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A escolha de Sofia

 

1.
Parece que foi surpresa geral os colombianos terem votado “Não” para o acordo de paz que poria fim a 52 anos de guerra no país.

Afinal, não querem o fim da guerra? Se acostumaram a ela? Vão sentir falta se ela acabar?

Imagine se, no final da Lava-Jato, a Venezuela resolve intermediar um acordo de paz entre o PT e o Brasil, após 13 anos de confrontos.

O PT se compromete a renunciar à corrupção, ao caixa 2, entregar as armas (os cargos que ainda ocupa), devolver parte do que foi roubado, pedir desculpas pelas mortes (Celso Daniel, todos os que não foram atendidos nos postos de saúde sucateados, vítimas da violência urbana etc) e, em troca, os petistas são anistiados e podem voltar a participar da vida pública, transformando a quadrilha em partido político.

Sei não, acho que eu também votava contra.

2.
Al Capone barbarizou Chicago, e foi pego pelo Imposto de Renda.

Trump barbarizou geral, e acaba de ser pego pelo Imposto de Renda.

Se eu fosse a Polícia Federal, dava um tempo na Lava Jato e começava logo a Operação Leão.

3.
O primeiro colocado na eleição para prefeito do Rio não foi o Crivella, mas a Abstenção.

De cada 4 cariocas, um tinha mais o que fazer naquele domingo nublado em que nem deu praia. (Pra quem não é muito bom em frações e prefere números exatos, foram 24,28% – a maior taxa de abstenção do país).

Se somar quem não foi votar com quem foi e votou branco ou nulo, dá 38,1%. (Pra quem não gosta de percentuais,e prefere frações, é mais que um terço, ou 1 em cada 3).

É gente pra caramba que não se sentiu representada pelos candidatos escolhidos pelos partidos políticos para nos representar.

Sinal inequívoco de que esses candidatos – e seus partidos – não nos representam.

4.
Alguém ainda tem saco para vídeo de flash mob?

E para as caras e bocas do público e dos jurados do X Factor?

Alguém ainda aguenta o Paulo Gustavo vestido de mulher fazendo papel de histérica?

E político botando a culpa na mídia e na crise?

Alguém acha mesmo que o Brasil está se tornando “mais conservador e de direita” quando é óbvio que estamos nos lixando para quem é destro ou canhoto, e o que não aguentamos mais é a roubalheira, seja lá de quem for (e, no caso, é da esquerda)?

5.
Fui almoçar ontem no Évora, do BarraSquare.
O troco veio errado.

– Você me devolveu R$2,00 a mais.
– Não senhor. O senhor tem desconto.
– Desconto? Por que?
– Terceira idade.
– (Silêncio sepucral do lado de cá, enquanto elaboro o que acabei de ouvir e me pergunto se entendi bem).
– A gente não pergunta, mas às vezes a pessoa não parece, e é. Aí, por via das dúvidas, eu prefiro dar o desconto.

Ontem foi o primeiro dia do resto da minha vida.
E bota “resto” nisso.

6.
Antes de votar no Crivella para barrar o Freixo, pense nos pátios de milagres das igrejas pentecostais, com encenações de curas e exorcismos feitos por charlatães. Pense no dízimo e nas doações arrancados de quem mal tem o que dar de comer aos filhos, mediante promessa de que Jesus pagará com juros e correção monetária. Pense no obscurantismo, na manipulação, na intolerância.

Antes de votar no Freixo para barrar o Crivella, pense nos blequibloques mascarados depredando o que encontram pela frente e atirando rojões (se algum cinegrafista morrer, faz parte da luta dos mascarados por uma sociedade mais justa). Pense na doutrinação ideológica nas escolas. Na descriminalização da criminalidade. Pense no obscurantismo, na manipulação, na intolerância.

A expressão “escolha de Sofia” já pode ser chamada, de agora em diante, e com mais propriedade, de “escolha de carioca”.

