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Tchêxit

Se o Sul, excitado com o que aconteceu na Catalunha, resolver se separar do Brasil e partir para a carreira solo, vai ser muito bom e muito ruim.

Muito bom porque vamos poder inundar o instagram, o feicebuque e o tinder com fotos feitas no exterior a cada vez que formos pular carnaval em Floripa, usar luva e cachecol em Gramado ou encher a cara na Oktoberfest.

E muito ruim porque, até sair um tratado de extradição, Lula estará a salvo de ir pra cadeia em Curitiba – ou poderá alegar perseguição por parte de uma potência estrangeira (ainda que chamar o Paraná de potência envolva um certo exagero).

Será muito bom porque vai dar pra ostentar no restaurante pedindo vinho importado – mesmo que seja o bom e velho Sangue de Boi.

Porém vai ser muito ruim porque a Giselle Bünchen não poderá mais ser considerada um orgulho nacional.

Mas vai ser bom porque nos livramos da Luciana Genro, da Gleisi Hoffman, da Maria do Rosário e do Requião.

Por outro lado, é ruim, porque vai ficar mais complicado trazer muamba do Paraguai, o que deve encarecer o uísque, o Amarula, os celulares e as calças Fiorucci.

Todavia vai ser bom porque a Maju não vai mais anunciar frentes frias chegando da Argentina – elas chegarão ao Brasil bem mais morninhas, vindas de Londrina, Chapecó e Ponta Grossa.

Entretanto, vai ser péssimo, porque, sem a contribuição da friaca sulista, a temperatura média no país deve subir drasticamente, afetando inclusive o aquecimento global.

Contudo vai ser ótimo, porque com o Grêmio fora do campeonato brasileiro, o Cruzeiro (meu time de coração) pula pro terceiro lugar e o Botafogo (meu time de adoção), para o quinto.

Cairão dramaticamente as chances de uma loura legítima ser Miss Brasil, teremos que substituir os gaúchos nas piadas machistas e o Rio Grande do Norte vai poder ser só Rio Grande. Nada disso é bom nem ruim, é só uma constatação.

Ah, e com Dilma e os Engenheiros do Hawaii  precisando de visto, é só botar um cônsul linha-dura em Porto Alegre e tá resolvido.

Golpe

 

É interessante o fato de os petistas utilizarem o termo “golpista” para designar o governo Temer, em vez de “ilegítimo”.

Deve ter aí o dedo de algum marqueteiro.
“Golpe” é mais fácil de pronunciar que “ilegitimidade”.
Até petista consegue.

Acontece que o governo Temer não é golpista – mas é ilegítimo.

Temer foi eleito, juntamente com sua antiga aliada Dilma Rousseff, através de uma campanha movida a “caixa 2” (eufemismo para “propina”, “jabá”, “pixuleco”).

Foi com dinheiro desviado (eufemismo para “roubado”) que a chapa Dilma-Temer comprou horário político (“gratuito”) na televisão, fez comício, molhou mãos, confeccionou camiseta e santinho, adquiriu votos e sanduíches de mortadela.

Temer jamais rompeu com Dilma – apenas se descolou dela – e prova disso é que nunca denunciou seus crimes (de boa parte dos quais ele tinha plena ciência e com os quais compactuou em seu silêncio).

Não deveriam ter impichado só a presidenta, mas também o seu vice nada decorativo.

PT e PMDB eram as duas margens do mesmo rio – e não se tem notícia de rio algum de uma margem só.

Por isso a inconveniência de se falar da ilegitimidade do Temer, do fato de ele ter chegado lá através do abuso do poder econômico. Porque na outra margem de tudo isso está o PT, o sócio majoritário da organização criminosa.

O governo Temer é tão ilegítimo quanto era o de Dilma.

Chamá-lo de golpista é golpe.

A mãe de todas as perdas

 

Certa feita (sempre quis começar um texto com “certa feita”, e finalmente consegui), uma famosa filósofa búlgara disse “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem quem perder, vai ganhar ou vai perder. Vai todo mundo perder.”

Foi injustamente criticada pelos não muito afeitos à dialética, aqueles adictos a platitudes lógicas, incapazes de entender que ela apenas repercutia e lapidava algo já esboçado por Camões (“amar é cuidar que se ganha em se perder”).

Nas eleições de 2018, veremos que a sábia búlgara profetizava certo por raciocínios tortos. Com a ligeira diferença que quem ganhar ou quem perder não vai ganhar e vai perder – exceto um, que vai perder e vai ganhar.

