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Encontro

– Estamos começando mais um “Encontro”, e hoje vamos tratar do caso de uma moça que não consegue emprego por causa do preconceito. Bem-vinda ao programa, Cristiane.

– Oi, Fátima, bom dia.

– Uma moça bonita como você, que tipo de preconceito você sofre para arrumar um emprego?

– Corrupção, Fátima.

– E você com certeza perdeu oportunidades por causa da corrupção? Isso foi claro para você ou foi uma suposição?

– Porque, assim, eu não era totalmente corrupta, mas toda vez que eu ia fazer entrevista, eu sabia que eu não passava por conta dos casos de corrupção na família e por causa que eu não assinava carteira, usava funcionário para pagar as minhas contas, fazia acerto com o tráfico…

– E isso te prejudicava?

– Então, isso me prejudicava muito. Depois da entrevista que um presidente aí me chamou pra um trabalho, eu fiquei tipo assim muito decepcionada, porque uma amiga minha, Luislinda, me falou assim, que era praticamente trabalho escravo, e eu não ia nem ser chamada.

– Mas é por você ser corrupta ou por você ser mulher?

– Então, eu percebia na hora da entrevista, que era tipo assim por conta das duas coisas. Ele começou…

– Ele quem? O golpista?

– Isso, ele, o presidente, ele falou assim que ali no governo tinha que ser tudo mais discreto, que o pessoal que trabalhava ali com ele tinha que usar o rabo preso, não podia botar as manguinhas de fora, e parecia que ele queria acabar com aquele assunto logo pra mim poder ir embora.

– E você, por ser mais exuberantemente corrupta, não foi contratada?

– Então, eu fiz a entrevista e tudo, mas não chamou. Até agora não chamou. Eu aí juntei uns parças meus, tudo gente simples assim, que não tem dinheiro nem pra comprar uma camisa, a gente tomou umas, foi pra uma lancha, deu depoimento dizendo que quem põe patrão na justiça é maluco, mas não adiantou. O preconceito foi mais forte.

– Nos governos anteriores não havia, mas há muitos corruptos neste governo, não?

– Eu acho que é por conta da minha ancestralidade.

– Sua família também é corrupta, é isso?

– Muito. Papai é bastante corrupto. Teve preso, inclusive.

– Acho que estamos diante de um caso de tríplice preconceito, por você ser mulher, corrupta e filha de presidiário. Vamos para um rápido intervalo e voltamos com a história de um rapaz que teve que abandonar as mulheres e as namoradas e fugir pro Espírito Santo apenas com um fuzil AR-15, uma submetralhadora e dois milhões de dólares por causa da perseguição dos militares ao seu negócio de venda de substâncias ilícitas numa comunidade carioca. Não sai daí, já já a gente volta.

Dissociação crônica

 

O Carnaval já me provocou, antes mesmo de começar, o que sempre provoca (dores nas costas) e o que nunca antes tinha provocado: um choque de (ir)realidade.

Subir Santa Teresa no galope, acompanhar o Céu na Terra, descer até a Cruz Vermelha, de lá caminhar rumo ao Catete (só para comer comida de Macau, carregada no curry, e a úlcera reclamar depois). No dia seguinte, já meio escadeirado, desembarcar no Largo do Machado, partir acelerado até a General Glicério, seguir o Gigantes da Lira, correr de volta ao metrô, saltar na Uruguaiana, caminhar até o Largo da Prainha, dar a volta ao Cais da Imperatriz…

Não, a coluna não tem mais idade pra isso.

E o cérebro também não estava preparado para sair da bolha em que andou instalado nos últimos tempos.

Do mundo virtual, escafederam-se todos os amigos petistas e filopetistas – banidos, bloqueados, deixados de seguir – ou que me baniram, bloquearam e deixaram de seguir.

Não vejo, há um bom tempo, ninguém desperdiçando lágrima e saliva com a presidenta inocenta que nos jogou nesta merda em que estamos.

Ninguém louvando os pobres que abarrotam os aviões, os pretos que se posdoutoram nas universidades pelo sistema de cotas, as empoderadas de seios desnudos sambando na cara do patriarcado, a transposição do São Francisco que transformou o Nordeste num oásis, a fartura do pré-sal, a arrancada venezuelana em direção ao Primeiro Mundo.