Eleições & Elections

 

1.
Não entendo todo esse auê em torno do “acordo de paz” entre o governo da Colômbia e as FARC.

Que paz, se não havia guerra?

Afinal, os livros de História editados pelo PT deixavam bem claro que os guerrilheiros colombianos “sonham com uma nova sociedade, mas os Estados Unidos os acusam de terrorismo”.

Se o PT ainda estivesse vivo, esse acordo fajuto não rolava.
Não mesmo.

2.
Não confio nessa Lava Jato nem nessa Polícia Federal.
Ô povinho midiático, espetaculoso e ingênuo.

Que prova eles têm que o tal “italiano” que aparece nas planilhas da Odebrecht seja mesmo o Palocci?

Quem garante que não é o Ricardo Berzoini? o Luiz Dulci? o Paulo Vannuchi? o Wagner Rossi? o Miguel Rossetto? o Guido Mantega? São todos igualmente italianos – e corruptos.

E se o Marcelo Odebrecht quis criptografar as coisas e chamou de “Italiano” o libanês Fernando Haddad, o francês Silas Rondeau, o alemão José Fritsch, o também alemão Mangabeira Unger, o japa Luiz Gushiken, a búlgara Dilma Rousseff?

Só porque o Marcelo Odebrecht não viu o Palocci numa cerimônia e escreveu que “o italiano não estava na diplomação da Dilma”?

Ora, senhores, o Berlusconi também não estava lá. Nem o Reinaldo Gianechini. Nem o Marcelo Crivella. Nem o Bruno Gagliasso. Nem o Carlos Marighella. E nem por isso foram presos.

Isso é perseguição política. Estamos voltando aos tempos da ditadura.

Só falta aparecer uma anotação dizendo que “o molusco de nove dedos” fez isso ou aquilo, e a PF amanhecer na porteira do sítio de Atibaia.

3.
Parece que o Moro levou a sério aquela ironia do Lula sobre a “República de Curitiba”.

Já levou pra lá três tesoureiros, dois ministros da Fazenda e dois da Casa Civil.

Não demora, fecha a escalação do ministério e, de quebra, leva até um presidente. Ou dois.

4.
Lula apoia Jandira (6% de intenção de votos).

Chico Buarque apoia Freixo (9% de intenção de votos).

Juntos, ainda é menos da metade da intenção de votos do bispo Crivella (35%), apoiado por Romário, Garotinho e Edir Macedo.

A música popular e o presidente popular já foram mais populares.

5.
O terceiro colocado na disputa pela prefeitura de Salvador é o Pastor Sargento Isidoro, ex-viciado, ex-adepto do candomblé e ex-gay.

“Eu estava gay, sim. Já queimei rodinha e rosquinha, queimei tudo, mas o que interessa é que Jesus mudou a minha vida.”

Pena que não seja candidato no Rio. Pelo menos teríamos uma alternativa contra o Crivella no segundo turno.

6.
Temer tinha que botar tornozeleira eletrônica na língua dos seus ministros ou decretar um “vaca amarela” geral no ministério.

Nem se Dilma tivesse infiltrado gente da sua confiança o resultado seria tão desastroso.

7.
Hillary foi de vermelho (cor dos republicanos) ao debate de ontem.
Trump foi de gravata azul (cor dos democratas).

Mais ou menos como se Aécio tivesse usado gravata de estrelinha e Dilma, um casaquinho com estampa de tucano.

Isso que é esforço para cativar os adversários.

62% acham que Hillary venceu o debate. 27% acham que foi Trump.

Mesmo fantasiada de Dilma Rousseff, eu ainda votaria nela.

(Nisso que dá não ter um único candidato decente aqui no Rio nestas eleições. A gente fica brincando de votar em Curitiba, em Salvador, nos Estados Unidos).

