Tirania feminista

 

A Folha (sempre ela!) publicou outro dia um texto maldoso, raivoso, ressentido e preconceituoso contra a Marcela Temer.

A primeira dama cometeu, como se sabe, o crime inafiançável de ser bela, recatada e do lar.

Será que foi para isso que as mulheres lutaram tanto? Para deixar de ser obrigadas a se dedicar apenas à família e ser agora obrigadas a fazer qualquer coisa, menos se dedicar à família?

Que libertação é essa que troca uma servidão por outra? Que tira de cena o macho opressor e instala na função a feminista opressora?

Qualquer mulher deve ser livre para fazer o que quiser.
Ser do lar, do bar, surfar ondas gigantes, pilotar avião, fazer crochê.
Abortar, ter quantos filhos quiser, dar de mamar em público, só se despir no escuro, dizer palavrão, fazer novena.
Ser recatada, puta, liberada, moderada, ir pra cama no primeiro encontro ou só depois do casamento.
Por que não?

Marcela é execrada porque o seu filho, como milhões de outros (inclusive eu) leva o nome do pai. Porque, no seu pacto conjugal, não trabalha fora, de carteira assinada (para as feministas, o trabalho doméstico não conta, não pesa, não honra, não vale).

A inútil e “decorativa” Marcela é comparada a outras mulheres.
De um lado. Dilma Rousseff, a mulher que “inflou fantasia maior que a dos contos de fada”, essa, sim, mulher de verdade.
Do outro, as “princesas”, meninas vestidas de cor de rosa, que sonham com castelos e príncipe encantado. A loira Marcela (sim, ela é culpada disso também) fica ali, no limbo, entre a princesa indefesa e o dragão.

Por que a jornalista não comparou Marcela a outra primeira-dama, Dona Marisa Letícia? Essa era uma profissional de que área mesmo? Trabalhava onde? Lutou que batalhas, pegou em que armas em defesa da igualdade de gêneros? Que nome tem o filho de Dona Marisa, o Lulinha? Será que ela, feminista, guerreira, empoderada e independente, também não pôde nem escolher o nome do filho?

O problema, para a Folha de São Paulo e sua articulista, não são as escolhas de Dona Marisa Letícia.
São as escolhas de Marcela.

O Brasil teve Ruth Cardoso, antropóloga, e Rosane Collor, recepcionista.
Teve Marly Sarney, mãe de família, nos anos 80, e Nair de Tefé, caricaturista e vanguardeira, nos anos 10 do século passado.

Nenhuma foi eleita. Chegaram à vida pública na garupa do marido, por conta desse resquício de monarquia que é o posto de “primeira-dama”.

Ângela Alonso, autora do texto, sugere que a próxima presidenta extinga esse cargo.
Nem precisa, porque o cargo não existe, não está na folha de pagamento, não consta de nenhum organograma.
É uma tradição. É só um nome. E há de desaparecer naturalmente.

A única coisa aproveitável do discurso da petista é quando diz que precisamos de “mulheres de nervo e cérebro”.
Faltou dizer que deve ser um cérebro que funcione, não um como o seu, de uma inépcia de dar nos nervos.

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