Ninguém das minhas relações chorou por Fidel Castro, pranteou a cumpanhera Marisa Letícia, adotou “E o Aécio?” como resposta padrão a qualquer questionamento sobre a organização criminosa que saqueou o país na última década, ou usou “Fora Temer”, sem vírgula, como se fosse vírgula.

Vivo entre gente fascista que quer justiça, liberdade, transparência, coerência, ética e outras palavrinhas fora de moda.
Que não tem bandido de estimação, que não precisa fazer malabarismo mental para defender o que pensa.

Mas o mundo lá fora (e o “lá fora” significa fora das relações de trabalho, dos amigos, da família), esse me surgiu inesperadamente nos blocos deste final de semana.

Era como se os exilados do mundo em que habito se tivessem juntado e decidido mostrar que estão vivos, impermeáveis à realidade, prontos a retomar o apocalipse zumbi interrompido pelo impítimã.

Estavam todos lá.

Olho para essas pessoas, com quem troco dois dedos de prosa em meio à folia, que me sorriem para uma foto, e me parecem pessoas normais, afáveis, incapazes de fazer mal a um panda – e, no entanto, sonham com o controle da mídia, com a volta das tenebrosas transações que quase quebraram a Petrobras, com as maracutaias, o caixa 2, as propinas, os desvios, a doutrinação nas escolas. Querem de novo Genoíno e Dirceu, guerreiros do povo brasileiro – e Vaccari e sua mochila, Eike e sua peruca e sua megalomania, Odebrecht e seus tentáculos, Lula e seu sítio que não é seu.

Queria poder conversar com elas, acompanhá-las no labirinto dos seus silogismos, tentar entender como pessoas aparentemente lúcidas podem ser tão insensatas.

Não para convencê-las de nada – apenas vislumbrar o que se passa na sua mente, saber o quanto investem diariamente nessa sua utopia distópica.

Como é pedir justiça para os assassinos de Chico Mendes e fazer vista grossa aos que mataram Celso Daniel.

Como resolvem a equação de ser contra Belo Monte e incondicionalmente a favor não apenas de quem levou a cabo a tragédia de Belo Monte mas ainda enriqueceu com os milhões desviados de Belo Monte.

Como lamentar Mariana e o Rio Doce fazendo uma contenção mental para não ir além dos efeitos, para de modo algum procurar as causas e chegar aos culpados.

Como reclamar da falta de dinheiro para a cultura, o saneamento, o meio-ambiente, os indígenas, sabendo que eles mesmos roubaram o dinheiro que iria para a cultura, a infraestrutura, a saúde, o Ibama, a Funai…

Perguntar se não dói se flagrar assim, com dois pesos e duas medidas, o discurso tão dissociado da prática.

Não haverá uma sementinha de culpa pelos milhões que perderam o emprego, que viram os sonhos ruir por conta de um tóxico projeto de poder?

Que estratégia usarão para reprimir os neurônios em sua batalha obstinada contra a dissonância cognitiva, e abortar qualquer possibilidade de autocrítica?

Vejo-as, fantasiadas para o Carnaval – assim como devem se fantasiar diariamente de defensores dos pobres e oprimidos -, e não me sai da cabeça a “Pequeña serenata diurna” do cubano Silvio Rodríguez, defensor de uma ditadura que matou milhares e aprisionou milhões (um país inteiro):

Soy feliz,
soy um hombre feliz,
y quiero que me perdonen
por este dia
los muertos de mi felicidad..

Não há garantias de que os mortos dessa felicidade tenham o dom do perdão.

Decupando a cartinha da futura ex presidenta

 

“Dirijo-me à população brasileira e às senhoras senadoras e aos senhores senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao país.”

– Quem causou tantos prejuízos ao país não foi o impasse político. Foram os governos do PT – aliás, os maiores responsáveis também pelo impasse político.

“Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho.”

– De que povo está falando? A que evento público compareceu para ouvir reconhecimento e receber carinho? Não, comício patrocinado, só para militantes, não conta.

“Precisamos fortalecer a democracia em nosso país e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade. Que eu sou inocente.”

– Para fortalecer a democracia, será necessário que o PT aceite o processo constitucional do impeachment e a derrota no Congresso. Se há provas irrefutáveis, são as de que houve, sim, crime de responsabilidade. E que a presidenta não é inocenta.

“Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições.”

– Pelo “conjunto da obra”, a presidenta não seria afastada: seria presa.

“Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de Estado.”

– O impeachment será consumado, com crime de responsabilidade. Golpe é se julgar acima da lei.

“O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta.”

– O impeachment (até o Toffoli concorda!) é constitucional. E a eleição de Temer foi direta. Ele teve, aliás, exatamente o mesmo número de votos que a presidenta afastada.

“Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.”

– O impasse não é gerado pelo esgotamento do sistema político nem pelo número excessivo de partidos: é pela má gestão, pela ruína ética e econômica causada pelas práticas mais que questionáveis dos governos petistas. A profunda transformação passa pelo afastamento dos responsáveis, e sua punição, como manda a lei.

“A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.”

– A população já decidiu o melhor caminho: o impeachment, a perda do foro privilegiado, o processo e, se possível, a condenação. Não há melhor maneira de aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.

“Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do país. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião.”

– Já combinaram com o Lula, o Stédile, a Gleisi, a Jandira, a Grazziotin, os que ocupam prédios públicos, os que se recusam a acatar as decisões do Supremo e do Congresso?

“Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil.”

– Exatamente por isso o impeachment é fundamental – para por fim a um governo que acabou com o emprego, sucateou a saúde pública, ideologizou a educação e acha que favela de alvenaria, com critérios políticos, é solução para o problema da moradia.

“É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável.”

– Sem comentários. Já nem é ironia, é sarcasmo.

“Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.”

– Nomear o Lula para a Casa Civil e querer comprar o Cerveró são provas inequívocas disso.

“Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.”

– Ruptura da ordem democrática é eleição comprada, é estelionato eleitoral. O que fragiliza a democracia é a corrupção. A democracia é o lado certo da História – o PT está na outra margem.

“Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.”

– Seu governo foi, inteiro, uma desonestidade, covardia e traição (aos que acreditaram nas promessas eleitorais). Pode não ter contas no exterior, mas não moveu uma palha para impedir que seus comparsas tivessem. Pode não ter desviado um único centavo, mas deu aval para que se desviassem bilhões. Não recebeu propina, mas governou tendo a propina por motor.

“Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.”

– Nem honesta nem inocente. Oxalá seja, com a perda do foro privilegiado, condenada por todos os outros crimes que cometeu. Inocentar um culpado é tão grave quanto condenar um inocente.

“Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça.”

– Foi presa por crimes como assalto à mão armada. A tortura foi há três décadas, praticada por um regime ditatorial – esse mimimi já deu. Infame injustiça é deixar impunes quem cometeu tantos crimes, quem arruinou o país – por ganância, falta de escrúpulo e incompetência.

“A democracia há de vencer.”

– Ufa, até que enfim uma verdade! Achei que não daria para concordar com uma sílaba sequer.

Temeridade

 

1.
Há duas maneiras de se fazer as coisas: a sensata e a temerária.

A maneira sensata de se governar um país após 13 anos de gestões corruptas e inconsequentes deveria ser, no mínimo, com firmeza e honestidade.

Temer preferiu a gestão temerária de mudar o nome da receita sem mexer nos ingredientes ou no modo de preparo.

Convocou notórios corruptos para um governo que tem como um dos desafios combater a corrupção.

Colocou no Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle alguém que age nas sombras contra a transparência, a fiscalização e o controle.

Sabedor de que os pés de barro dos governos Lula e Dilma foram o loteamento de cargos, loteou também os seus.

Em vez de ser refém do Presidente da Câmara, fez-se refém do Presidente do Senado, trocando 12 por uma dúzia.

Acabou com o Ministério da Cultura para, em seguida, ceder às pressões e recriá-lo – sem se dar conta de que o que querem de volta não é o antigo ministério, mas o antigo regime.

E luta, tanto quanto lutou Dilma, para deter o jato saneador da Lava Jato.

Os dicionários do futuro terão dificuldade em esclarecer que a expressão “gestão temerária” não deve seu nome à gestão Temer.

2.
Na Globo News, outro dia, o Ibsen Pinheiro e o Ricardo Senner comentavam que não procede comparar Temer a Itamar, o outro vice que assumiu após um impítimã.

O espelho de Temer é Sarney, um vice que chegou lá por uma rasteira do destino, com o país clamando por mudanças, e fez merda do primeiro ao último minuto do mandato.

Ibsen e Senner não usaram a palavra “merda”, naturalmente.