Código de honra

 

1.
Estou estarrecido com a prisão midiática e espetaculosa do Palocci.
Tenho a convicção, inclusive, de que foi sem provas.

É mais uma atuação arrogante e prepotente dessa Polícia Federal golpista, que não levou em conta nem as questões humanitárias.

Sim, porque a mulher de Palocci tinha manicure marcada para o sábado que vem, e ele foi levado preso hoje, segunda-feira.

Que condições terá essa mulher de tirar a cutícula no sábado, sabendo que o marido está comendo pirogue e cachorro quente com duas vina, e passando frio em Curitiba?

2.
A operação de hoje se chama “Omertá”.

Eu, se fosse a Máfia, processava a Lava-Jato por associá-la, de alguma forma, com as práticas do PT.

A Máfia, todos sabemos, tem um código de honra.
Tem uma ética.
Um nome a zelar.

3.
Com a prisão do Palocci, a petezada deve dar um tempo na malhação do projeto do governo para o ensino médio (projeto que era do PT de Dilma, diga-se de passagem), e centrar fogo nas declarações do ministro da Justiça, que adiantou semana passada que haveria nova operação esta semana.

Isso, sim, é crime inafiançável.

#foraAlexandredeMoraes
#impítimãjá

4.
No debate entre os candidatos a prefeito do Rio, Índio da Costa, perguntado sobre ensino público, respondeu que não se deve bater em mulher.

Dilma Rousseff e sua técnica de só falar de golpe, qualquer que fosse a pergunta, fizeram escola.

5.
O PT tirou o vermelho e a estrelinha do material de campanha.

O bispo Crivella tirou a palavra “bispo” e qualquer menção à Igreja Universal.

Nessas horas é que a gente tem que dar o devido valor a gente como o Greca, que assumiu que quase vomitou quando botou um pobre dentro do carro.

Se eu não tivesse transferido meu título de Curitiba pro Rio, meu voto era dele (de novo).

6.
O prefeito mais popular das capitais é do PMDB (Teresa Surita, Boa Vista), com 72% de aprovação.

O mais impopular é do PT (Paulo Garcia, Goiânia), com 62% de reprovação.

E olha que esse casamento do PT com o PMDB durou mais que o do Brad Pitt e a Angelina Jolie.

7.
Lindbergh Farias foi chamado de ladrão e safado num restaurante da Barra.

Ele diz que estamos vivendo num ambiente fascista.

Como dizia um finado compositor petista, “Eu semeio vento na minha cidade / Vou pra rua e bebo a tempestade”.

Tchau, querido

 

Pronto.
Agora não dá mais tempo de nomear Lula para a Secretaria de Educação de Minas Gerais ou para a Secretaria de Governo da Bahia.
Pra Dilma ainda dá, mas até o Bessias levar o papel, capaz de ela também já ter sido denunciada.

Lula se defende afirmando que nunca dormiu no triplex.
Só falta dizer que também nunca viu o mar da varanda do sítio de Atibaia.

A Polícia Federal chegou ao chefe da quadrilha.
Vamos ver se a Polícia Militar chega também a quem matou – ou mandou matar – Celso Daniel.

Algo me diz que não vamos ter surpresa nenhuma.

#tchauquerido #lulaVergonhaNacional

~

Nada como uma boa argumentação:

Do advogado de Lula: O maior crime de Lula foi ter sido eleito democraticamente duas vezes.

Do Deltan Dallagnol, respondendo a uma pergunta sobre se não haveria motivação política nas investigações da Lava-Jato: São mais de 300 pessoas envolvidas nas investigações, e se um deles sair da linha, tem sua cabeça cortada (metaforicamente, é claro). Não há possibilidade de 300 pessoas, de diversas origens, da Procuradoria, do Ministério Público e da Polícia Federal, terem se unido para perseguir alguém.

~

Do advogado de Lula: O triplex não é dele porque a escritura está em nome da OAS.

