O homem que sabia djavanês

 

Branca era a tez da manhã. O verde fazia do azul com o amarelo o elo com todas as cores pra enfeitar amores gris, e lá no mar alto da paixão dava pra ver o tempo ruir.

Na fronteira de um oásis, seu coração em paz, se abalou. Ainda bem que ele era Flamengo.

Quiçá, um dia, a fúria desse front viesse lapidar o sonho, zum de besouro, um ímã. Tudo o mais, era pura rotina, jazz.

“Minha Foz do Iguaçu, polo sul, meu azul, luz do sentimento nu”, murmurou, com um quê de pecado, acariciado pela emoção, na pureza de um limão ou na solidão do espinho.

Havia um cheiro de amor empestado no ar, e no mistério solitário da penugem, viu a vida correndo parada.

Sua vida era sedução, frenesi. Sentia você assim – sensual, árvore, espécie escolhida, pra ser a mão do ouro, asa do seu destino, clareza do tino.

A paixão era puro afã, místico clã de sereia, era castelo de areia, ira de tubarão, ilusão. E aí tudo acelerou, acelerou, deixou desigual.

Foi como ter o álibi de ter nascido ávido e convivido inválido mesmo sem ter havido, enquanto noutro plano, te devoraria tal Caetano a Leonardo de Caprio.

O veludo da fala disse “beijo”, que é doce, som de assombração, coração. Mas era mais fácil aprender Japonês em braile que obi obá que nem zen, czar, shalon, Jerusalém, z’oiseau. Na relva rala seu arerê tombara.

– Olga Maria, vá na maresia, buscar ali um cheiro de azul, que eu arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de memória. Se disfarce de Zeus, de Juruna, na deusa azul, enquanto o ouro do turno da tarde cair no beiral.

Era ilusão, fugir da fronteira de topázio e lã, ir até rubi. No sufoco, gritou rá, um saravá, e virou satã pra ir atrás do maledetto.

O destino, entretanto, não quis lhe ver como raiz de uma flor de lis, e ele caiu aos pés do vencedor para ser o serviçal de um samurai, sangrando toda palavra sã.

Dizem que o amor atrai. Mas do pé que brotou Maria, nem margarida nasceu.

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