricá – aquela cidade adorada pelo Eduardo Paes, onde é mais fácil receber troco em loja de 1,99 que elegerem alguém do PMDB.

3.
Quem venceu as eleições no Rio não foi o Marcelo Crivella.
Foi o sr. Branco Nulo da Abstenção, com 41,5% dos votos.

Em seu governo, não haverá lugar para bispos, filhas de Garotinho, petistas reciclados, blequibloques e afins.

Não se vai se misturar política e religião, nem doutrinação ideológica com educação.

O Sr. Branco Nulo da Abstenção não gastou um centavo na campanha.
Não agrediu ninguém.
Não xingou a Rede Globo, a Veja, e os jornalistas em geral.
Não recebeu apoio da Dilma, do Lula, da Jandira ou do Bolsonaro.

O Sr. Branco Nulo da Abstenção tem sérios planos de se candidatar a governador, ou, quem sabe?, a presidente em 2018.

4.
Marcelo Freixo se recusou a parabenizar o candidato que o venceu nas eleições.

No discurso da derrota, disse “nós vencemos as eleições”.
Disse “tem muito mais gente aqui do que lá com eles”.
Disse que os próximos quatro anos serão “de muita luta e resistência”.
Disse que não recuou um milímetro no seu programa, após ter escrito uma “carta aos cariocas” recuando vários metros.

Imagina se tivesse ganho.

5.
Caetano e Gil, em show ontem à noite no Metropolitan, transformaram a canção “Eu odeio” em “Eu odeio Crivella”, dando uma folga do Temer, o homenageado de praxe.

6.
Lula não votou.
O candidato do PT nem chegou ao segundo turno em São Bernardo.
A cidade de Lula elegeu um tucano.

Dilma não votou.
O candidato do PT nem chegou ao segundo turno em Porto Alegre.
A cidade de Dilma elegeu um tucano.

Impítimã não foi golpe coisa nenhuma.
Golpe foi esta eleição.
Um mata-leão dos bons.

Finados

 

Zuenir Ventura, certamente o mais superestimado de todos os colunistas d’O Globo, tornou-se hoje o porta-voz oficial da esquerda ressentida, que não aceita o resultado das eleições.

Diz ele, textualmente, que “as urnas não autorizam o novo prefeito a falar em nome da cidade, e sim em nome de 1,7 milhão de eleitores fiéis, um número bastante expressivo, mas bem menor do que os 2,034 milhões de infiéis que o recusaram” (votando em branco, não votando ou anulando o voto).

Será que esse mesmo argumento valia para Dilma, recusada por 48% da população (que preferia Aécio) e eleita com “apenas” 52%?
Ela então também não poderia se dizer democraticamente eleita e falar em nome de todos os brasileiros?

E continua: “Portanto, ao vencedor, um pouco menos de soberba. Um pouco de humildade não faz mal a um governante, ainda que se considere escolhido por Deus”.

A “soberba” do Crivella estaria em interpretar sua eleição como um não à legalização do aborto e á descriminalização das drogas.

Mas quem votou nele não sabe das suas ideias de jerico a respeito desses temas? Não está ciente do seu conservadorismo, e não o apoia justamente por isso?

Zuenir parte para cima de Carlos Osório e Índio da Costa, adversários de Crivella no primeiro turno, e seus apoiadores no segundo.
“Por que não aderiram antes, por que esperaram o segundo turno?”, pergunta indignado – como se não o tivessem informado que é assim que funciona a eleição em dois turnos, e que Jandira também foi adversária de Freixo no primeiro turno e o apoiou no segundo.

Por que Jandira pode freixar impunemente, e índio e Osório não deveriam ter crivelado?

Acaba desejando que o bispo não seja parte do projeto de nação evangélica do seu tio “e líder religioso” Edir Macedo.

Teria desejado a um eventual vitorioso Freixo que não fosse parte do projeto de nação marxista do seu ídolo, o líder popular Luís Inácio Lula da Silva?

Quem não sabe perder não devia competir.
Quem não aceita as regras da democracia não devia se travestir de democrata.

~

O editorial d’o Globo vai na mesmíssima linha.