Do Deltan Dallagnol & equipe: O triplex sempre esteve destinado ao Lula porque não foi colocado à venda (ao contrário de todos os outros apartamentos), foi reformado para atender ao gosto de Lula e Marisa, com móveis do mesmo fornecedor dos móveis do sítio, nenhuma construtora faz decoração personalizada para um apartamento que ainda não tem dono, há provas de que Lula e Marisa estiveram no local acompanhando a reforma, e as prestações deixaram de ser pagas quando a OAS assumiu o empreendimento.

~

Do Deltan & equipe: A OAS pagou o armazenamento dos bens de Lula por vários anos, gastando mais de um milhão de reais, e o fez utilizando uma cotação solicitada pelo Instituto Lula. Os bens guardados eram efetivamente do Lula (em algumas caixas havia a indicação de que deveriam ir para o “sítio” ou para a “praia”), mas a OAS mandou colocar no conhecimento que se tratava de material de escritório da própria OAS.

Do advogado de Lula a respeito: nem uma sílaba.

~

Palavra chave do Deltan Dallagnol: Propinocracia, tendo ao fundo uma cacetada de gráficos, números, dados e provas.

Palavra chave do advogado de Lula: Ilação, tendo ao fundo uma escritura do triplex em nome da OAS (e ninguém nunca disse que o triplex não estava em nome da OAS).

~

Pena mínima: 8 anos em regime fechado.

Espero que seja em Curitiba, onde um ano dura uma eternidade.

Tia

 

1.
PT convoca greve geral nesta sexta contra o golpe.

Se greve é quando o trabalhador para de trabalhar para protestar, nesta sexta devemos ter algo inédito: petistas pegando no batente em sinal de protesto.

2.
Tássia Camargo conclamou a população a fornecer uma cesta básica para que Dilma não morra de inanição, durante o seu exílio.

Não se sabe quantos quilos de farinha de mandioca, fubá, extrato de tomate, macarrão e achocolatado já foram entregues na guarita do Palácio da Alvorada.

Nem quantos dicionários a Tássia recebeu, para se informar sobre o que é “exílio”.

3.
Se o Janot mandou prender Sarney, Jucá e Renan por tentar melar a Lava Jato, o que é que José Eduardo Cardozo, Lula e Dilma ainda estão fazendo soltos?

4.
Duvido que a Hilary, quando for eleita, exija ser chamada de Presidenta.

Ou que o Clinton a deixe contratar um estagiário saradão.

5.
Neste ritmo de troca de ministros, até 2018 todos os corruptos do PMDB já terão tido seus 15 minutos de ministério.

6.
O japonês da Federal foi preso hoje em Curitiba.

Algo me diz que na lista de compras do Palácio da Alvorada deve ter 90 galinhas pretas, 1200 velas vermelhas, 6 caixas de Velho Barreiro, 50 kg de farofa amarela e quantidade não especificada de alguidares de boa qualidade.

7.
Que fim levou Graça Foster?
Por que Dilma gasta tanto em remédio tarja preta?
Quanto vale o passe de Tia Eron?
Rose Noronha – mito ou realidade?

Nesta sexta, depois da greve, no Globo Repórter.

Previsão do tempo

 