Lula vai ganhar de qualquer jeito.

Se for preso (oremos!) ou impedido de concorrer por já ter sido condenado por qualquer dos seus inúmeros crimes, ganhará o status de vítima, de perseguido político, aquele que teria sido eleito com 120% dos votos válidos, mas não deixaram.

Poderá apoiar alguém (seu fiel capanga Ciro Gomes, por exemplo) ou lançar um poste (quem elegeu Dilma elege qualquer coisa, até um Haddad). Ciro ou poste ganhando, Lula chefiará o bando mesmo estando trancafiado na Papuda, como tantos chefes de facção. Se seu candidato perder, terá sido vítima de um processo infame movido pelas forças reacionárias etc etc etc.

Se não for preso nem condenado e puder se candidatar, Lula já terá ganhado por se provar acima da lei. Será o próprio “comigo ninguém pode”.

Perdendo a eleição, não aceitará o resultado. Acusará os outros candidatos (sejam quais forem, inclusive o já não tão fiel capanga Ciro Gomes) de haver recorrido aos expedientes dos quais ele próprio foi useiro e vezeiro. E se proclamará campeão moral do pleito.

Mas se ganhar (pé de pato mangalô treis vêis!), aí, sim, ouviremos que venceu não só uma disputa eleitoral, mas a mãe de todas as eleições. Que teve contra si um golpista, um juiz com sede de vingança, uma mídia vendida, hordas de coxinhas batedores de panela, a zelite, os lacaios do imperialismo – e, ainda assim, triunfou, porque é o ungido.

Lula ganhando – e ganhará, ganhe ou perca -, perdemos todos.

Perdemos porque ele terá conseguido transformar um país numa rinha de galos, reduzindo o debate político ao “quem não está comigo está contra mim”, fazendo de parte da intelectualidade uma vanguarda do atraso, banalizando o mal da corrupção. E terá feito germinar a semente de uma maldição análoga ao peronismo, que assombrará o país ainda por muitas gerações, contaminando a política, as instituições, o pensamento.

Com Lula no jogo, quem ganhar e quem perder, inclusive quem ganhar e quem perder, vai ganhar e vai perder. Porque Lula vai ganhar, ganhando ou perdendo. E todo mundo vai perder.

E o pior nem é isso: derrota mesmo vai ser a gente ter que enfiar a viola no saco e admitir que Dilma, pelo menos uma vez na vida, e ainda que involuntariamente, disse algo que fazia sentido.

Nenhuma verdade, novecentas mentiras

 

O que é a mentira? perguntaria um personagem de Shakespeare, possivelmente erguendo uma taça de vinho com veneno.
E não responderia.
Iniciaria um solilóquio, como convém a um personagem shakespeariano – ainda mais se for desses que erguem taças de vinho envenenado, seja para sorver um gole e desabar do trono na cena final, seja para entregá-la ao irmão, logo no primeiro ato.

Mentira é tudo aquilo que contradiz o que penso, o que digo, o que sinto– mesmo quando minto. Ou principalmente quando minto.

A mentira não se opõe à Verdade, mas à minha verdade. E poucas coisas estão mais distantes da Verdade que as verdades de cada um.

É mentira que Lula tenha um sítio na pequena e pacata cidade de Atibaia. Ele passa lá, com a família, os finais de semana – mas há quem passe fins de semana na praia, e nem por isso a praia se torna sua propriedade.

Há quem mande flores e um cartãozinho para agradecer a hospedagem, mas a mulher de Lula preferiu mandar fazer uma obra de um milhão de reais, em agradecimento pelos domingos à beira do lago, com direito a pedalinhos.

É mentira que tenha um apartamento de três pavimentos no Guarujá. Esteve lá, gostou da vista, não gostou do resto, e a empreiteira, por conta própria, mandou reformar tudo, inclusive trocando uma sauna por um depósito porque a primeira dama não queria sauna. Sabe como é, o mercado imobiliário não anda muito aquecido, e estão fazendo tudo pra agradar aos clientes em potencial. Até mesmo obras de R$ 700 mil.

É mentira que tenha pedido uma mesada para o irmão. Se a ex maior empreiteira do país costuma distribuir essas benesses , talvez para purgar os próprios pecados ou para se habilitar junto à Receita Federal como instituição filantrópica, problema dela.

