• contato@eduardoaffonso.com.br

Arquivo da tag Donald Trump

Rio second

 

Rio Second

Dear Mr. President,

We totally agree it’s America first.
Totally agree.
But Rio de Janeiro has to be second.
Rio second.

People mistake Rio with State of Rio.
Wrong!
Rio is part of State of Rio, but not State of Rio.
State of Rio is different thing.
Totally different.

Rio de Janeiro has Sugar Loaf, Copacabana Beach, girl from Ipanema.
Beautiful.
It also had Maracanã stadium, Boate Help and Sérgio Cabral.
No more.
So sad.

State of Rio has Maricá, Cachoeiras de Macacu, Little Kid and Little Rose Little Kid.
Total disaster.

You say America is great.
That’s real.
Not as great as Flamengo, Fluminense, Botafogo and Vasco, but America is great.
And will be great again, when all the others are extinct.
That’s true.

Our mayor is Shepard Marcelo Crivella, a millionaire like you.
Not so orange, but he is very white.
You will like him.
He is the heir of the Universal Church of the Reign of God.
He nominated his son, Marcelo Hodge, for Secretary.
He is Hodge, not huge.

Rio is like America, full of immigrants.
Not only paraíbas from Piauí and Ceará, but also from Madureira, Olaria and Bangu.
Losers.

Madureira is our México.
Check it out.
Rio has nothing to do with it and its Mercadão.
Never had.

All our mayors plan to build a wall, not on the Madureiran border, but in Rocinha.
Great wall.
Huge.
But drug dealers refuse to pay for the wall.
It’s a disgrace.
Total disgrace.
And it would make it difficult for little maurícios from São Conrado and Zona Sul to buy marijuana.
Everyone says so.

Rio is exciting.
We have shootings on our streets every day .
You will love it.

Also have a Statue of Liberty in Barra da Tijuca.
You would hate it as much as we do.
That’s true.

In February we have Carnaval.
Insane.
Over-rated.
Lots of people pissing in the streets.
Huge blocks, like Cordão of the Bola Preta and Block of the Preta.
Not many whites there.
Zero.
But they are huge.
More people than in your inauguration.
Most of them drunk and trying to grab bitches by the pussy.
Exactly the way you do.
So carioca, so fun.
You will love it.

And we have the mulatas, with large butts.
Extra large.
The largest in the world.
But don’t mention the word “mulata”.
It’s forbidden now.
If you say “mulata” you are fired.

We have a Christ on top of a hill.
It’s huge.
The very best Christ on top of a hill in the world.
The very best.
It’s spectacular.
Believe me.

We have 4 subway lines which are a single line.
That’s amazing.
And you have to leave the train, go uspstairs, walk a lot, go downstair to take the next train in the same line.
Not so good.

We also have the most corrupt government in our history.
One governor is in prison.
His wife is in prison.
His friend and the greatest millionaire in this country is in prison.
And the new governor, Mr. Big Foot, is to be in prison soon.
That’s true.
All due to judge Marcelo Bretas.
Good man.
Tough guy.
He will make Rio safe again.
Fantastic.

Newspapers say there’s a zica epidemy.
Wrong.
Fake news.
We had factoides long before you created the alternative facts.

But Rio is great.
Believe me.
Huge problems.
Really huge.
But also the most violent police, the most corrupt politicians, the most dangerous drug dealers and the most expensive coconuts in the world.

America first, Rio second and you get 10% of commission.
Promised.

Não verás país

 

Antigamente era a Europa que se curvava ante o Brasil.
Agora são os Estados Unidos.

O Departamento de Justiça da terra do Trump declarou que a atuação da Odebrecht e da Braskem é “o maior caso de suborno da História”.

Uma merreca de um bilhão de dólares indo para o bolso de políticos e executivos não só do Brasil, mas da Argentina, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Guatemala, México, República Dominicana, Angola, Moçambique e outros menos votados.

A maior propina foi paga em Moçambique, mas a melhor relação custo x benefício foi aqui mesmo. Investiram 349 milhões de dólares em doações não contabilizadas, obras em sítios etc, e faturaram 1,9 bilhão. Melhor que narcotráfico e lenocínio.

“Maior caso de suborno da História”.

Tem coisas que só o PT faz por você.

~

O povo tanto pediu intervenção militar que a Marinha resolveu gradear a Orla Conde, no Rio.

Se insistissem mais um pouco, a Aeronáutica era capaz de interditar o Sambódromo e o Exército mandava pintar de branco os troncos de todas as árvores da Floresta da Tijuca.

~

Crivella está saindo melhor que a encomenda.

Nomeou uma tucana para a Assistência Social e a filhota do Garotinho para o Desenvolvimento.