– Vamos agora a São Paulo falar com Maria Júlia Coutinho. Boa noite, Maju!
– Boa noite, Bonner, Renata, boa noite a todos.
– Como é que está a previsão de queda de ministros para hoje?
– Olha, Bonner, podemos ver aqui no mapa uma área de instabilidade muito grande na região do Ministério do Turismo.
– O Henrique Alves cai hoje ainda, Maju?
– Pois é, Renata, previsão não é predição, mas a Casa Civil já disparou o alerta, e novos corruptos estão sendo sondados para o cargo do Turismo.
– O que tem provocado tantas quedas, Maju?
– Essas nuvens carregadas são típicas da convergência interministerial do Planalto, quando a massa polar vinda de Curitiba interrompe as correntes de financiamento ilegal de campanha originárias aqui na região das estatais.
– Isso implica em queda de temperaturas, Maju?
– Não, Bonner, exatamente o contrário. As temperaturas tendem a subir com novas delações premiadas, inclusive podendo esta semana haver quedas de ministro em número superior às previstas para todo o mês de junho.
– Onde há mais possibilidade de precipitação ministerial, Maju?
– Nesta área verde no mapa, que compreende todo o Brasil, passando por São Paulo, onde pode cair o Kassab, e indo até a Bahia, onde há possibilidade de queda do Geddel Vieira.
– Onde faz tempo firme, Maju?
– Tempo firme mesmo, Bonner, só aqui na região do Ministério da Fazenda, onde o Meirelles vai brilhar o dia todo, e no Banco Central.
– Muito obrigado, Maju. Boa noite.
– Boa noite pra você, Bonner, boa noite, Renata. Até amanhã.
– Renata…
– Denúncias do Ministério Público apontam envolvimento de 35 ministros com propinas. Dilma exige avião, iate, champanhe no gelo, massagem nos pés e cinquenta toalhas felpudas. Lava Jato entra da milésima ducentésima quadragésima nona fase, a Operação Rapa do Tacho. Lula nega conhecer D. Marisa. No próximo bloco.

Temeridade

 

1.
Há duas maneiras de se fazer as coisas: a sensata e a temerária.

A maneira sensata de se governar um país após 13 anos de gestões corruptas e inconsequentes deveria ser, no mínimo, com firmeza e honestidade.

Temer preferiu a gestão temerária de mudar o nome da receita sem mexer nos ingredientes ou no modo de preparo.

Convocou notórios corruptos para um governo que tem como um dos desafios combater a corrupção.

Colocou no Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle alguém que age nas sombras contra a transparência, a fiscalização e o controle.

Sabedor de que os pés de barro dos governos Lula e Dilma foram o loteamento de cargos, loteou também os seus.

Em vez de ser refém do Presidente da Câmara, fez-se refém do Presidente do Senado, trocando 12 por uma dúzia.

Acabou com o Ministério da Cultura para, em seguida, ceder às pressões e recriá-lo – sem se dar conta de que o que querem de volta não é o antigo ministério, mas o antigo regime.

E luta, tanto quanto lutou Dilma, para deter o jato saneador da Lava Jato.

Os dicionários do futuro terão dificuldade em esclarecer que a expressão “gestão temerária” não deve seu nome à gestão Temer.

2.
Na Globo News, outro dia, o Ibsen Pinheiro e o Ricardo Senner comentavam que não procede comparar Temer a Itamar, o outro vice que assumiu após um impítimã.

O espelho de Temer é Sarney, um vice que chegou lá por uma rasteira do destino, com o país clamando por mudanças, e fez merda do primeiro ao último minuto do mandato.

Ibsen e Senner não usaram a palavra “merda”, naturalmente.

Mas deixaram claro que Temer e Sarney são da mesma escola política, a dos “conciliadores”, dos que deixam como está pra ver como é que fica, dos que mudam o que for necessário para que nada mude.

A favor de Temer, apenas o fato de não ter filha governadora nem bigode.

3.
O delegado carioca acha que não houve estupro.

Mesmo a lei 12.015 dizendo que ato libidinoso com menor de idade é estupro, ele acha que não houve estupro.

Mesmo diante de um vídeo em que a vítima aparece nua, desacordada, com homens se vangloriando de haver abusado dela, ele acha que não houve estupro.

Afinal, a vítima frequentava o morro e tinha contato com os traficantes. E já teria feito sexo em grupo antes. Logo, pode-se fazer com ela o que quiser, que não é estupro.

Ainda bem que nem todos os casos de violência contra a mulher são investigados pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.

