• contato@eduardoaffonso.com.br

Arquivo da tag desemprego

O pão nosso de cada analogia…

 

– Você viu o absurdo que fizeram com a panificadora, Adélia?

– Não, Amália. Derrubaram? Assaltaram?

– Pior. Mudou o dono e ele trocou o nome para “padaria”.

– Mas vai continuar vendendo pão, não vai?

– Continuar vai, mas…

– Pelo mesmo preço?

– Mesmo preço, mesmo pão – mas mudou o nome!

– E daí? Panificadora ou padaria, não dá na mesma?

– Claro que não, Adélia! Mudou tudo!

– Como assim “mudou tudo” se só mudou o nome e se dá na mesma?

– Demitiram os 22 ascensoristas.

– Já não era sem tempo, porque lá nem tem elevador…

– E as taquígrafas. Todas quinze.

– E pra que é que tinha taquígrafa na padaria, Amália?

– Eram mães de família! Ganhando o salário honestamente…

– Há controvérsias. Tão honestamente assim não era. Elas não faziam nada, ficavam lá de tititi, falando da vida alheia e beliscando no pãozinho, filando uma mortadela….

– Parece que vão demitir também os personal trêiners, os comissários de bordo, os proctologistas, o terapeuta ocupacional e os salva-vidas. Acabou a panificadora.

– Não acabou, Amália. Se tem pão, é o que importa. Capaz até de ficar mais barato, agora que não tem mais esse monte de funcionário inútil.

– Não era funcionário inútil, tá?. Um dos ascensoristas é meu sobrinho, e quatro das manicures são minhas primas.

– Tinha manicure lá também?

– Elas só iam no dia do pagamento. Mas tinha.

– Por mim, tendo pão, é o que importa. Seja panificadora, padaria, confeitaria, delicatessen…

– E o pior de tudo não é isso. Não contente em trocar o nome, parece que o novo gerente vai ser homem.

– Uai, e o antigo não era?

– Não muda de assunto, Adélia! Gerente homem em padaria, onde já se viu?

– Por mim, pode ser homem, mulher, cantora de MPB, comissário de bordo, tanto faz, contanto que o estabelecimento funcione.

– Você nunca me enganou, Adélia. Sabia que você era dessas que queriam acabar com o pão na mesa do povo,

– Se você acha que vai acabar o pão porque mudou o nome de panificadora pra padaria, espere só até mudarem a farmácia da esquina pra drogaria.

– Você quer me matar, é? Não sabe que o Aderbal é um dos controladores de voo lá da farmácia?

Diversidade 2

 

1.
A Secretaria da Cultura devia ir para uma negra lésbica quilombola obesa cadeirante e ribeirinha, frequentadora do Santo Daime, ligada aos movimentos sociais, pró-aborto e figurinha carimbada nas marchas da maconha e das vadias. De preferência vegana, da terceira idade, adepta de alguma religião de matriz africana, e mãe (adotiva) de dois transexuais canhotos com intolerância a glúten.

Aí, sim, a Cultura deslanchava.

2.
Portugal quer desacordar o Acordo Ortográfico – aquele que transformou microondas em micro-ondas e nem por isso o mundo acabou.

Breve, um abysmo se abrirá entre a língua de lá e a de cá, com elles indo à pharmacia atraz de um remmédio para asthma, ou para os malles da Psychiatria – na vã illusão de que voltemos a escrever Nictheroy, Piauhy e Brazil.

Mais um pouco e estaremos usando fraque, pincenê, andando de liteira e nos abaixando para pegar os lencinhos perfumados que donzelas sonhadoras de seios arfantes e faces enrubescidas deixarão discretamente cair, entre pétalas de camélia e sonetos alexandrinos.

Sonetos, não. Sonettos.

3.
O grande desafio do novo governo não vai ser reverter a recessão, baixar a inflação, reduzir o desemprego, recuperar a confiança.

Vai ser sobreviver ao embargo político e econômico de El Salvador, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Cuba e Equador.

Nossa única esperança é fazer as pazes com mercados irrelevantes como Europa, Estados Unidos, Japão – e torcer pra essas economias insignificantes do Primeiro Mundo nos aceitarem de volta, naturalmente.

4.
A Folha informa que houve panelaço contra o Temer durante sua entrevista ao Fantástico.

Segundo o DataFolha, cerca de seiscentos milhões de brasileiros bateram panela e apitaram ininterruptamente por seis meses ontem à noite, gerando protestos nos países vizinhos (ninguém conseguiu dormir na América do Sul, Central e parte da Oceania).

Esgotaram-se os protetores de ouvido nos supermercados de Caracas.

(Em Salvador, capital nacional do petismo, não ouvi um pio.)

5.
Acabo de me dar conta de que esse Clube do Bolinha que o Temer escolheu para ministério não me representa.

Não tem um único mineiro!