É mentira que tenha solicitado um empurrãozinho na empresa do filho ou um apigreide na do sobrinho. É promissor o filão do futebol americano aqui na terra do Dunga, e natural que se convide para parcerias em grandes obras no exterior, com um aporte de 20 milhões, uma empresa sem qualquer experiência no ramo e aberta há poucos meses.

É tudo mentira.
Que o Rio São Francisco não tenha sido transposto.
Que tenha havido caixa dois nas campanhas.
Que se soubesse dos desvios bilionários em estatais.
Que bilhões tenham sido drenados para ajudar parceiros ideológicos na Venezuela, em Cuba, Equador, El Salvador.

É mentira que alguma nomeação tenha sido tentada para dar a alguém um foro que o livraria do Moro.
É mentira tudo que arranhe a narrativa mítica do nordestino pobre de mãe analfabeta que etc etc etc

Uma mentira não se mantém de pé se não tiver a seus pés um séquito de outras mentiras, cada uma das quais necessitará (a isso se chama “márquetim de rede”) também a sua própria teia de mentiras.

Só na brincadeira virtual é que há muitas verdades e uma única mentira.

Nove inverdades e uma desmentira

 

1. Fui eleita com 54 milhões de votos. Meu vice não teve nenhum.

2. Nunca soube de qualquer malfeito na Petrobras.

3. Eu e o presidente Lula sempre tivemos um ótimo relacionamento.

4. Jamais conversei com Mercadante sobre propina.

5. Encontrei Marcelo Odebrexe uma única vez, no banheiro do aeroporto no México, onde eu tinha ido tirar água do joelho. Não entendi nada do que ele falou, porque ele fala muito enrolado.

6. Minha campanha não teve caixa 2.

7. A dieta Ravenna me deixou mais jovem.

8. Não falo da minha vida afetiva, mas posso garantir que não saúdo a mandioca faz tempo.

9. Eu quis nomear o presidente Lula pra Casa Civil porque ele tinha perfil para o posto.

10. Não pedalei, não quebrei o país, jamais usei casaquinho vermelho e o impítimã foi golpe.

Código de honra

 

Muito instrutivos os vídeos da delação do Marcelo Odebrecht.

Descubro, estarrecido, que:

1. Dilma sabia de tudo.

2. Dilma tratava desse “tudo” em reuniões que duravam horas, na biblioteca do Palácio da Alvorada.

3. Graça Foster sabia de tudo.

4. Graça Foster ficou puta quando soube que havia desvio de verbas da Petrobras para o PMDB.

5. Graça Foster só se acalmou quando soube que havia desvio de verbas da Petrobras também para o PT.

6. Lula sabia de tudo.

7. “Italiano” não era só o codinome do Palocci nas planilhas. “Italiano” era uma conta, gerenciada pelo Palocci, através da qual a propina era distribuída a outros petistas. Em Português, é o que se chama de “hub”.

8. Foi do hub “Italiano” que Paulo Bernardo sacou dinheiro para eleger sua senhora, Gleisi Hoffman.

9. O núcleo duro do governo Temer só não pode ser considerado uma máfia porque a máfica tem um código de honra.

10. Marcelo Odebrecht não sabe a diferença entre “aquém” e “além”.

11. Marcelo Odebrecht pronuncia “interím” (oxítona) em vez de “ínterim” (proparoxítona). E “prepôstos” em vez de “prepóstos”.

12. Nas eleições, devíamos pular os intermediários e votar não pra Presidente da República, mas pra Presidente da Odebrecht.

Moeda forte

 

1.
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é um homem bule, ou seja, de pouca fé.

Passou a vida convencendo os miseráveis mundo afora – até na África, onde a miséria é ainda mais miserável – a doar o pouco que tinham para garantir não só um imóvel do Minha Casa Minha Vida-Após-a-Morte lá no céu, como a cura de todos os males – principalmente os incuráveis – deste lado de cá do túmulo.

E quando lhe aparece um tumorzinho na próstata, ele esquece os prodígios que viu nos altares dos teatros, ops, dos templos da família e vai se tratar com medicamentos mundanos e, se necessário, cirurgia.

Para que servem, então, a água milagrosa do Rio Jordão? O sabonete ungido? O paninho com o sagrado suor do pastor?

Casa de obreiro, espeto de pau.

2.
O juiz Marcelo Bretas não estava errado ao conceder o benefício da prisão domiciliar à ex-primeira dama Adriana Ancelmo.

Errados estão todos os outros juízes, que negam sistematicamente esse direito às demais presidiárias com filhos pequenos. Principalmente àquelas que não podem pagar babás e governantas uniformizadas.

