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Arquivo da tag Letícia Sabatella

Fatos alternativos

 

1.
O grupo Folha/UOL continua sua campanha sem tréguas contra o fim das pichações em São Paulo.

A “notícia” de hoje é que “marido de secretária critica a medida”.

Amanhã ficaremos sabendo o que pensa o filho da cunhada da manicure da diarista de uma assessora do prefeito coxinha.

2.
O grupo Folha/UOL continua inconsolável pelo fato de o mundo não ter caído de joelhos diante de “Aquarius”, o filme-fetiche dos petistas.

As lamentações de hoje são por Sonia Braga não ter sido indicada ao Oscar de melhor atriz. Isso evitará que a Folha se desidratasse de chorar quando Sonia, se indicada, não levasse a estatueta da indústria opressora de cinema capitalista ianque.

A Folha queria também que Kleber Mendonça Filho fosse indicado ao prêmio de melhor diretor.

Quem sabe no Festival de Cinema de Caracas?

3.
Assim que li que a ex-primeira dama Marisa Letícia tinha sofrido um AVC, pensei “vai sobrar pra Lava Jato”.

Não deu outra.

A esta altura, Letícia Sabatella já deve ter embarcado para Paris para denunciar o feminicídio praticado por Sérgio Moro.

Claro que d. Marisa ainda está viva (porque foi para o Sírio e Libanês, não para o SUS) e talvez se recupere bem.

Mas isso é o de menos.

Para o PT, como para o Trump, o que conta são os “fatos alternativos”.

4.
Depois do Brexit, com o Reino Unido deixando a União Européia, vem aí o USexit, com os Estados Unidos deixando o planeta.

Vai ser divertido ver o Tio Sam voltando, daqui a quatro anos, com o rabinho entre as pernas.

Se é que ainda vai haver planeta daqui a quatro anos.

5.
Entidades ligadas ao movimento negro pressionam para que Temer nomeie um negro para a vaga do Zavascki no STF.

Entidades feministas pressionam para que seja uma mulher.

PMDB pressiona para que seja alguém alinhado com os interesses do partido.

Se alguém souber de alguma mulher negra, de notório saber jurídico, contra o aborto, pela reforma trabalhista, contra a prisão de condenados em segunda instância e perita em fazer corpo mole com a Lava Jato, favor encaminhar currículo com foto para michelpresidento@palaciodoplanalto.gov.br.

6.
Na charge de hoje d’O Globo, o cartunista petista mostra Janot tentando empurrar a Lava Jato pra frente, e a ministra Cármen Lúcia mandando parar.

Bem ao lado, a notícia real: Janot e Cármen Lúcia concordam sobre continuidade das investigações. E, na mesma página, a informação de que Cármen Lúcia e Celso de Melo foram os mais duros com os investigados.

Petistas e suas narrativas.
Petistas e fatos alternativos.

Novela

 

1.
Primeiramente, #foraJucá, #foraRenan, #foraLobão, #foraMaranhão, #foraGleisi, #foraHumbertoCosta, #foraLindbergh e #foraCollor.

2.
Pena que o Temer tenha conseguido tirar o presidente petista da Empresa Brasil de Comunicação, conglomerado de mídia criado por Lula para ser porta-voz da ideologia cumpanhêra e cabide de emprego (metade dos funcionários não eram concursados, mas indicados pelo partido).

Era o momento certo de a EBC se contrapor à Globo e lançar sua primeira novela das oito.

Letícia Sabatella seria Marisa, mocinha virgem, doce, meiga e idealista, irmã de Letícia, papel de Camila Pitanga, mocinha corajosa, guerreira e batalhadora.

Marisa e Letícia seriam casadas, respectivamente, com Luís (interpretado por José de Abreu) e Inácio (Wagner Moura), operários de uma fábrica de brinquedos para crianças carentes e que cultivavam uma pequena horta orgânica num terreno abandonado, graças à qual forneciam alimentos saudáveis a idosos transexuais vítimas do imperialismo ianque e do capitalismo selvagem.

Bem ao lado, num castelo em formato de loja da Daslu, viveriam Sérgia, megera malvada de mecha branca no cabelo, interpretada por Regina Duarte, e seu cruel capataz (Marcelo Madureira), conhecido como “O Mouro”. Sérgia e o Mouro estariam interessados em tomar o terreno abandonado para ali construir um hangar, um heliponto, um shopping e um despejo de lixo químico com potencial de contaminar todo o aquífero Guarani.