Para a Educação, indicou um ex-terrorista. E para a Ordem Pública, o coronel que prendeu o tal ex-terrorista durante a ditadura.

Economizou uns trocados mandando o seu vice fazer dupla jornada e acumular a Secretaria de Transportes.

Botou a neta de D. Zica e de Cartola na Cultura, e para a Conservação e Meio Ambiente escolheu um pastor que acredita no criacionismo e acha que deviam ensinar Adão, Eva, maçã e cobra nas aulas de Ciências.

Agora, sim, o Rio sai da lama.

Bom perdedor

 

Primeiro veio a avalanche de críticas inconformadas à eleição do Trump.

Depois, a tsunami de críticas inconformadas a quem criticou inconformadamente a eleição do Trump.

Nessa segunda leva, a tônica dos argumentos era que a eleição acaba quando termina, que venceu o que ganhou, que a regra era aquela e que agora é tudo mimimi de perdedor.

Como assim? Se tenho direito de cantar vitória quando ganho, tenho na derrota o mesmo direito a todo mimimi, a todo chororô.

Então não posso chorar porque alguém morreu, já que meu choro não adianta nada, não muda nada?
Choro sim, o choro é meu, é o que me resta.

Aceitar não dói menos: dói mais, e mais fundo.
Quem aceita não sou eu, é o tempo.
E o tempo precisa de tempo pra aceitar.

Tenho direito a não me conformar, a negar enquanto puder.
Bater no peito, arrancar cabelos, chutar portas, encher a cara.

Não sou obrigado a acatar resignado a vitória do Trump, da Dilma, da mediocridade, do Flamengo, da parte contrária no processo que movi.

Não tenho que me submeter passivamente ao fracasso no mestrado, ao pé na bunda, à recusa do banco em aumentar o limite do meu cheque. À eliminação da Pryscilla no Masterchef, ao Nobel dado ao Bob Dylan, à impunidade do Lula, ao final da novela, à invasão das escolas.

Não tenho que me sujeitar a essa chuva no feriadão, a essa dor nas costas, a esse infinito enrolar de pés nos tapetes das etiquetas, a essa ruga que caçoa de mim em cada espelho, a essa certeza da morte.

Vencer é fácil. Não demanda nenhum dom, não exige compostura, decência, critério.

Perder é que é uma arte. A arte de se recompor a partir de restos, habitar uma ruína, sobreviver ao desastre.
Perder tudo, menos a dádiva da indignação – isso, sim, é o grande mistério.

Enquanto isso, na Casa Branca…

 

– Bom dia, Mr. President.
– Você está demitido!
– Mas eu só dei bom dia…
– Estou treinando pra próxima reunião do G4.
– Senhor, o senhor não pode demitir os presidentes de outros países…
– Por que não? Se eu consegui me eleger presidente dos Estados Unidos, eu posso tudo.
– Bem, chegaram aqui os telegramas de congratulações pela vitória. Tem o do presidente do Brasil…
– De onde?
– Brasil. América do Sul. Samba, futebol, Lava-Jato…
– Existe uma América do Sul?
– Sim, Mr. President.
– Aquilo ao sul da América não se chama México?
– Não, Mr. Presidente. Fica depois do México. Mais embaixo.
– Não existe nada abaixo do México. Você está demitido!
– De verdade ou… ?
– Estou treinando para quando encontrar o Papa.
– Antes do encontro com o papa, temos que discutir o aumento de salário das estagiárias.
– Você contratou as modelos eslavas que eu mandei?
– Sim, Mr. President. Louras, peitudas e sem domínio do idioma.
– Tranque a Melania na Trump Power e solte as estagiárias.
– Elas querem adicional de periculosidade e de insalubridade para trabalhar na Casa Branca.
– Elas estão demitidas!
– Até a sobrinha do Putin?
– Não, essa você deixa. O Vlad ficou magoado depois que o Snowden contou pra ele que eu tenho perfil no Tinder. Estamos meio estremecidos. Nada como uma nova guerra nuclear ou uns bombardeios conjuntos na Síria pra gente fazer as pazes.
– E tem a questão dos imigrantes.
– Quero todos expulsos até o meio-dia. América para os americanos!
– Shakira, Ricky Martin, Christina Aguilera, Jennifer López, Antonio Banderas, todos já foram embora hoje cedo. Os italianos devem sair até a hora do almoço: Madonna, Di Caprio, Travolta, Stallone, De Niro, Al Pacino, Scorsese… Depois vão os irlandeses, os árabes, os judeus, os ingleses, os africanos, os alemães…
– Os alemães também??
– O senhor disse que queria a América para os americanos, e que ia botar os imigrantes pra correr.
– Quem vai ficar, então?
– Os apaches, cherokees, navajos, comanches, sioux…
– Você está querendo dizer que…
– Sim, Mr. President. Suas malas estão no Salão Oval. You are fired!