O erro do juiz Marcelo Bretas foi crer que arrancar da tomada os telefones e cortar o uaifai bastariam para que a esperta esposa do Sérgio Cabral ficasse quietinha em casa, fazendo as unhas, regando as plantas, vendo novela ou ajudando no dever de casa das crianças, como alguma esposa-modelo dos anos 50.

Se não consegue impedir que o crime organizado continue na ativa, falando livremente ao celular em Bangu, ia conseguir isso num apartamento de luxo no Leblon?

3.
A polícia apreendeu 40 milhões de bolívares (moeda venezuelana) numa favela carioca.

Não se sabia como o dinheiro chegara ali, nem para quê.

Seria para comprar armas na Venezuela? Drogas?
Mas por que bolívares – e não dólares, euros, reais, moedas mais valorizadas e de maior aceitação?

Sabe-se agora que as cédulas seriam apagadas com uma lavagem química e só se aproveitaria o papel para imprimir dólares, euros, reais – transformando-se, aí sim, em dinheiro de verdade.

Quer melhor metáfora para o que o Hugo Chávez e Nicolás Maduro fizeram com a economia de um dos maiores produtores de petróleo do mundo?

4.
O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil estagnou.

Permanecemos atrás até da Venezuela, que tem 81,8% da população na miséria – sendo 51,5% em pobreza extrema.

Nada que não possa ser resolvido com o retorno do PT ao poder, em 2018.

Lula sabe muito bem o que não deu certo no governo Maduro (Maduro é a Dilma do Chávez) e o que deu errado no governo Dilma (Dilma é o Maduro do Lula).

Com Lula lá de novo, só não chegaremos aos 100% de miseráveis porque tem sempre os 10% de petistas, filopetistas e isentões que vão se dar muito bem.

Os venezuelanos se preparem morrer de inveja (se não morrerem antes de fome) porque não podem ressuscitar a jararaca deles, e nós, pelo visto, podemos dar uma sobrevida à nossa.

E aguardem que, tudo correndo como apregoa a Folha de São Paulo, em breve haverá apreensão de milhões de reais em alguma favela paraguaia.
Grana que eles irão lavar para imprimir guaranis.

Fraco

 

1.
O comunicado oficial da BRF (leia-se Sadia e Perdigão), lido ontem em horário nobre na TV e publicado hoje nos jornais, parece ter sido escrito pelos intelectuais que querem a volta do Lula.

É gente que não sabe distinguir “esse” de “este” (“O que vai pautar ESSE comunicado”) e despreza o subjuntivo (“A BRF não compactua com nada que COLOCA em risco…”).

Os intelectuais do Lula e os marqueteiros do frigorífico também são ótimos em promessas inexequíveis: segundo o comunicado, os 100 mil colaboradores da RBF “comunicarão pessoalmente aos consumidores qualquer desvio individual e isolado”.

Ou vão de porta em porta avisando os 200 milhões de brasileiros sobre a carne podre, vencida e aditivada com ácido ascórbico e papelão, ou assumem que não há desvios individuais e isolados, e que tudo é obra de uma quadrilha.

2.
A mulher do Cabral ganhou direito a prisão domiciliar porque tem filhos (de 11 e 14 anos) para cuidar.

Essa liberalidade será estendida a todas as presidiárias do país, ou é algum tipo de foro privilegiado que a gente ainda desconhecia?

3.
A escritora Simone Campos (alguém já leu? já ouviu falar?) vive num mundo de fantasia e arrogância, típico da esquerdinha.

Conta que quando o marido viajou para os Estados Unidos, instauraram (assim mesmo, com sujeito oculto) um processo de impítimã; quando ele pousou de volta, “já tinham botado um retrato de velho no lugar”.

Isso não é gerontofobia? Dilma por acaso ainda era impúbere, ou já havia deixado a menopausa pra trás há muito tempo?

E ainda reclama do seu doutorado na UERJ, que não anda porque “o Estado não repassa a verba devida”. Só esquece que “o Estado”, no seu caso específico, atende pelos nomes de Lula, Dilma, Cabral e Pezão.

A escritora, segundo o suplemento de literatura d’o Globo, prepara, em parceria com uma desenhista, uma história em quadrinhos de ficção científica e “abre um caderno de apontamentos sobre a sua mudança do país”.

