Dias piores virão

 

2016 foi ruim. Muito ruim.
Mas 2017 promete ser ainda pior.

Não pela delação da Odebrecht, nem pela escalada do terror, ou pela colocação do arsenal nuclear americano ao alcance do dedo do Trump.

Ana Carolina vai lançar disco novo.
E resolveu regravar “Oceano”, do Djavan.

Lembram do que ela fez com a bela “The blower’s daughter”, do Damien Rice?

“Traduziu” “can’t take my eyes of you” para “não sei parar de te olhar” – e berrou isso em loop infinito.

A pessoa pode não CONSEGUIR parar de olhar.
Pode não QUERER parar de olhar.
Mas como é que alguém pode não SABER parar de olhar?

Perpetrou “versos” em língua de Tarzã (“Um vendedor de flores / Ensinar seus filhos a escolher seus amores”).

Antes, já havia cometido coisas como “revirar um sentimento revirado” no massacre de “La mia storia tra le dita”.

E obrado “vou de escada pra elevar a dor” – o trocadilho mais infame e sem noção desde meia hora antes do Big Bang.

Pelo menos não vai precisar “traduzir” “Oceano” do djavanês para o Português (a letra, paradoxalmente, em se tratando do autor, é compreensível).

Já me vejo tirando um ano sabático das rádios FM, pra não ter que ouvi-la trucidar o bardo alagoano duzentas vezes ao dia.

Se 2016 levou décadas para acabar (e ainda não acabou!), imagina 2017, com disco novo de Ana Carolina.

(Alguém conhece alguma boa clínica de criogenia, que alugue uma daquelas cápsulas de nitrogênio líquido por doze meses, renováveis por mais doze?

É que nunca se sabe se não vem por aí também um revival do Osvaldo Montenegro, um recital de poesia da Elisa Lucinda, uma peça do Gerald Thomas, um filme do Sérgio Bianchi ou do Cláudio Assis, uma novela da Glória Perez, um novo programa do Jô…)

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