Em defesa de Luís, Inácio, Marisa e Letícia, se insurge Gleice, uma maconheira do bem, vivida por Sonia Braga. Ela mora numa maloca, nos fundos do terreno, onde cultiva “ervas medicinais” e mantém vivas as tradições xamânicas de seus ancestrais quilombolas. Gleice lutará com todas as suas forças para que seu casebre não seja derrubado, contando apenas com sua superioridade moral e a ajuda do portador de necessidades especiais Lindinho (Gregório Duvivier, em seu primeiro papel dramático). Marieta Severo teria uma participação especial como a coruja Kátia Vanessa, ave de bom agouro que dá sábios conselhos aos nossos heróis.

Para não acusarem a trama de maniqueísta, haveria um personagem bipolar, o José Eduardo Paes Cunha – ora um ardoroso defensor da natureza, ora um desmatador insensível e sanguinário.

Universitários de Humanas fariam figuração, e a trilha sonora teria canções venezuelanas nas vozes de Caetano Veloso e Tico Santa Cruz.

Nos intervalos, anúncios da Friboi, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC e Andrade Gutierrez – porque hay que combater el capitalismo pero sin perder el patrocínio jamás.

3.
E a Globo, hein?
Não contente em derrubar a Dilma, derrubou agora também o Cunha.
Será que não dá pra abrir uma filial no Estados Unidos e derrubar o Trump?

4.
Na porrada de spams de hoje, uma novidade.

“A maca Peruana é um suplemento das montanhas do Peru, produzida na altitude do Peru. A mesma atua na restauração das funções sexuais.”

Melhor que isso, só frutos do mar de Camarões, shorts de Bermudas e pomada para hemorroidas do Butão.

5.
A gente sempre soube que o Cunha era 10.
450 a 10.

Letícia no país das maravilhas

 

Num mundo ideal, Letícia Sabatella andaria pra lá e pra cá na Praça Santos Andrade sem que ninguém se importasse com isso.

Faria muxoxos a cada menção ao juiz Sérgio Moro, balançaria a cabeça indignada com os “fora, Dilma”, daria murros na palma da mão sempre que ouvisse um “Lula na cadeia” e verteria uma sentida lágrima quando alguém berrasse que nossa bandeira jamais será vermelha.

Mas continuaria andando pra lá e pra cá, sem ser notada, sem incomodar ninguém.

Andaria em círculos pela praça, sem encontrar um único amigo, um fã que lhe pedisse um autógrafo ou uma selfie. Vagaria feito alma penada entre os empolgados manifestantes de camisa amarela e bandeira nacional sobre os ombros.

Num mundo ideal, Letícia Sabatella vaiaria os que discursassem contra a corrupção – e no máximo atrairia olhares de desaprovação, ou de pena.

Gritaria, de punho cerrado, palavras de ordem (“Dirceu / guerreiro / do povo brasileiro!”) e talvez ouvisse um “shhhh!” ou um “moça, não grita no meu ouvido”.

Quem sabe tirasse da bolsa a bandeira vermelha com a efígie de uma Dilma ainda jovem e os dizeres “coração valente” e corresse pela praça, desafiando e desafinando o coro contente de bandeiras verde e amarelas. As pessoas a deixariam correr, com aquela condescendência com que se trata as crianças, os inimputáveis.

Cansada das traquinagens, suada e feliz, Letícia Sabatella seguiria seu caminho – indo contar aos companheiros como lutou (e venceu) os moinhos de vento da globalização. Daria detalhes de como fizera recuar os burgueses, de como as elites caíram de joelhos diante de sua bandeira vermelha, de suas palavras de ordem, de sua cabeleira desalinhada e carente de um bom xampu.

Mas o mundo não é ideal. É feito de gente de carne e osso, e com sangue quente irrigando essa carne, e sustentando esses ossos.

Gente que vê em Letícia Sabatella aquilo que mais abomina: o desprezo pela ética, o descompromisso com a verdade, a manipulação, a mentira. Gente que se cansou de ser roubada, de pagar pelos luxos de uma elite que se diz proletária e que só sabe produzir mais miséria. Gente que quer estancar a sangria de dinheiro público, que quer boas práticas na política – e também gente que quer menos governo e mais iniciativa privada, menos impostos e mais liberdade, que execra o controle dos meios de comunicação, o aparelhamento do Estado, a ideologização do ensino.