Ela está indo morar nos EUA (“o LUGAR DO DINHEIRO”, assim mesmo, em capisloques), onde “vou poder correr e pedalar na rua, pois na Califórnia o porte de spray de pimenta é legalizado”.

O inferno (e também o purgatório) são sempre os outros.

3.
“O gato angorá tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil. Chamei o Temer e disse “Ele não fica. Não fica!”.

(Exma. Sra. ex Presidenta Dilma Rousseff, em entrevista ao “Valor Econômico”, sobre Moreira Franco).

Parabéns por não deixar o gato roubar.
Pena que não tenha tido a mesma atitude com relação aos ratos.

4.
“Porque o Temer é isso que está aí, querida. Não adianta toda a mídia falar que ele é habilidoso. Temer é um cara frágil. Extremamente frágil. Fraco. Medroso. É um cara que não enfrenta nada”

(A mesma Exma. Sra. ex Presidenta Dilma Rousseff, na mesmíssima entrevista, sobre seu então vice – a quem, na ocasião, cumulava de elogios, e que foi seu companheiro de chapa em duas eleições vitoriosas).

O cara frágil, fraco e medroso que não enfrenta nada está enfrentando (e vencendo) a crise que a madame do coraçãozinho valente – e que trata repórter de “querida” – tão diligentemente cultivou e nos deixou de herança.

5.
Já que não dá pra acabar com o foro privilegiado, que tal democratizá-lo e estendê-lo a todos os cidadãos?

E com direito ao pedido de vista do ministro Toffoli, pro processo não andar depressa demais.

Brasil 2018, a vingança

 

Se Lula ficar mesmo inelegível para 2018, o PT não devia esmorecer.

Seria a ocasião ideal para os foratêmer corrigirem o erro histórico do impítimã, reverterem o golpe e reconduzirem Dilma ao poder.

Dilma 2018 – esse é o cartaz que deveria estar em todas as faculdades de História, em todas as escolas de teatro, todos os sindicatos, acampamentos de sem terra, grupos de supremacistas negros, coletivos feministas, núcleos bolivarianos e fábricas de mortadela.

Dilma 2018 para Presidenta, com Gleisi de Viça.

Uma chapa puro-sangue, grelo duro. Estrogênio e nitroglicerina pura, para sambar na cara do patriarcado.

Em vez deste governo golpista de homens velhos e brancos, um governo de mulheres jovens e negras.

Graça Foster nas Minas e Energia.
Marilena Chauí na Educação.
Tássia Camargo na Cultura.
Luciana Lóssio na Justiça.
Kátia Abreu na Agricultura.
Maria da Penha na Defesa.
Rose Noronha (sem trocadilho) nas Relações Exteriores.
E Erenice Guerra, Fátima Bezerra, Benedita da Silva…

Uma chapa popular dessas seria imbatível.
Lacraria já no primeiro turno – e não só no DataFolha.

No Natal, Dilma indultaria Lula, Delúbio, Delcídio (não, Delcídio não!), Dirceu, Vaccari, Cerveró, Duque, João Santana, Sérgio Cabral, Eike e todos os demais cumpanhêros.

Marcelo Odebrecht contaria ter sido torturado em Curitiba, obrigado a confessar, e a Lava Jato acabaria, por falta de provas.

Com Carmen Lúcia fora do STF e Toffoli ocupando a Presidência (era pra ser a Rosa Weber, mas…) o resto estaria no papo.

Esquecam Dória, Alckimin, Ciro, Bolsonaro – todos homens, velhos e brancos. Todo poder às mulheres, ainda que não tão jovens nem tão pretas..

Rousseff & Hoffman – o Brasil para as brasileiras!

Eu apoio.

Conquistas

 

O PIB recuou 3,6% em 2016 (já tinha recuado 3,8% em 2015).
Obrigado, presidenta Dilma.
Obrigado, PT.

É a pior crise já registrada na economia brasileira, superando a dos anos 30.
Obrigado, presidenta Dilma.
Obrigado, PT. 

O consumo das famílias caiu 4,2%.
Obrigado, presidenta Dilma.
Obrigado, PT.

A renda per capita caiu 4,4% em 2016, depois de ter caído 4,6% em 2015.
Com isso, foram anulados os ganhos dos quatro anos anteriores.
Obrigado, presidenta Dilma.
Obrigado, PT.

Mudando de assunto, você já assinou o manifesto pedindo a volta do Lula?
Já gritou “Fora, Temer” hoje?
Porque não há nada tão ruim que não possa se tornar ainda muito pior.