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Jogo de compadres

Jogo de compadres

 

1.
Foi golpe.

O acordão costurado entre PT e PMDB, e arrematado pelo Lewandowski, livrou Dilma de perder os direitos políticos e concedeu previamente anistia ampla, geral e irrestrita a toda a corja que ainda corre o risco de perder o mandato: Cunha, Renan, Jucá, Lindbergh, Gleisi, Barbalho, Lobão, Collor, Humberto Costa, Waldir Maranhão…

Se a moda pega, daqui a pouco o Detran estará cassando a carteira de motorista, mas liberando o sujeito pra continuar dirigindo.

2.
O Presidento do Repúblico embarcou ontem mesmo pro Chino, num longo viajo com escalos no Ilho do Sal (Cabo Verdo), no Repúblico Tcheco e no Cazaquistão.

No Ásio, participará dos reuniõnhos do G-Vinto, com dirigentos dos vintos maioros potêncios do planeto.

3.
Quando Lindbergh se sente no direito de chamar alguém de canalha é porque o mundo está perdido.

4.
O processo do impeachment serviu não só para escorraçar o PT do poder (e manter lá o ubíquo PMDB), mas para nos mostrar algumas forças da natureza, como a senadora Ana Amélia – cujo único defeito visível é estar no PP.

(Mas o Pedro Simon nunca deixou o PMDB, e nem por isso se contaminou com as práticas nocivas do partido.)

Uma mulher dessas na Presidência em 2018 serviria para apagar a péssima impressão deixada pela finada presidenta e por criaturas como Roseana Sarney, Benedita da Silva, Marta Suplicy, Lícide da Mata, Rosinha Garotinho.

Ana Amélia pode até ter vaidade. Mas Ana Amélia, sim, é que parece ser mulher de verdade.

4.
Escancarada a brecha para ocupar cargo público – e manter o foro privilegiado -, não será surpresa se Dilma for nomeada, ainda esta semana, Secretária do Acarajé e do Abará pelo governador da Bahia, Secretária de Assuntos Extraordinários No Que Se Refere ao Pão de Queijo pelo governador de Minas, ou Secretária do Bumba-meu-boi pelo governador do Maranhão.

Só é bom lembrar que a própria Dilma foi acusada de “desvio de finalidade”, ao dar cargo de ministro o falecido Lula, para livrá-lo das garras do Sérgio Moro.

Ah, as artimanhas a que uma mulher honesta tem que recorrer para se livrar as malhas da lei…

5.
Num universo paralelo, esse julgamento teria sido adiado por duas semanas, e seria presidido pela ministra Cármen Lúcia.

Lá, as chicanas não funcionariam, o pugilato verbal teria sido abortado no primeiro cruzado de direita (ou de esquerda), Dilma teria sido julgada com base numa Constituição intacta, não rasgada, e estaria neste momento devolvida à irrelevância da qual não deveria nunca ter saído, inabilitada para se candidatar a síndica de prédio do Minha Casa Minha Vida.

6.
Agora é aguardar o julgamento do Temer pelo TSE, presidido pelo volátil Gilmar Mendes, e a apresentação do pedido de impítimã do novo presidento pela coligação PT – PSol – PCdoB – Rede.

Porque impítimã, desde ontem às 4 da tarde, deixou de ser golpe.

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