Letícia Sabatella, ali, para essas pessoas, era um insulto, um escárnio. Não era só a moça bem intencionada e cabecinha de vento na hora errada, no lugar errado: era tudo aquilo que se quer banido da vida pública. Era tudo que se quer na cadeia, pagando pelos crimes cometidos contra a Constituição, contra o Código Civil, contra a moral e os bons costumes.

Letícia Sabatella tinha todo o direito de estar ali (a Praça Santos Andrade é do povo, como o céu é das gralhas azuis) – mas não naquela hora, não com aquele riso de deboche.

“Eles não sabem o que fazem”, escreveu ela – a que foi se queixar ao Papa – pegando a si mesma para Cristo, sentindo-se a própria crucificada entre dois ladrões (Lula e Dilma, possivelmente).

Para ela, os fariseus são os outros. Os vendilhões do templo são os outros. Os delatores são os novos Judas. Ela deve crer que Lula ressuscitará em 2018 e seu reino não terá fim.

Letícia Sabatella vive no seu mundo sem recessão, sem crise, sem Lava Jato, sem petrolão, sem desemprego, sem inflação, sem formação de quadrilha, sem tríplex nem sítio de Atibaia, sem pedalada, sem Odebrecht, sem licitações fraudulentas, sem sanduíches de mortadela. E presta queixa à polícia quando seu caminho cruza com o mundo real.

Bolão

 

1.
Temer gastou sei lá quantos milhões viajando pelo mundo em inócuas missões oficiais, sempre acompanhado de caudalosas comitivas e se hospedando em hotéis de luxo, como convém a representantes de países miseráveis em turnê pelo mundo civilizado.

Só numa conferência em Istambul sobre a Somália, torrou R$ 350.000,00 em três dias.

Tivesse feito um doc para os somalis, e ficado quieto com a Marcela no Jaburu, o combate à fome teria sido mais efetivo.

2.
A ainda bela Letícia Sabatella resolveu passear, sem querer, pela manifestação coxinha de ontem, na Praça Santos Andrade, em Curitiba.

Despenteou o cabelo, ligou a cam do celular, e lá foi ela, em mais uma performance midiática.

Recomendo que suas próximas intervenções na defesa intransigente da corrupção, da recessão e do aparelhamento do Estado sejam fazer topless na Síria, numa daquelas cidades dominadas pelo Estado Islâmico, e desfilar com a camisa do Flamengo no meio da torcida do Vasco.

De celular ligado, claro.

3.
Em seu mimimi, segundos depois, no Instagram, a musa da mortadela se diz preocupada com a falta de democracia no nosso país e, se comparando a um certo crucificado, termina dizendo “eles não sabem o que fazem”.

Faltou só o “perdoai-os, Pai”.

Mas ela sabe que o Lula não perdoa.

4.
No show de abertura das Olimpíadas, não teremos, como em Londres, um agente secreto escoltando até o estádio a mulher mais poderosa do país.

O COI deve ter vetado a releitura que faríamos, com o japonês da Federal levando Dilma algemada.

Em vez disso, teremos funk e Giselle Bündchen sendo assaltada – numa representação da cultura brasileira (parece piada, mas é isso mesmo que vai acontecer).

Eu proporia algo de mais impacto: um arrastão pelas arquibancadas, com as pessoas se levantando de mãos ao alto, com o efeito visual de uma ola, enquanto entregavam seus celulares, carteiras e roléques.

Os bandidos – todos menores oprimidos de comunidades carentes – vestiriam camisas vermelhas com estrelas brancas, e manifestantes profissionais do MST acampariam no centro do gramado (de onde só sairiam com a intervenção da polícia, e o Eduardo Suplicy arrastado à força, ao som de “Blowin’ in the wind”), deixando o tapete esmeraldino em petição de miséria.

Plataformas de petróleo cenográficas jorrariam dólares (falsos) nos cantos do Maracanã, com pastores evangélicos engravatados recolhendo os 10% que cabem a Jesus (após o PT e sua base aliada já terem retirado seu quinhão, e o Instituto Lula ter afirmado que todas as doações foram legais e declaradas ao TSE).

Pousados sobre os alambrados, bandos de tucanos se bicariam estridentemente, disputando o butim.

Tudo isso, claro, ao som de Anitta, Ludmila e Wesley Safadão (essa parte também parece piada, mas é sério).

5.
Já rola por aí um bolão sobre o dia do atentado terrorista nos Jogos Olímpicos.

Acho perigoso participar de um bolão desses: vai que você acerta, e aí a PF vem em cima, pra saber como você obteve a informação.