Mas deixaram claro que Temer e Sarney são da mesma escola política, a dos “conciliadores”, dos que deixam como está pra ver como é que fica, dos que mudam o que for necessário para que nada mude.

A favor de Temer, apenas o fato de não ter filha governadora nem bigode.

3.
O delegado carioca acha que não houve estupro.

Mesmo a lei 12.015 dizendo que ato libidinoso com menor de idade é estupro, ele acha que não houve estupro.

Mesmo diante de um vídeo em que a vítima aparece nua, desacordada, com homens se vangloriando de haver abusado dela, ele acha que não houve estupro.

Afinal, a vítima frequentava o morro e tinha contato com os traficantes. E já teria feito sexo em grupo antes. Logo, pode-se fazer com ela o que quiser, que não é estupro.

Ainda bem que nem todos os casos de violência contra a mulher são investigados pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.

4.
Passa por Renan Calheiros a escolha do novo Ministro da Transparência, Fiscalização e Controle.

Por que não mudam logo o nome para Ministério da Opacidade, Vista Grossa e Complacência?

5.
Depois de uma semana de chuvas, temporais e aguaceiros, me pergunto se isso aqui é mesmo a Bahia de Todos os Santos ou só de São Pedro.

Vira-casaca

 

1.
O Temer conseguiu, em tempo recorde, unificar o país em pelo menos um tema.

Gente que durante 14 anos nunca disse um “A” contra a corrupção tomou-se, subitamente, de ardores cívicos e desde anteontem clama contra a nomeação para o ministério de três investigados pela PF.

Gente que achava normalíssimo blindar o Lula (e mais umas duas dúzias) agora se revolta contra a blindagem do Jucá.

Não dou um mês para estarem nas ruas, vestidos de verde e amarelo, com faixas pedindo ética na política, transparência, fim da impunidade e brandindo pixulequinhos infláveis do Henrique Alves (por acaso, também ex-ministro da Dilma), do Geddel e do Jucá. E sem mortadela!

Bem-vindos ao planeta coxinha, rapazes! Tamo junto.

2.
A Venezuela, guardiã zelosa da Democracia, retirou (e desretirou) seu embaixador, em protesto contra o golpe de estado no Brasil

Mais valente, El Salvador retirou mesmo seu representante em Brasília – o que não chega a ser um rompimento diplomático, mas é tipo assim “vamos dar um tempo na nossa relação”.

Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua apenas rosnaram.

Eu, se fosse um governo bolivariano, também estaria com os cabelos em pé.
Vai que o Temer resolve cobrar os “financiamentos” do BNDES e manda as duplicatas pro cartório…

3.
Reclamam do ministério do Temer, mas o Brasil é mesmo machista.

Senão, vejamos.

O Amazonas.
O Pará.
O Amapá.
O Acre.
O Maranhão.
O Piauí.
O Ceará.
O Rio Grande do Norte.
O Espírito Santo.
O Rio de Janeiro.
O Tocantins
O Mato Grosso.
O Mato Grosso do Sul
O Paraná
O Rio Grande do Sul
O Distrito Federal

Tem os alheios às questões de gênero:
Rondônia, Roraima, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina.

Fêmea, só a Bahia e a Paraíba.

Mesmo assim, a Paraíba é masculina, muié macho, sim sinhô.

Bagulho e preconceito

 

Não se pode criticar Dilma por seus destemperos e desequilíbrio emocional. ‪#‎issoÉmachismo‬.

Não se pode criticar Dilma por sua burrice asinina, sua toupeirice cavalar, seu antismo paquidérmico. ‪#‎issoÉzoofobia‬.

Não se pode criticar Dilma por ter sido eleita com dinheiro desviado da Petrobras e por ser criativa no orçamento, com pedaladas fiscais. ‪#‎issoÉgolpismo‬.

Não se pode criticar Dilma por permissividade com a corrupção. Afinal, ela é búlgara e ‪#‎issoÉxenofobia‬.

Não se pode criticar Dilma por patrocinar, com nosso dinheiro, os regimes bolivarianos e afins. ‪#‎issoÉchauvinismo‬.

Não se pode criticar Dilma por burlar a lei – seja compra de apoio parlamentar, a nomeação do Lula para lhe dar foro privilegiado, o aparelhamento do Judiciário. Afinal, ela está na terceira idade, e ‪#‎issoÉgerontofobia‬.