Crivella ganhou por exclusão.
Perdeu para os não-votos.
Foi ajudado pela escolha errada e arrogante de Paes, que insistiu no inviável candidato Pedro Paulo.
Teve uma mãozinha do sectarismo do Freixo, que não conseguiu se livrar da fama de radical blequibloqueiro e insistiu na asneira do “fora, Temer” e do “é golpe”.
Se aproveitou do fogo amigo que foi o apoio de Dilma (lembram dela?) à candidata comunista Jandira Feghali.

Enfim, de acordo com O Globo, Crivella não ganhou.
Os outros é que deixaram de ganhar.

Mas não é exatamente assim em toda eleição?
Não há sempre vitórias acachapantes, como a de ACM Neto em Salvador, e outras suadas, como a do Kalil em BH?

E isso faz um menos prefeito que o outro?
Ou apenas indica que um terá condição mais ou menos favorável para governar, e lidará com uma oposição mais ou menos combativa?

~

Sou a favor da legalização do aborto.
Sou pela descriminalização das drogas.
Sou pela política afirmativa de gênero.

Por essas – e outras, muitas outras – Crivella não me representa.
Por essas – e outras, muitas outras, não votei nele.

Mas, segundo as regras eleitorais, ele é o prefeito eleito do Rio de Janeiro.
São a suas ideias, não as do candidato derrotado, que vão nortear a administração municipal pelos próximos quatro anos.

É assim que a banda toca.

Aceitar as regras democráticas quando você ganha, e relativizá-las quando quem ganha é o que pensa diferente de você tem nome.
É um palavrãozinho que acaba de sair de moda, mas nem por isso vai sumir do dicionário.

É golpe.

~

À esquerda brasileira, feliz Dia de Finados.

Santíssima Trindade

 

Quem tem dificuldade pra entender aquela barafunda teológica de Deus ser uma espécie de “três em um” não imagina o que passa um carioca com as linhas 1, 2, 3 e 4 do metrô – que são uma só.

Dividiram essa linha única em quatro, como podiam ter dividido em quarenta – uma linha para cada estação.

A “quarta” linha chegou até a Barra.
Quer dizer, à beiradinha da Barra.
E agora dá pra ir rapidão ao Rio de Janeiro.

Quer dizer, mais ou menos rapidão.
É preciso fazer baldeação em Ipanema e em Botafogo.
Porque, pra disfarçar que é uma linha só, botaram esses solavancos.

E não funciona aos sábados, domingos e feriados.
Nem depois das 9 da noite.

Talvez tudo isso tenha razão de ser.
Devem ter feito estudos comprovando que emergente não sai à noite. Nem em finais de semana.
Que é sedentário e precisa se exercitar subindo e descendo escadas, caminhando longos trechos dentro das estações para trocar de trem.

Foram até bonzinhos, se pensarmos bem.
Podiam ter feito o metrô com baldeação em todas as estações.
Só funcionando na segunda terça-feira do mês, nos horários de pico.
Em mês que não tem R, e apenas em ano bissexto.

Pelo menos é integrado ao berritê.
Mas tem que pagar duas passagens.

Com o estado do Rio quebrado, o governo federal sem dinheiro nem pra comprar deputado, o Crivella avisando que as obras acabaram (inclusive as inacabadas) e sem perspectiva de outra Olimpíada nos próximos 4 anos, o jeito é voltar cedo pra casa, fazer aeróbica nas estações Botafogo e Ipanema e torcer pra fazer logo 65 anos e ter alguma chance de viajar sentado.

~

Freixo acha que ligar para o vencedor das eleições e desejar-lhe um bom governo é “um protocolo hipócrita”.

Nunca deve ter visto uma partida de tênis, de vôlei ou uma luta de judô.

Ou, se viu, foi a daquele judoca egípcio que se recusou a cumprimentar o adversário israelense.

~

O site do PT, ontem, não tinha nenhuma notícia sobre as eleições.

O assunto do dia era a ocupação de escolas e universidades públicas.

Isso é que é valorizar a democracia, e as decisões populares.

Desvoto

 

PEQUENAS REFLEXÕES MATINAIS ANTES DE IR ANULAR O VOTO

1.
O TSE informa que não é permitido caçar pokémon na cabine eleitoral.

É sério.