Sou mais um outro bolão, o que pergunta se o Lula vai ser preso antes ou depois do impítimã da Dilma.

Antes. Na cabeça.

Prova surpresa

 

1. Quando tem um golpe de estado no seu país, você:
a) Corre pra casa, pra não ser esmagado pelos tanques
b) Bota uma touca ninja, faz uns coquetéis molotov e vai enfrentar os milicos que deram o golpe
c) Denuncia à Anistia Internacional, e pede asilo político na Suécia.
d) Recorre ao Supremo Tribunal Federal.
e) Se diz injustiçado(a) nas redes sociais e vai se queixar ao Papa.

2. Quando você tem a chance de ter uma audiência com o Papa, você:
a) Se arruma todo(a), bota roupa de missa e pede uma bênção.
b) Se arruma todo(a), bota roupa de missa e pede uma graça.
c) Se arruma todo(a), bota roupa de missa e pede absolvição dos seus pecados.
d) Se arruma todo(a), bota roupa de missa e pede uma selfie.
e) Amarra o cabelo pra trás de qualquer jeito, pega a roupa que estiver em cima na mala e conta uma lorota qualquer.

3. Se você fosse Papa, dedicaria seu tempo a:
a) Evangelizar os povos.
b) Promover a paz mundial.
c) Cuidar da restauração da Capela Sistina.
d) Orar pelos necessitados.
e) Impedir impítimãs no Terceiro Mundo.

4. Depois dessa audiência, o Papa disse a Deus:
a) O Senhor que é brasileiro, se vira.
b) Perdoai-as, Pai. Elas não sabem o que falam.
c) E agora? Cuido disso ou dos refugiados sírios?
d) Se ela chama a Dilma de Presidenta, por que não me chama de Papo?
e) Senhor, que mal eu Te fiz para merecer isso?

Tutti buona gente

 

1.
Augusto Pinochet ia à missa todos os domingos.

Benito Mussolini gostava de peixe cru.

Che Guevara era médico.

Adolf Hitler apreciava música clássica e pintava aquarelas.

Francisco Franco era cristão fervoroso.

Kim Jong-un adora queijo emmental e personagens da Disney.

Stálin era um pai carinhoso e dedicado à família.

Dilma Rousseff queria ser bailarina.

A verdade costuma ser tão enganosa quanto a mentira.

2.
Letícia Sabatella foi se queixar ao Papa.

Levou ao Sumo Pontífice uma carta em que denuncia o golpe de estado no Brasil.

Se bem me lembro das minhas aulas de catecismo no Convento do Carmo, com frei Anselmo, mentir é pecado, né não?

3.
“Branco, superior completo e sob investigação: A cara do Senado que votará o impeachment”.

A Folha de São Paulo não se dá por vencida e mantém o seu petismo renitente até os 45 do segundo tempo.

Como se Dilma Rousseff fosse mameluca, analfabeta e sem a Justiça nos seus calcanhares.

4.
Delcídio escapou da cadeia, não da cassação.

Mas o placar foi apertado: 74 x 0.

5.
Delcídio cassado perde foro privilegiado, e leva Lula para os braços de Sérgio Moro.

Como o grão do Gilberto Gil, Delcídio morreu pra germinar.

Já não pode mais dizer que nunca fez nada que preste nesta vida.

5.
A NASA descobriu mais sei lá quantos mil exoplanetas, muitos dos quais potencialmente habitáveis.

Ainda vamos descobrir que inabitável, mesmo, é o nosso.

6.
Waldir Maranhão negocia condições para a renúncia.

Não quer ser expulso, quer poder voltar um dia.

Conta com o apoio do PT, PC do B e PSOL – ou seja, não faltam nem a pá, nem a cal.

7.
Dilma encerra hoje, com chave de ouro, sua passagem pela Presidência.

Combateu o mau combate, acabou com a economia – e temos fé que nunca mais ninguém da sua laia chegue ao poder.

Paraná Papers

 

1.
O impítimã da nossa estimada Presidenta é um golpe igualzinho ao de 64.
Só não vê quem não quer.

Depois de mais de uma década de governos elitistas e de direita, a esquerda acabou de assumir o poder, e quer fazer reformas de base e reduzir as desigualdades. Isso inclui distribuir terras a lavradores vivos, e que queiram cultivá-las!

Os militares ameaçam o tempo todo botar os tanques nas ruas.