Botão vermelho

 

1.
O mundo inteiro devia votar nas eleições americanas. E nas russas.

Se um maluco como o Trump ou um maníaco como o Putin assumem o comando de um arsenal atômico ao mesmo tempo, não são apenas Washington e Moscou que viram cinza – somos todos incinerados por tabela.

Putin está no poder, mas do lado de cá tem o Obama.

Quando aqui tinha o Reagan, lá estava o Gorbatchov, pra equilibrar.
Por isso continuamos vivos, porque quando só um quer, dois não destroem o planeta.

Não faz muita diferença quem esteja no poder no Canadá ou na Noruega. Mas a humanidade inteira tinha que poder dar pitaco nas eleições em países com acesso a bombas atômicas.

Se um dos princípios da democracia americana é não haver taxação sem representação – ou seja, só pago imposto se puder escolher quem cria os impostos – por extensão, só devemos aceitar correr o risco de ser aniquilados numa hecatombe nuclear se pudermos eleger o dono do dedo que aperta o botão vermelho.

Já imaginou a Dilma com um poder desses nas mãos? Vai que dá um dos seus célebres pitis com murros na mesa e a coisa dispara por engano.

Já pensou um Maduro, um Duterte (é o psicopata da vez, nas Filipinas), um Bashar al Assad, com o poder de fazer com o planeta o que o PT fez com o Brasil, arrasando tudo?

Que o Texas votasse em peso no Trump seria o de menos. O resto do mundo, que é bem mais sensato, votaria na Hillary e a gente tocava o bonde.

2.
Freixo diz que não aceita apoio de criminoso. Tá certo.

Mas peralá, ele não recebeu de braços abertos o apoio de Lula, Jandira, Lindbergh?

Ou pra ele só miliciano é que é bandido?

3.
Crivella padece da síndrome de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Quando era bispo da Universal e se dedicava a tomar dinheiro de pobre e demonizar gay e preto, parecia não dar a mínima para o que pensavam das estupidezes que ele falava a escrevia.

Agora que virou candidato, alega que eram traquinices de uma criança imatura de 42 anos, que mudou da água (benta, a R$ 50,00 o fraco de 50ml) para o vinho (francês, desses bem caros, que não devem faltar em sua adega de milionário).

Vai ser eleito, infelizmente, e levar adiante o plano do seu tio e mentor Edir Macedo de colocar os fundamentalistas no poder.

A História tem exemplos de sobra de que isso nunca acaba bem.

4.
No mais, não terão sido vãos os embates sanguinários entre Hillary e Trump.

A carnificina entre Freixo e Crivella.

O conflito implacável entre a narrativa petista e a realidade.

Estamos, finalmente, prontos para o aniversário do Guanabara, que começa hoje.

A escolha de Sofia

 

1.
Parece que foi surpresa geral os colombianos terem votado “Não” para o acordo de paz que poria fim a 52 anos de guerra no país.

Afinal, não querem o fim da guerra? Se acostumaram a ela? Vão sentir falta se ela acabar?

Imagine se, no final da Lava-Jato, a Venezuela resolve intermediar um acordo de paz entre o PT e o Brasil, após 13 anos de confrontos.

O PT se compromete a renunciar à corrupção, ao caixa 2, entregar as armas (os cargos que ainda ocupa), devolver parte do que foi roubado, pedir desculpas pelas mortes (Celso Daniel, todos os que não foram atendidos nos postos de saúde sucateados, vítimas da violência urbana etc) e, em troca, os petistas são anistiados e podem voltar a participar da vida pública, transformando a quadrilha em partido político.

Sei não, acho que eu também votava contra.

2.
Al Capone barbarizou Chicago, e foi pego pelo Imposto de Renda.

Trump barbarizou geral, e acaba de ser pego pelo Imposto de Renda.

Se eu fosse a Polícia Federal, dava um tempo na Lava Jato e começava logo a Operação Leão.

3.
O primeiro colocado na eleição para prefeito do Rio não foi o Crivella, mas a Abstenção.

De cada 4 cariocas, um tinha mais o que fazer naquele domingo nublado em que nem deu praia. (Pra quem não é muito bom em frações e prefere números exatos, foram 24,28% – a maior taxa de abstenção do país).

Se somar quem não foi votar com quem foi e votou branco ou nulo, dá 38,1%. (Pra quem não gosta de percentuais,e prefere frações, é mais que um terço, ou 1 em cada 3).

É gente pra caramba que não se sentiu representada pelos candidatos escolhidos pelos partidos políticos para nos representar.