Não é permitido fazer selfie, usar filmadora nem caçar pokémon.

Para votar, não tem que ter mais de 16 anos?
Alguém acima dessa idade caça pokémon?

Bom, se tem adulto infantil o suficiente pra votar no Freixo, tudo é possível.

2.
O grande vencedor dessas eleições foi o PSDB, que deve governar entre 40 e 50 milhões de brasileiros a partir de agora (dependendo dos resultados do segundo turno).

O vice campeão, o PMDB.

O maior derrotado, o PT, que tinha 14 prefeitos no grupo das grandes cidades, e agora só em 1. No Acre.

Como é que fica mesmo a narrativa do golpe?

3.
Conheci o Crivella pessoalmente.
Me deu um abraço, apertou minha mão.

E ele não só estava em campanha (para o governo do estado, na ocasião) como eu estava lá para ajudá-lo.

As escolas de samba do grupo de acesso (antigo “segundo grupo”) reivindicavam uma “Cidade do Samba” para elas, a exemplo da que existe para as escolas de elite (o “grupo especial”).

Me pediram, e eu fiz o projeto, num terreno que o Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, havia conseguido, e que pertencia à finada Rede Ferroviária.

Lula (que apoiava Crivella) se comprometeu a fazer a cessão, e lá fui eu a uma reunião do bispo com os bicheiros, mostrar o projeto (que, por sinal, nunca foi pago).

Só mesmo no alistamento militar, em que tive que ficar meia hora em pé e pelado num galpão, com outras centenas de infelizes recrutas, rezando (eu ainda não era ateu) para ser dispensado, é que senti tanto constrangimento e vergonha alheia de mim mesmo.

Vendi meu peixe, fiquei de mandar meus dados e uma cópia do projeto para o comitê de campanha (nunca o fiz) e vazei, com a sensação de estar vendendo também a alma ao diabo.

O Crivella perdeu (para o Sérgio Cabral) e meu projeto foi esquecido.
Melhor assim.

Vai que eu passo à posteridade como “o arquiteto do bispo”.

4.
O voto nulo tinha que ter outro nome.

Nulo é o que não existe, não tem utilidade, é inútil, vão.

Meu voto nulo serve para mostrar que não apoio nenhum dos candidatos.
Que nenhum dos dois me representa ou chega perto de corresponder ao que eu espero de um político.

E não é que eu esteja me abstendo (deixando de votar) ou votando em branco (tanto faz um quanto o outro).
Não.
Eu não voto é em nenhum deles.
Não quero nem um nem outro.
Quero que os dois percam.

Podiam chamar de “não-voto”.
Voto paradoxal.
Desvoto.
Voto negativo.
De protesto.
De repúdio.

Nulo é que não é.

Mau cheiro

 

1.
Hoje é aniversário de Luís Inácio da Silva.

Escorpião (23/10 a 21/11). Elemento: Água. Modalidade: Fixo. Signo complementar: Touro. Regente: Plutão. Nada pode se comparar às pequenas manifestações de gentileza. Afinal, são elas que conseguem suavizar os momentos difíceis e criar amor. É tempo de compartilhar mais afeto com o parceiro.

Por essas e outras é que eu, taurino desde que nasci, não acredito em horóscopo.

2.
Não vejo a hora de sair a delação do Marcelo Odebrecht & cia.
Consta que vá jogar na fogueira 130 parlamentares e 20 govenadores (atuais e ex).

Torço para que haja gente de todos os partidos, incluindo Arena, UDN, PFL, Partido Republicano, Partido Farroupilha e até do Partido Português, extinto em 1831.

Com isso a petezada para de choramingar que o Moro só bate neles, que a Lava Jato é uma perseguição seletiva a eles, e que tudo é um complô da Globo, da Veja, da Fiesp, da Coca Cola e dos Iluminati contra eles por causa dos pobres comendo barrinha de cereal com o cinto afivelado e as poltronas na posição vertical etc.

3.
Paula Lavigne fez um jantar para angariar fundos para a campanha do Freixo.

Fernanda Lima e Mateus Solano doaram R$ 10 mil cada.

Menos generosos foram o maridão Caetano, Fábio Assunção, Fernanda Torres, Renata Sorrah, Cleo Pires, Patrícia Pillar e as indefectíveis Camila Pitanga e Letícia Sabatella.