Os americanos, liderados por Obama, temem a sovietização da América do Sul, e por isso treinam espiões, e conspiram nos bastidores. Putin, por outro lado, não para de nos subsidiar com “o ouro de Moscou”, querendo fazer do Brasil uma nova Cuba.

Os petistas, que mal tomaram posse o ano passado, já querem convocar uma assembleia constituinte, a nacionalização de empresas estrangeiras e o controle de remessas ao exterior, o que deixa o grande capital opressor em polvorosa.

Nenhum membro do governo é investigado por corrupção. Não há escândalos diários (matutinos e vespertinos) envolvendo o governo. A questão é meramente política, não tem nada a ver com criminalidade, formação de quadrilha, etc.

Ah, e o impítimã nunca foi usado antes nem está previsto na Constituição ou segue os ritos definidos pelo Supremo.

É ou não é igualzinho, tal e qual?

2.
Pra que mesmo a Dilma quer continuar no governo?

O que vai mudar se ela conseguir adquirir deputados e senadores em número suficiente para se manter no cargo?

Vai fazer um mea culpa, dizer “aê foi maus”, pedir que esqueçam tudo que ela fez, prometer que daqui pra frente tudo vai ser diferente?

Vai montar um ministério de notáveis com a nata política do PP, PC do B e PSOL? Ou vai nomear ministros o Palocci e a Erenice, para livrá-los de ir ver o sol nascer frio e quadrado em Curitiba?

3.
O DataFolha alardeia que Lula sai disparado na frente, com 21% das intenções de voto, numa eventual eleição antecipada.

Só faltou informar que a lei da Ficha Limpa ainda não foi revogada. E que Marina (toc toc toc) e Aécio (toc toc toc) têm, juntos, 36%.

A Folha continua querendo saborear o omelete com o ovo ainda no cu da galinha.

4.
Depois da Letícia Sabatella tropeçando no raciocínio para apoiar a presidenta, nada como o Ary Fontoura, curto e grosso, direto e reto, afirmando que golpista é a Dilma.

Placar empatado na República de Curitiba.
Se bem que acho que o Alexandre Nero também apoiou a Dilma.
Cadê a Adriana Birolli pra virar esse jogo?

5.
E o processo contra o Cunha?

E as investigações contra o Renan?

Tomaram Doril?

6.
Enquanto o resto do mundo ainda discute os Panamá Papers, aqui ninguém mais dá a menor pelota.

Também, pra que, se temos os Paraná Papers, muito mais cabulosos?

Jogo dos sete erros

 

Olá, amiguinhos! Vamos brincar de encontrar os sete erros?
É um texto bem curtinho, da nossa amiguinha Letícia Sabatella.
Quem terminar por último é mulher do Frei Betto!
Um, dois e… já!

“Eu vim aqui hoje clamar por democracia. Eu sou oposição ao seu governo, Presidenta Dilma, mas eu tenho ainda um contentamento de dizer isso na sua frente e poder dizer que eu vivo ainda num estado que se pretende, utopicamente, em realidade, em transformação, em exercício nesse momento, nesse governo, de ser um estado democrático, de preservar as liberdades. O que a gente tá vivendo hoje, essa polarização, esse ódio instaurado, essa sombra coletiva assolando os corações de irmãos, pessoas que já não estão se reconhecendo, isso está sendo fomentado por um plano maquiavélico de tomada de poder na marra”

Viram como foi fácil? Vamos ver se vocês acertaram!

1. “Eu vim aqui hoje clamar por democracia.”
R. Não mesmo, criançada! Veio clamar por impunidade. Democracia implica em respeito à vontade da maioria – e a maioria esmagadora da população quer a saída de Dilma. Implica em alternância de poder, não em chegar ao poder pelo voto e querer se manter nele a qualquer custo, pelos meios mais escusos. Democracia é o governo do povo, não de uma quadrilha. Democracia é um regime em que as leis são respeitadas, não burladas sistematicamente.

2. “Eu sou oposição ao seu governo, Presidenta”
R. Arrá! Se chamou de PresidentA, não há a menor chance de estar fazendo oposição.

3. “… eu vivo ainda num estado que se pretende, utopicamente, em realidade”
R. Ou é utopicamente ou é em realidade, né não? Os dois ao mesmo tempo não dá.

4. “… em realidade, em transformação, em exercício nesse momento”
R. Alguém andou ouvindo muito discurso da Dilma, não andou?

