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O prazer da solidão
Vizinhos
O etéreo pássaro da juventude
Sogra
Sobre nomes e sobrenomes
Para maiores de cinquenta
Pequenos vícios que doem como unha riscando o quadro negro
Três pequenas reflexões sobre ser ateu
Ler ou não ler, eis a questão
Cidade imaginária, cheia de encantos mil
Cinema é a pior diversão
Se a gramática, se a gramática fosse minha…
Íntimo
Confissões pré-nupciais
Eles & nós
Diálogo fictício de um casal imaginário num lar hipotético
Gibi or not gibi (só para maiores de 50)
O que há num nome
Dan Brown for dummies
Para a Amarilis Okida
Sapatos
Fotógrafos, essa incógnita desconhecida
Um pouco de autoajuda para o 12 de junho
Mudanças
Pequena cápsula do tempo
Duplo sentido
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Eu não disse?
Complicado
O ciúme
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Naufrágio
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Depressão
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Sobre sobrenomes
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Antes só
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Empoderemos
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Finalmente, as provas da inocência de Lula
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Nada de novo no front
Brincando de Deus
No elevador
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Vira lata
Oxímoro
Traduções
Bilíngues numa língua só
Antonomásia
Choque cultural
Sobre cães e filhos
A rima é a solução
Ex

2 pensamentos sobre “Textos Anteriores

Giovani Torres de SouzaPublicado em  7:36 pm - jul 17, 2018

Gostaria de saber se um texto sobre paroxítonas é de sua autoria. Gostei muito.Para quem ama as proparoxítonas!!!

Há dois tipos de palavras: as proparoxítonas e o resto.

As proparoxítonas são o ápice da cadeia alimentar do léxico. Estão para as
outras palavras assim como os mamíferos para os protozoários.

As palavras mais pernósticas são sempre proparoxítonas. Das mais lânguidas
às mais lúgubres. Das anônimas às célebres.

Se o idioma fosse um espetáculo, permaneceriam longe do público, fingindo
que fogem dos fotógrafos e se achando o máximo.

Para pronunciá-las, há que ter ânimo, falar com ímpeto, com todas as
sílabas.

Sob qualquer ângulo, a proparoxítona tem mais crédito.
É inequívoca a diferença entre o arruaceiro e o vândalo..
O inclinado e o íngreme.
O irregular e o áspero.
O grosso e o ríspido.
O brejo e o pântano.
O quieto e o tímido.

Uma coisa é estar na ponta – outra, no vértice.
Uma coisa é estar no topo – outra, no ápice.
Uma coisa é ser fedido – outra é ser fétido.

É fácil ser valente, mas é árduo ser intrépido.
Ser artesão não é nada, perto de ser artífice.
Legal ser eleito Papa, mas bom mesmo é ser Pontífice.

(Este último parágrafo contém algo raríssimo: proparoxítonas que rimam.
Porque elas se acham únicas, exóticas, esdrúxulas. As figuras mais
antipáticas da gramática.)

Quer causar um impacto extraordinário? Elogie com proparoxítonas. É como se
o elogio tivesse mais mérito, tocasse no mais íntimo.
O sujeito pode ser bom, competente, talentoso, inventivo – mas não há nada
como ser considerado ótimo, magnífico.
Da mesma forma, errar é humano. Épico mesmo é cometer um equívoco.

Escapar sem maiores traumas é escapar ileso – tem que ter classe pra
escapar incólume.

O que você não conhece é só desconhecido.
O que você não tem a mínima ideia do que seja – aí já é uma incógnita.

Ao centro qualquer um chega – poucos chegam ao âmago.

O desejo de ser proparoxítona é tão atávico que mesmo os vocábulos mais
ordinários têm o privilégio (efêmero) de pertencer a essa família – ou não
seriam chamados de oxítonas e paroxítonas. Não é o cúmulo?

    adminPublicado em  1:28 pm - ago 27, 2018

    Olá, Giovani.

    Todos os textos publicados aqui são de autoria do Eduardo.
    Ele também tem uma coluna n’O Globo, sexta feira sim, sexta feira não.
    Confira!

    Abraços,

    Neysa Miller
    webmaster

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