São 6 gaúchos, 5 pernambucanos, 3 cariocas, 3 paulistas, 1 goiano, 1 paraense, 1 maranhense, 1 baiano, 1 paranaense e 1 alagoano – e ninguém de Minas.

Isso é um tapa na cara dos conterrâneos de Tiradentes, JK, Tancredo, Chico Xavier e Zé Arigó.

Nem um arquiteto sequer!

Só dois dos ministros são taurinos – e todos sabemos que a proporção de taurinos no planeta é superior a 1/12 (é o signo mais populoso, por assim dizer – você sabia?).

Não tem ninguém nascido em abril de 1959. Ninguém com hérnia de disco L5-S1. Ninguém de barba (bigodinho e cavanhaque não contam).

Abaixo esse ministério espúrio, formado de piscianos, arianos e sagitarianos opressores (três de cada). Fora, Temer!

Baile da Ilha Fiscal

 

1.
Foi só ficar sem uotiçape um dia e o Janot tirou o atraso.

Denunciou, numa tacada só, Bumlai, Edinho, Jaques Wagner, Berzoini, Jader, Delcídio, Cunha, Henrique Eduardo, Giles, Erenice, Palocci, Okamoto, Rondeau, André Esteves, Gabrielli e o chefe da quadrilha, o ubíquo Luís Inácio.

Não vejo a hora de aquele juiz sergipano maluco deixar o país umas 24 horas sem feicebuque ou instagrã – e aí o Janot denuncia Dilma, Ruy Falcão, Renan, Pimentel, Pezão, Cabral, Gleisi, Lindbergh, além de pedir a cassação do mandato de todos os deputados que mencionaram o nome dos filhos e da legítima esposa na votação do impítimã.

2.
O STF aceitou, por 10 x 0, a denúncia contra o Cunha.

E ainda dizem que toda unanimidade é burra.

Burra é a unanimidade de achar que toda unanimidade é burra.

3.
Michel Temer diz que “não vê impeditivo” em nomear investigado na Lava Jato para o ministério.

Algo me diz que ele precisa urgentemente de um oculista.
E dos bons.
Pode ser glaucoma, catarata, algo muito sério.
Estupidez pura e simples é que não é.

4.
O PSDB apresentou sua lista de “exigências” para apoiar o governo Temer: combate à corrupção, apoio à Lava Jato, responsabilidade fiscal, fim do fisiologismo, reforma eleitoral.

Só faltou exigir que o Sol não nasça à noite, que o mar seja salgado, que a cada ação corresponda uma reação igual e contrária, e que a Susana Vieira arrume um namorado com idade pra ser seu neto.

5.
Dilma capricha no seu Baile da Ilha Fiscal.

O desemprego atinge 11 milhões de brasileiros, e ela reforça a propaganda.

O déficit das contas públicas ameaça inviabilizar o país, e ela lança um pacote de bondades, espalhando minas terrestres no caminho do novo governo.

A nova equipe econômica detalha os cortes (cortar a gordura, a carne, remover alguns ossos) e ela exige Palácio, staff e avião para, às nossas custas, fazer oposição ao Brasil.

Pau que nasce torto não apenas morre torto – vira cinza torta.

6.
Não contente em abrir mão de um “ministério de notáveis” (até a bancada evangélica deve estar representada), Temer agora desiste de reduzir sua escabrosa quantidade.

Temer sabe que os Estados Unidos são aquele atraso tecnológico porque não têm um Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Não produzem cultura porque não têm um ministério da dita cuja.

São um fiasco nas competições esportivas porque não têm um Ministério do Esporte.

São aquele caos econômico porque não têm um Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Ninguém vai lá, porque não têm um Ministério do Turismo.

Negros e mulheres não terão jamais lugar na política ou nos negócios porque não há um Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Não produzem alimentos porque só têm o Ministério da Agricultura, não um de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e outro do Desenvolvimento Agrário.

Não exportam porque não têm o dos Portos.

Vivem todos na roça porque não têm o das Cidades.

Oremos para que o Temer, agora com uma base aliada maior que a do finado PT, não invente de criar mais ministérios e tornar o país ingovernável em nome da governabilidade.

Porre democrático

 

Ainda de ressaca de ontem, ficam algumas lições da votação na Câmara.

1.
Quem defendia Dilma dizia defender a democracia – como se o que ocorria ali não fosse um ato democrático.
Algumas bestas chegaram a falar em “tribunal de exceção” ou “afronta à Constituição” – num julgamento político previsto constitucionalmente em que a acusada deve amplo direito de defesa, inclusive com advogado pago por todos nós.
Esses tiveram o cérebro chupado, só pode.

2.
Os que votavam contra Dilma diziam fazê-lo por seus filhos, esposa, mãezinha, Deus, pelo povo de Coxiporé do Caxaprego e pela família.
Aparentemente, não leram o que o relator do processo escreveu.
Deveriam estar contra porque a presidenta cometeu, comprovadamente, crime de responsabilidade, e ponto.

