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O Candidato da Manchúria

 

Já terceirizamos a educação dos filhos, colocando-o nas escolas ou diante do videogueime.
Já terceirizamos a alimentação, comendo nos restaurantes a quilo e fuditruques.
Terceirizamos a limpeza da casa com as diaristas.
Os cuidados com a roupa com a lavanderia.
O bom gosto com o personal stylist.

Terceirizamos o autoconhecimento com os livros de autoajuda.
Terceirizamos o raciocínio com os formadores de opinião.
Terceirizamos a vida nas redes sociais.

Quantos casamentos só sobrevivem porque a paixão foi terceirizada?

Na manifestação de domingo (uma forma de não terceirizar nossos valores), a Denise Ahrends Walter deu o mote: na falta de alternativas para ocupar a Presidência em 2018, por que não terceirizar a política – e chamar o Obama?

Ele está desempregado, tem experiência, jogo de cintura e bons contatos no mercado.

Num país mestiço que sempre entregou a presidência a homens brancos e mulheres búlgaras, Obama seria o primeiro presidente afrodescendente, aquele em quem você bate o olho e (ao contrário de quase todos que vieram antes) te parece brasileiro.

Ele não fala Português, mas a Dilma também não falava.
E, como o Temer, vem com uma primeira-dama de tirar o fôlego.

Depois de Marisa, a santa, e Marcela, a donzela, Michelle, ma belle, nos mostraria o que é ser uma primeira dama de primeiro mundo, sarada e pensante.

Estaríamos a salvo de ter um presidente alcoólatra (como Jânio e Lula), adúltero (como Getúlio, JK, FHC e mais umas três dúzias de outros), mal encarado (como Médici, Figueiredo) caozeiro (como Collor), ou de bigode (como Floriano, Epitácio, Costa e Silva, e Sarney).

Sem contar que cairia a zero a possibilidade de o presidente ser visto em público com uma mulher sem calcinha ou – pior! – saudando a mandioca.

Dois mandatos sem ter recebido um centavo da Odebrecht também contam ponto, né não?

Terceirizemos.
Contratemos um head hunter que analise o currículo do candidato, faça uma entrevista, avalie as referências.
Nada de palanque com artista pago, nada de sanduíche de mortadela ou marqueteiro recebendo via caixa dois.

A democracia levada ao seu ponto mais alto, que é escolha do melhor, do mais talhado para o cargo, não de quem mente com mais desenvoltura ou acusa com mais desfaçatez.

Tudo bem, pode não ser uma ideia matadora.
Estávamos sob o sol inclemente de uma manhã de domingo em Copacabana, e isso afeta o raciocínio.

Mas por um momento foi tentador pensar em como seria bom se não tivéssemos que nos deparar, em 2018, com uma urna contendo as fotos de Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Luís Inácio.

Pode não ser o Obama.
Mas será que o Papa Francisco, o Justin Trudeau, o Chuck Norris ou o Dalai Lama topam?

Botão vermelho

 

1.
O mundo inteiro devia votar nas eleições americanas. E nas russas.

Se um maluco como o Trump ou um maníaco como o Putin assumem o comando de um arsenal atômico ao mesmo tempo, não são apenas Washington e Moscou que viram cinza – somos todos incinerados por tabela.

Putin está no poder, mas do lado de cá tem o Obama.

Quando aqui tinha o Reagan, lá estava o Gorbatchov, pra equilibrar.
Por isso continuamos vivos, porque quando só um quer, dois não destroem o planeta.

Não faz muita diferença quem esteja no poder no Canadá ou na Noruega. Mas a humanidade inteira tinha que poder dar pitaco nas eleições em países com acesso a bombas atômicas.

Se um dos princípios da democracia americana é não haver taxação sem representação – ou seja, só pago imposto se puder escolher quem cria os impostos – por extensão, só devemos aceitar correr o risco de ser aniquilados numa hecatombe nuclear se pudermos eleger o dono do dedo que aperta o botão vermelho.

Já imaginou a Dilma com um poder desses nas mãos? Vai que dá um dos seus célebres pitis com murros na mesa e a coisa dispara por engano.

Já pensou um Maduro, um Duterte (é o psicopata da vez, nas Filipinas), um Bashar al Assad, com o poder de fazer com o planeta o que o PT fez com o Brasil, arrasando tudo?

Que o Texas votasse em peso no Trump seria o de menos. O resto do mundo, que é bem mais sensato, votaria na Hillary e a gente tocava o bonde.

2.
Freixo diz que não aceita apoio de criminoso. Tá certo.

Mas peralá, ele não recebeu de braços abertos o apoio de Lula, Jandira, Lindbergh?

Ou pra ele só miliciano é que é bandido?

3.
Crivella padece da síndrome de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Quando era bispo da Universal e se dedicava a tomar dinheiro de pobre e demonizar gay e preto, parecia não dar a mínima para o que pensavam das estupidezes que ele falava a escrevia.

Agora que virou candidato, alega que eram traquinices de uma criança imatura de 42 anos, que mudou da água (benta, a R$ 50,00 o fraco de 50ml) para o vinho (francês, desses bem caros, que não devem faltar em sua adega de milionário).

Vai ser eleito, infelizmente, e levar adiante o plano do seu tio e mentor Edir Macedo de colocar os fundamentalistas no poder.

A História tem exemplos de sobra de que isso nunca acaba bem.

4.
No mais, não terão sido vãos os embates sanguinários entre Hillary e Trump.

A carnificina entre Freixo e Crivella.

O conflito implacável entre a narrativa petista e a realidade.

Estamos, finalmente, prontos para o aniversário do Guanabara, que começa hoje.