Não se pode criticar Dilma por sua incapacidade de articular qualquer frase que faça sentido. Ela é branca, e ‪#‎issoÉracismo‬.

Não se pode criticar Dilma por arruinar a economia do país, gerar milhões de desempregados e fazer o Brasil perder investimentos. Ela não tem marido, amante nem namorado, e ‪#‎issoÉhomofobia‬.

Logo, se você é contra o governo, você não é apenas um coxinha fascista, elitista e golpista. Você é um(a) sujeito(a) preconceituoso, acima de tudo.

Ah, e não ouse criticar o futuro ministro chefe da Casa Civil. ‪#‎issoÉofidiofobia‬.

Reflexões matinais sem muita dor

 

1.
O inconformismo dos petistas com a Lava Jato vem da sua certeza íntima de que o país não está contra a corrupção, mas contra a corrupção “deles”. Isso porque, por princípio, eles nunca foram contra a corrupção, mas contra a corrupção “dos outros”.

Como Dilma, que não lutou contra a ditadura, mas tentou derrubar uma ditadura pra implantar outra, os petistas não entendem que se possa ser contra o conceito de corrupção (ou de ditadura) em si, independentemente de quem seja o beneficiado.

O PT crê firmemente que os fins escusos justificam os meios ilícitos.

2.
(Quadrinha de pé quebrado)

Já nasceu com o pé esquerdo
Meteu os pés pelas mãos no caminho:
Começou em pedalada
Acabou em pedalinho

3.
Não tenho amigos petistas, apenas uns poucos “não sou petista, mas…”, que garantem que fiquei monotemático – mesmo que escreva sobre minhocas, ateísmo e conjunções adversativas.

Alguns insistem que eu devia parar de ler a Veja. Porque, como todo coxinha que se preze, eu seria um Bob Esponja ideológico, cem por cento influenciável e sem qualquer senso crítico.

Por motivos nem um pouco político-partidários (apenas puto com o péssimo atendimento do SAC da Abril), cancelei a assinatura da Veja e (quem diria!) o processo de desencoxinhamento não foi deflagrado automaticamente.

Mesmo sem oferecer meu cérebro toda semana em sacrifício no altar da imprensa golpista, continuo achando que roubar é feio, que o público não é privado e que bandido tem que ir pra cadeia.

Pode ser que uma Veja residual ainda esteja impregnando meus neurônios, e leve tempo para ser eliminada. Pode ser que eu tenha uma falha de caráter e trabalhe com artigos anacrônicos como valores morais.

Tudo que preciso é que apareçam uns cinco milhões de dólares na minha conta na Suíça. Dependendo de como eu reagir, saberei se me tornei um socialista do século 21 ou se a Veja me lesou de vez.

4.
(Haikai do medo inconfesso)

será isso o progresso?
sai a OAS
entra o Aécio

Sete linhas de defesa para Lula usar diante do malvado Sérgio Moro

 

1. Lula é sonâmbulo. Nas 111 vezes em que esteve no sítio, estava dormindo. Os sócios do filho, por orientação médica, não o acordaram. Ele não se lembra de nada.

2. Os sócios do filho do Lula são um casal homoafetivo que ainda não saiu do armário. Lula e d. Marisa vão lá para parecer que são os donos, assim os vizinhos não ficam pondo maldade no fato de dois homens terem um sítio com lago em forma de coração e pedalinho de cisne.

3. Lula vai ao sítio apenas para acompanhar d. Marisa, que se apegou muito aos patos do local. Ela deseja adquiri-los e é ele quem vai pagar o pato.

4. O GPS dele é um modelo ching ling, e por isso ele sempre se perde a caminho da sede do sindicato, indo parar em Atibaia. Para não ter que voltar de noite, acaba pernoitando. Vai, inclusive, processar a loja da 25 de Março que lhe vendeu o GPS.

5. Lula vai lá por causa de d. Marisa, que leu nalgum lugar que, se houver impeachment e o Cunha assumir, será decretado Estado de Sítio. Ela quer estar preparada para essa eventualidade, por isso tem estado no sítio.

6. O sítio é deles, sim, e não está em nome de terceiros. É que, na intimidade, eles se chamam de “Fernando” (uma referência brincalhona ao Fernandinho Beira-Mar) e “Jonas” (por ela estar uma baleia).

7. Aquilo não é sítio. É chácara.

(ilustração meramente imaginativa)