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Agora vai

Agora vai

 

Pode até demorar um pouco, mas não vejo a hora de começarem as entrevistas desse povo que apoia Dilma, esclarecendo que não era bem assim.

Eram a favor dos programas sociais, entende? Não sabiam das tenebrosas transações. São artistas, intelectuais, sabe como? Rodam suas ideias noutra plataforma, e não têm tempo para o mundo-cão dos jornais – além, claro, de não ver tevê, nem frequentar essa feira de vaidades que são as redes sociais.

Já imagino o Wagner Moura afirmando, categoricamente, que sempre foi contra a corrupção, e vamos falar da nova minissérie. A Camila Pitanga dizendo que a arte é apolítica e que a mídia, essa rede de intrigas, distorceu suas palavras, e que sua personagem na nova novela é um presente do autor. A Zélia Duncan relativizando o que disse, pensou ou escreveu – eram só reflexões, um lance conceitual, meio breinstorme, e agora vamos falar do novo disco.

Claro que isso não vale para os dinossauros. Jô, Veríssimo, Chico, Leonardo Boff, Paulo Henrique Amorim, José de Abreu, esses chegarão à missa de sétimo dia chamando Fidel de democrata e Lula de líder operário.

São como os velhos bolcheviques, que jamais caíram naquele conto dos crimes de Stálin, ou os que, mesmo diante das pilhas de ossadas, continuam negando o Holocausto. Afinal, as evidências enganam, né não?

2.
Com a defecção (adoro essa palavra!) do PMDB, Dilma começa a reestruturação do seu governo. Ou, como diz o Jaques Wagner, a “repactuação”.

Vai buscar no que sobrou da “base aliada” os nomes para o primeiro escalão da República – aqueles com altas responsabilidades, grandes salários e foro privilegiado – além, claro, de votos contra o impítiman.

Antevejo a posse e a pose da nova nata do Executivo: Tiãozinho do Posto (PQP-RO) na Saúde, Juvanildo Quaresma (PORN-PR) nas Minas e Energia, Pastor Isaías (Partido do Evangelho Triangular do Dízimo Ungido-PI) na Ciência e Tecnologia, Galega do Gás (PCC-SP) na Aviação Civil – e mais uns 600 nos escalões inferiores.

Agora vai.

3.
Afastada Dilma, empossado Temer, começa a batalha do PMDB, PSDB e assemelhados para esvaziar a Lava Jato, desidratar Sérgio Moro e, com isso, garantir a governabilidade etc etc etc.

O PT irá para a oposição, com a faca nos olhos e sangue nos dentes, cobrando ética, exigindo transparência e pagando lição de moral.

A gente veste uma camisa amarela e sai por aí, porque não vai ter golpe e a luta continua.

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