4.
Passa por Renan Calheiros a escolha do novo Ministro da Transparência, Fiscalização e Controle.

Por que não mudam logo o nome para Ministério da Opacidade, Vista Grossa e Complacência?

5.
Depois de uma semana de chuvas, temporais e aguaceiros, me pergunto se isso aqui é mesmo a Bahia de Todos os Santos ou só de São Pedro.

Eppur si muove

 

1.
A Folha / UOL segue remoendo (sem engolir) a derrocada do PT.
Manchetes de agora:

“Gestão Geraldo Alckmin “pedala” e dá calote de R$ 333 mi no Metrô”
(isso considerando que, para a Folha, Dilma jamais pedalou).

“Deputado que ligou gays e índios a “tudo que não presta” quer ser ministro”
(o Lula também quis ser ministro, e estava ele próprio ligado a tudo que não presta).

“Direitos Humanos pode ir a deputada contra aborto”
(Dilma por acaso era a favor? O PT, em 13 anos, não teve tempo de descriminalizar esse procedimento?)

“Para Procuradoria, Temer é ficha suja e está inelegível, diz jornal”(quem é ficha limpa nos governos Lula e Dilma?).

É o interditado pela Vigilância Sanitária falando do mal higienizado.

2.
Vai ser muito divertido ver os petistas inundando as redes sociais de manifestos indignados contra a nomeação de investigados na Lava Jato para o ministério no inevitável governo Temer.

Como se Temer e Dilma não fossem a mesma face da mesma moeda.

3.
Descobri que a melhor forma de perder 7 kg em 20 dias, não é cortando massas, açúcar, álcool, carne vermelha e fritura, nem caminhando feito um vira lata todo dia.

É usando uma balança mal calibrada.

Me pesei ontem no Shopping da Barra e levei um susto: estava com 79 kg de novo.
Desembarquei aqui no Rio Vermelho e fui fazer a prova dos nove na balança do BomPreço.
Ou a gravidade aqui é maior, ou eu perdi 2 kg no ônibus da Barra pra cá, ou a balança daqui é mais camarada.

E eu achando que ia ficar rico com minha dieta de Salvador Hills.

(Nem tudo está perdido: sempre se pode fazer fortuna no ramo das balanças indulgentes).

4.
Recall é quando finalmente se reconhece que aquela bosta daquele produto que deu defeito desde o início tem que ser devolvido, mas só depois de causar uma tragédia – tipo assim um impítimã.

Retrofite é quando você moderniza e dá uma sobrevida a um equipamento obsoleto – tipo assim trocar umas peças do fisiologismo petista e transformá-lo no fisiologismo peemedebista.

Reengenharia é quando você, por causa da crise, do mercado, da concorrência, troca seis por meia dúzia, mas meia dúzia custando um pouco menos que seis – tipo assim botar o Hélder Barbalho de novo no Ministério dos Portos, e o Henrique Eduardo Alves de novo no Ministério do Turismo, só que não mais desviando recursos também para os petistas (2%) e, sim, só para o PMDB (1%).

Apigreide é quando você troca algo por uma versão melhor – tipo assim o Barbosa pelo Meirelles na Fazenda, quem quer que esteja na CGU pela Ellen Gracie. e o Mercadante por quem quer que seja na Educação.

5.
Janot manda, finalmente, investigar Dilma, Lula e José Eduardo Cardozo.

Como tão propriamente citou Dilma a respeito da tocha olímpica, a investigação “eppur si muove”.

Se não fizesse logo isso, o Janot, e não os nossos índios, é que estaria precisando de assistência técnica.

6.
Nunca entendi como é que não tinha alguém pajeando o Michael Jackson pra ele não gastar compulsivamente, não levar crianças pra cama ou não se entupir de analgésico.

Nunca entendi como é que não botaram uma babá do lado da Amy Winehouse para impedir que ela se drogasse em escala industrial ou bebesse até cair.