5. “… essa polarização, esse ódio instaurado”
R. Só pra recapitular: quem começou com a história do “nós” contra “eles”? Quem ameaçou botar o exército do Stédile na rua? quem disse que “eles têm que ter medo”? Hein, hein?

6. “… um plano maquiavélico de tomada de poder”
R. Se há um plano maquiavélico de tomada de poder (e de não largar o osso nem a pau), esse plano é do PT. Não foi a oposição que matou Celso Daniel, comprou Pasadena, arruinou a economia e chamou um investigado pela Polícia Federal para ocupar a Casa Civil. E vocês sabem quem foi Maquiavel, não sabem? Isso mesmo, aquele moço que disse que “os fins justificam os meios”.

7. “… tomada de poder na marra”
R. Como assim, cara pálida? Há um processo constitucional de  impítiman tramitando num congresso democraticamente eleito, com regras claras ditadas pelo Supremo Tribunal Federal. Pra dizer isso, a moça tem que ser muito marrenta e desconectada da realidade, não acham?

Sim, sim, e nem falamos da “sombra assolando o coração de irmãos”, porque não ficou claro se é a sombra do desemprego, da inflação ou o Sombra, aquele encarregado de mandar matar o Celso Daniel, que era uma pedra no caminho da máfia petista.

Viram como foi fácil? Até uma criança sem esperança de conseguir um PROUNI, um FIES ou um professor decente de História consegue!

Amanhã passaremos à fase 2, que é o “Jogo dos 100 erros”, com a defesa feita pelo ex-Ministro Cardozão, que agora ocupa a AGU (Advocacia Governista da União).

Até lá, amiguinhos, e lembrem-se: se vocês não escovarem os dentes antes de dormir, o Eduardo Cunha vem pegar vocês!

Cabôco Mamadô

 

Nos tempos da famigerada ditadura militar, o Henfil – pai da Graúna e dos fradins, irmão do Betinho (o “irmão do Henfil”) – criou o Cabôco Mamadô.

Era uma entidade que, antes de os zumbis se tornarem fashion, já mamava o cérebro dos que (do seu ponto de vista) colaboravam com os militares – e por isso eram transformados em mortos-vivos.

No cemitério do Cabôco Mamadô viveram-morreram Elis Regina (que cantou o hino nacional numa Olimpíada do Exército ), Tarcísio Meira (que fez papel de Pedro I num filme considerado ufanista), Pelé (que sempre foi uma toupeira quando não estava com a bola nos pés) e (não me lembro mais por que motivo) Roberto Carlos, Carlos Drummond, Marília Pêra, Clarice Lispector.

Era a “esquerda” praticando o macartismo que tanto criticava.

Momentos de polarização têm disso. Tornamo-nos bipolares. Aos amigos, a defesa da democracia e das instituições. Aos inimigos, o golpismo. Mesmo que seja exatamente o contrário.

Saiu recentemente o “index” dos vendidos ao lulopetismo, aqueles a quem as pessoas de bem devem boicotar.

Como novos cabôcos mamadôs, recalibramos o radar a patrulha ideológica e quem vai agora para a expansão do cemitério dos mortos-vivos são Chico Buarque, Veríssimo, Jô Soares, Caetano Veloso, Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Gregório Duvivier, Aldir Blanc, Augusto de Campos, Ziraldo, Wagner Moura e outros menos votados.

Regina Duarte sofreu patrulha por ter medo do Lula. Dina Sfat, por temer os militares. Marília Pêra, por apoiar Fernando Collor. Hoje isso é nota de rodapé.

Talvez um dia eu ainda consiga voltar a ouvir o Chico e o Wagner Tiso – mudos na estante de CDs já há alguns anos. Talvez volte a admirar a Letícia Sabatella – grande atriz, cantora fantástica. Todos, porém, abjetos politicamente – não por pensarem diferente de mim, mas por não pensarem.

A cada lista dos novos Cabôcos Mamadôs que vejo, corro os olhos com medo de topar com Milton Nascimento, Adélia Prado, Cristóvão Tezza… E se estiverem lá, de camiseta da CUT, estrelinha no peito e sanduíche de mortadela na mão, braços dados com Vaccari, Delúbio, Dirceu? De que modo vou deixar de amá-los, se não for lúcido? Como continuar amando-os, se não for doido?

(Em tempo: no último cartum da série, Henfil enterrou a si mesmo no Cemitério dos Mortos Vivos. O Cabôco Mamadô chupou-lhe o cérebro, num tardio “mea culpa”).