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Epílogo

Epílogo

 

1.
Acaba hoje agosto, o mês do desgosto, o mês do cachorro louco.

Como a natureza aprecia simbolismos, acabam também os treze anos (treze! olha o simbolismo aí de novo!) de PT no poder.

Quando setembro vier, não encontrará mais esse odor de mortadela no ar.

O mundo político ficará menos divertido, menos risível, menos bizarro.

Seguirão para o aterro sanitário a “nova matriz econômica”, o “no que se refere”, a palavra “presidenta”.

Retomarão seus sentidos originais “malfeito” e “estarrecida”.

Anta voltará a ser apenas um simpático e levemente estúpido mamífero perissodáctilo da família Tapiridae.

2.
Inês caiu, a casa foi pro brejo, a vaca é morta.

Mas, feito uma zumbi, se condenada, a presidenta recorrerá ao Supremo contra o “golpe”.

E se for (toc toc toc) absolvida? Recorrerá também?

Ou o “golpe” só é golpe se for condenada?

3.
– Boa tarde. Tudo bem com a senhora?
– O que está em jogo são as conquistas dos últimos 30 anos.
– Desculpe, não entendi. Quero saber se a senhora está sentindo alguma coisa, se há algum problema…
– Todos sabem que este processo foi aberto por uma chantagem explícita do deputado Eduardo Cunha.
– Não quero ser indelicado, mas a senhora marcou consulta aqui no meu consultório, e eu preciso saber o motivo…
– É golpe.
– Como assim? A senhora sofreu um golpe?
– Este é o segundo julgamento a que sou submetida. A democracia está comigo no banco dos réus.
– Foi um golpe na cabeça?
– Ao assinar os decretos, agi em em conformidade com a legislação.
– Minha senhora, ou a senhora responde às minhas perguntas ou…
– Na luta pela democracia, por uma sociedade sem ódios e intolerância, por uma sociedade livre de preconceitos e discriminações.
– Ok, vamos tentar de novo. Qual a sua idade?
– Sou uma mulher honesta, não tenho contas no exterior.
– Estado civil?
– Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam as portas, a compra de medicamentos seria prejudicada.
– A senhora está tomando alguma medicação controlada?
– Com o apoio escancarado da mídia, criaram o clima político para a desconstrução do resultado eleitoral.
– Etelvina, me encaminharam essa paciente por engano. Aqui é ginecologia. Acompanhe-a, por favor, até a psiquiatria. Mas peça pro Lourival ir junto, porque ela está em surto e todo cuidado é pouco.

4.
Dilma cai daqui a pouco, é questão de horas.

Em seguida, cai o Cunha – é questão de dias.

E se o avião presidencial, a caminho da China, cair também?

Assume o Rodrigo Maia e se convocam novas eleições.

Eu, se fosse o Temer, viajava com um galho de arruda na orelha, espada de São Jorge na mão e mandava dar um banho de sal grosso no AeroLula, antes da decolagem.

E tratava de rebatizar logo essa joça.

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