Nunca entendi como é que não arrumaram um guarda-costas para a Whitney Houston, para o Robin Williams, que os protegesse deles mesmos.

Nunca vou entender como é que deixaram (e ainda deixam) a Dilma falar de improviso.

7.
Daqui a pouco começa o julgamento do Cunha no STF.

É hoje que a Cláudia Cruz nem pisca.

Baile da Ilha Fiscal

 

1.
Foi só ficar sem uotiçape um dia e o Janot tirou o atraso.

Denunciou, numa tacada só, Bumlai, Edinho, Jaques Wagner, Berzoini, Jader, Delcídio, Cunha, Henrique Eduardo, Giles, Erenice, Palocci, Okamoto, Rondeau, André Esteves, Gabrielli e o chefe da quadrilha, o ubíquo Luís Inácio.

Não vejo a hora de aquele juiz sergipano maluco deixar o país umas 24 horas sem feicebuque ou instagrã – e aí o Janot denuncia Dilma, Ruy Falcão, Renan, Pimentel, Pezão, Cabral, Gleisi, Lindbergh, além de pedir a cassação do mandato de todos os deputados que mencionaram o nome dos filhos e da legítima esposa na votação do impítimã.

2.
O STF aceitou, por 10 x 0, a denúncia contra o Cunha.

E ainda dizem que toda unanimidade é burra.

Burra é a unanimidade de achar que toda unanimidade é burra.

3.
Michel Temer diz que “não vê impeditivo” em nomear investigado na Lava Jato para o ministério.

Algo me diz que ele precisa urgentemente de um oculista.
E dos bons.
Pode ser glaucoma, catarata, algo muito sério.
Estupidez pura e simples é que não é.

4.
O PSDB apresentou sua lista de “exigências” para apoiar o governo Temer: combate à corrupção, apoio à Lava Jato, responsabilidade fiscal, fim do fisiologismo, reforma eleitoral.

Só faltou exigir que o Sol não nasça à noite, que o mar seja salgado, que a cada ação corresponda uma reação igual e contrária, e que a Susana Vieira arrume um namorado com idade pra ser seu neto.

5.
Dilma capricha no seu Baile da Ilha Fiscal.

O desemprego atinge 11 milhões de brasileiros, e ela reforça a propaganda.

O déficit das contas públicas ameaça inviabilizar o país, e ela lança um pacote de bondades, espalhando minas terrestres no caminho do novo governo.

A nova equipe econômica detalha os cortes (cortar a gordura, a carne, remover alguns ossos) e ela exige Palácio, staff e avião para, às nossas custas, fazer oposição ao Brasil.

Pau que nasce torto não apenas morre torto – vira cinza torta.

6.
Não contente em abrir mão de um “ministério de notáveis” (até a bancada evangélica deve estar representada), Temer agora desiste de reduzir sua escabrosa quantidade.

Temer sabe que os Estados Unidos são aquele atraso tecnológico porque não têm um Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Não produzem cultura porque não têm um ministério da dita cuja.

São um fiasco nas competições esportivas porque não têm um Ministério do Esporte.

São aquele caos econômico porque não têm um Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Ninguém vai lá, porque não têm um Ministério do Turismo.

Negros e mulheres não terão jamais lugar na política ou nos negócios porque não há um Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Não produzem alimentos porque só têm o Ministério da Agricultura, não um de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e outro do Desenvolvimento Agrário.

Não exportam porque não têm o dos Portos.

Vivem todos na roça porque não têm o das Cidades.

Oremos para que o Temer, agora com uma base aliada maior que a do finado PT, não invente de criar mais ministérios e tornar o país ingovernável em nome da governabilidade.

Enquanto isso, num universo paralelo…

 

… o Presidento Aécio Neves luta desesperadamente para se safar do impítimã.