Sinal inequívoco de que esses candidatos – e seus partidos – não nos representam.

4.
Alguém ainda tem saco para vídeo de flash mob?

E para as caras e bocas do público e dos jurados do X Factor?

Alguém ainda aguenta o Paulo Gustavo vestido de mulher fazendo papel de histérica?

E político botando a culpa na mídia e na crise?

Alguém acha mesmo que o Brasil está se tornando “mais conservador e de direita” quando é óbvio que estamos nos lixando para quem é destro ou canhoto, e o que não aguentamos mais é a roubalheira, seja lá de quem for (e, no caso, é da esquerda)?

5.
Fui almoçar ontem no Évora, do BarraSquare.
O troco veio errado.

– Você me devolveu R$2,00 a mais.
– Não senhor. O senhor tem desconto.
– Desconto? Por que?
– Terceira idade.
– (Silêncio sepucral do lado de cá, enquanto elaboro o que acabei de ouvir e me pergunto se entendi bem).
– A gente não pergunta, mas às vezes a pessoa não parece, e é. Aí, por via das dúvidas, eu prefiro dar o desconto.

Ontem foi o primeiro dia do resto da minha vida.
E bota “resto” nisso.

6.
Antes de votar no Crivella para barrar o Freixo, pense nos pátios de milagres das igrejas pentecostais, com encenações de curas e exorcismos feitos por charlatães. Pense no dízimo e nas doações arrancados de quem mal tem o que dar de comer aos filhos, mediante promessa de que Jesus pagará com juros e correção monetária. Pense no obscurantismo, na manipulação, na intolerância.

Antes de votar no Freixo para barrar o Crivella, pense nos blequibloques mascarados depredando o que encontram pela frente e atirando rojões (se algum cinegrafista morrer, faz parte da luta dos mascarados por uma sociedade mais justa). Pense na doutrinação ideológica nas escolas. Na descriminalização da criminalidade. Pense no obscurantismo, na manipulação, na intolerância.

A expressão “escolha de Sofia” já pode ser chamada, de agora em diante, e com mais propriedade, de “escolha de carioca”.

Cringe worthy

 

Exercitando a isenção

Eu não sou a favor do Estado Islâmico, mas acho que há muita islamofobia envolvida nessa discussão, e se dá muita ênfase às supostas decapitações, aos supostos atentados, e não se valoriza a importância que o movimento tem no renascimento da cultura árabe como alternativa ao eurocentrismo e à decadente cultura de massa norte-americana.

Eu não sou a favor do Trump nem da deportação maciça de imigrantes ilegais, ou da construção de um muro bem alto na fronteira com o México ou mesmo na restrição à liberdade de culto, mas acho que a Hillary não tem condições de governar os Estados Unidos.

Eu não sou a favor da execução sumária, sem julgamento, de traficantes e usuários de drogas, como está acontecendo nas Filipinas, mas acho que agindo dentro das leis a sociedade jamais conseguirá resolver esse problema.

Eu não sou petista, nem apoio a corrupção, mas acho que a força tarefa pegou pesado com o Lula, um líder político importante, com um histórico de lutas democráticas, de origem humilde, que teve um câncer, e merecia um pouco mais de respeito, com mais provas e menos convicções.

Exercitando a futurologia

Com a eleição (quase certa) do Marcelo Crivella, o Rio passará por grandes transformações.

O ISS (Imposto Sobre Serviços), com alíquotas de 3 e 5%, será extinto. Em seu lugar, será criado o DSS (Dízimo Sobre Serviços) que, como mandam as Sagradas Escrituras, será de 10%.

A Praia da Macumba será rebatizada Praia do Louvor.
A Avenida Rio Branco virará Avenida Rio Jordão.
A Glória passará a se chamar Ô Glória!

O Código de Obras será substituído pelo Velho Testamento.
Os flanelinhas serão substituídos por obreiros.
O SUS será substituído por sessões de milagres e exorcismo.

As escolas desfilarão na Sapucaí cantando gospel enredo, com a Ala das Samaritanas e varoas ungidas louvando no pé, e apresentarão temas como “Moisés no reino encantado do Mar Vermelho”, “Lendas e mistérios do Pentateuco” e “Sonhar com Deuteronômio dá pombinha do Espírito Santo na cabeça”.
A dispersão será na Praça do Apocalipse.

O Cristo Redentor ganhará um retrofit, adquirindo as feições do Edir Macedo.

As alternativas são Jandira, Freixo, Molon, Índio, Pedro Paulo e o filhote do Bolsonaro.
Só Jesus na causa!

(O Ministério da Saúde adverte: A primeira parte desta postagem contém ironia)
(O Ministério do Avivamento do Fogo do Milagre Quadrangular adverte: A segunda parte também)