3.
Você se dá conta de que a Câmara é um circo de horrores quando os votos exemplares (objetivos, sem clima de palanque, templo pentecostal ou trio elétrico) foram dados por Paulo Maluf e Tiririca.

4.
Quem elegeu aqueles sujeitos de cabelo gomalinado e pinta de mafioso, aquelas senhoras raivosas de vestido vermelho, aqueles brucutus vociferando contra o Estado de Direito, os senhores incapazes de elaborar uma concordância nominal – foi você?

5.
Dilma, que botou dez milhões de brasileiros na fila do seguro desemprego, recebeu ontem o aviso prévio.
A partir de maio, pode partir para novos desafios – fazer capiqueique, arrendar um fuditruque, produzir cerveja artesanal, vender produtos Jequiti.
Se bem que, com aquele raciocínio lógico e aquela capacidade argumentativa que ela tem, é capaz de a pessoa chegar querendo uma colônia desodorante “Cúmplices de um Resgate” e acabar convertida em Testemunha de Jeová.

6.
Pelos quilombolas LGBTs.
Por Zumbi dos Palmares e por maínha.
Por Carlos Marighela, Stálin, Brilhante Ustra e Pinochet.
Por Deus e pelo CTG Galpão Crioulo.
Por Breno, Gabriel, Isabela e minha netinha que ainda vai nascer,
meu voto é por mudar esse tipo de votação.

Minha sugestão é botar cada um deles numa cabine à prova de som e perguntar: “Você troca esse governo corrupto, incompetente e degenerado por um governo conivente com a corrupção, de competência mais que duvidosa e com remotas chances de regeneração?”
O sujeito apertava um botão verde para “sim” ou um vermelho para “não”. Fosse qual fosse a alternativa escolhida, abria-se um alçapão abaixo da sua cadeira e ele despencava num tanque infestado de piranhas.

Garantia-se a troca de um governo imundo por um muito mal lavado, e, de quebra, renovávamos o parlamento.

O risco era sofrer um processo por parte da Sociedade Protetora dos Animais. Afinal, piranha nenhuma tem estômago para um Ivan Valente, um Cabo Daciolo, uma Benedita da Silva, um Bolsonaro (pai ou filho), um Jean Wyllys, um José Guimarães ou um daqueles apopléticos de quem a gente – felizmente! – nunca ouviu falar.

7.
Agora que perdeu, Dilma acha que o melhor para o país é convocar novas eleições em outubro.
Acharia isso se tivesse ganho?

Nada de novo no front 2

 

1.
Custava o Brasil, tão alinhado à vanguarda do “socialismo do século 21”, engatar uma ré e pegar o bonde do bom e velho comunismo do século 20? A China seria um ótimo exemplo a seguir: anunciou ontem que vai demitir 6 milhões de comunistas que ocupam cargos públicos.

Se Dilma fizesse o mesmo aqui (nem precisava ser 6 milhões: uns 5 milhões e meio já estava de bom tamanho), aliviaria a folha de pagamento, não comprometeria em nada o desempenho da máquina pública (muito ao contrário!) e salvaria o emprego de dezenas de milhões de brasileiros.

2.
O PT é contra flexibilizar as leis trabalhistas para garantir empregos e evitar a quebra de mais empresas, e, consequentemente, novas demissões.

É perfeitamente coerente: o partido é, já no nome, só dos trabalhadores. Tem que defender os trabalhadores. Sejam eles muitos, poucos ou quase nenhuns. Os desempregados que se danem.

3.
Para acalmar Lula, Dilma trocou o Cardozão por um pau mandado do Jaques Wagner. Não sairia mais barato fundir a Casa Civil com o Ministério da Justiça, e deixar o próprio Jaques botar focinheira no Ministério Público e cortar as asinhas da Polícia Federal, sem intermediários?

Economizava um salário de ministro, a conta de luz de um ministério, a impressão de novos cartõezinhos e dispensava o boneco de ventríloquo. Além de liberar o único neurônio ainda parcialmente ativo da Presidenta da ingrata tarefa de decorar o nome de mais um ministro.

4.
Previsão do tempo para março de 2018:

– Para acalmar Lula, Dilma nomeia Ruy Falcão para comandar a Polícia Federal.

– O Instituto Lula informa que D. Marisa Letícia não é mulher de Lula. Ela é mulher de um amigo dele, que a disponibilizou para o ex presidente em função das relações de amizade.

– Taxa de desemprego bate novo recorde de 98%. PIB já é menor que o do Haiti. Impopularidade de Dilma chega a 178%. Oposição diz que prepara discurso duro e que se o governo não der sinais de que está aberto ao diálogo construtivo, ai ai ai.

– Eduardo Cunha adia pela milésima ducentésima nonagésima quarta vez a votação de sua cassação no Conselho de Ética.

– Marcelo Odebrecht aceita fazer delação premiada, mas a Polícia Federal não tem mais papel, caneta, dinheiro pra gasolina, cortaram a luz – e fica por isso mesmo.