Já denunciou à OEA, à OTAN e ao Pacto de Varsóvia que é vítima de uma intentona comunista – apesar de o PT e o PSOL estarem roucos de dizer que não são comunistas, que o impeachment está previsto na constituição e que não faz sentido comparar o momento atual com o levante vermelho de 1935. Só a cor das bandeiras é a mesma, mais nada.

O Presidento acusa o antigo aliado e agora desafeto, Paulo Maluf (Presidente da Câmara, que responde a 127 processos, e nega ser turco e ter conta na Suíça) de agir por vingança.

Visivelmente alterado pelo uso de substâncias, Aécio deu margem a milhares de memes em que aparece saudando o inhame, dizendo que atrás de toda velha tem um gato e sugerindo estocar espirro.

Isso como se não bastassem a inflação galopante, o desemprego em massa, a perda do grau de investimento, a recessão profunda e a urucubaca geral que se abateu sobre o pais durante sua gestão (ou gestação, como ele insiste em dizer).

Os ânimos estão acirrados. Ary Fontoura escarrou num casal homoafetivo que o chamou de “empadinha” num boteco da Boca Maldita – e depois foi se defender no TV Fama.

Regina Duarte fez um discurso confuso em defesa do Presidento (a quem não apoia, mas chama de Presidento assim mesmo), e acabou atacada no Orkut por hordas de petistas e psolistas indignados com a fortuna que ela conseguiu captar de incentivo fiscal para fazer uma fotonovela.

O Supremo, com 8 juízes indicados pelos tucanos – inclusive um ex-advogado do PSDB – tem aceito as delações premiadas das empreiteiras envolvidas no Valão, o escândalo de corrupção que praticamente quebrou a Vale do Rio Doce, mais importante empresa estatal do país.

A Operação Lanternagem e Pintura, da Polícia Federal, já botou quase metade do PIB nacional na cadeia, e está nos calcanhares de Aécio e sua turma.

A deputada Grazi Massafera, empadinha radical, chamou os petistas de “canalhas” na votação do impítimã e, na saída, ainda mostrou o dedo médio para Gleisi Hoffman, que defende a intervenção militar.

Aécio está ainda mais isolado depois que não conseguiu nomear FHC para o Ministério da Defesa, a fim de livrá-lo de uma juíza de Sergipe (ou “da República de Aracaju”, como ele chama). FHC alega que a penthouse nos Champs-Élysées comprada por d. Ruth não é deles, que o filho que teve com uma amante não é seu, e que a amante é do José Serra – ele apenas a compartilha nos finais de semana. Ninguém acreditou.

Aloysio Nunes (que, apesar de ser o vice eleito, “não teve um voto sequer”, segundo os tucanos) já monta seu governo, e é chamado de traíra, judas e fura-olho pelo ministro da Casa Civil Geraldo Alckmin e pelo Advogado Geral da União, Ronaldo Caiado.

Os petistas dão risada quando algum tucano diz que “Aécio não pode ser deposto porque foi eleito democraticamente por 54 milhões de brasileiros” e “vocês não se conformam em ver rico andando de ônibus e branco usando o SUS”.

Quando parecia que nada poderia piorar, a nova Ministra do Turismo (a décima terceira desde a posse do Presidento) levou o marido, um ex-ator pornô que já teve o título de Mr. Big Dick, para fazer fotos de sunga no gabinete.

Lula, que se manteve quieto e nas sombras durante os 13 anos de governo tucano, evitando meter o dedo na política e fazer oposição, raramente se manifesta.

A última esperança do Presidento é seu fiel aliado Fernando Collor, Presidente do Senado e com ficha mais suja que poleiro de pato.

Se nada mais der certo, Aécio pretende convocar novas eleições e, com o que sobrou do Valão, do Itaipuzão, do BNDESão, do Eletrobrasão e do Furnão, eleger novamente FHC – garantindo, com isso, foro privilegiado para si próprio como ministro de uma das 97 pastas criadas durante seu governo.

Ninguém se lembra mais de quem seja Dilma Rousseff.