Resta saber se a grana (R$ 100 mil) vai ter o mesmo destino da que foi arrecadada para a família do Amarildo.

4.
Marcelo Odebrecht trabalha varrendo o chão da sede da Polícia Federal em Curitiba.

É bom providenciarem um controle das vassouras e botarem chip nos baldes, para a eventualidade de um certo aniversariante do dia assumir a função em breve.

5.
A Infraero, depois de gastar milhões na reforma do Terminal 1 do Galeão, resolveu desativá-lo.

Quem sabe um dia, quando a classe D voltar a andar de avião…

6.
Crivella, praticamente eleito, foge do debate e de responder às incisivas (e pertinentes) perguntas d’O Globo.

Já deve estar é se preparando para governar com 2/3 da população contra ele: o terço que votará no Freixo e o terço que votará branco, nulo ou irá à praia no domingo.

7.
Freixo, que diz ser contra misturar religião e política, recebeu o apoio de padres católicos ligados à Teologia da Libertação.

A Arquidiocese, por outro lado, desautorizou a manifestação, e diz que não se pode compactuar com quem defende o aborto, a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Ou seja, ela é contra justamente o pouco que o Freixo tem de bom.

8.
A semana que vem será infinitamente melhor do que esta.

Não teremos mais que escolher entre Freixo e Crivella.

Aí é tapar o nariz e orar para que esses quatro anos passem depressa.

Botão vermelho

 

1.
O mundo inteiro devia votar nas eleições americanas. E nas russas.

Se um maluco como o Trump ou um maníaco como o Putin assumem o comando de um arsenal atômico ao mesmo tempo, não são apenas Washington e Moscou que viram cinza – somos todos incinerados por tabela.

Putin está no poder, mas do lado de cá tem o Obama.

Quando aqui tinha o Reagan, lá estava o Gorbatchov, pra equilibrar.
Por isso continuamos vivos, porque quando só um quer, dois não destroem o planeta.

Não faz muita diferença quem esteja no poder no Canadá ou na Noruega. Mas a humanidade inteira tinha que poder dar pitaco nas eleições em países com acesso a bombas atômicas.

Se um dos princípios da democracia americana é não haver taxação sem representação – ou seja, só pago imposto se puder escolher quem cria os impostos – por extensão, só devemos aceitar correr o risco de ser aniquilados numa hecatombe nuclear se pudermos eleger o dono do dedo que aperta o botão vermelho.

Já imaginou a Dilma com um poder desses nas mãos? Vai que dá um dos seus célebres pitis com murros na mesa e a coisa dispara por engano.

Já pensou um Maduro, um Duterte (é o psicopata da vez, nas Filipinas), um Bashar al Assad, com o poder de fazer com o planeta o que o PT fez com o Brasil, arrasando tudo?

Que o Texas votasse em peso no Trump seria o de menos. O resto do mundo, que é bem mais sensato, votaria na Hillary e a gente tocava o bonde.

2.
Freixo diz que não aceita apoio de criminoso. Tá certo.

Mas peralá, ele não recebeu de braços abertos o apoio de Lula, Jandira, Lindbergh?

Ou pra ele só miliciano é que é bandido?

3.
Crivella padece da síndrome de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Quando era bispo da Universal e se dedicava a tomar dinheiro de pobre e demonizar gay e preto, parecia não dar a mínima para o que pensavam das estupidezes que ele falava a escrevia.

Agora que virou candidato, alega que eram traquinices de uma criança imatura de 42 anos, que mudou da água (benta, a R$ 50,00 o fraco de 50ml) para o vinho (francês, desses bem caros, que não devem faltar em sua adega de milionário).

Vai ser eleito, infelizmente, e levar adiante o plano do seu tio e mentor Edir Macedo de colocar os fundamentalistas no poder.

A História tem exemplos de sobra de que isso nunca acaba bem.

4.
No mais, não terão sido vãos os embates sanguinários entre Hillary e Trump.

A carnificina entre Freixo e Crivella.

O conflito implacável entre a narrativa petista e a realidade.

Estamos, finalmente, prontos para o aniversário do Guanabara, que começa hoje.