Diário de Salvador

 

1.
Prezado Luís Inácio:

No seu pronunciamento – que (olha que coincidência!), mais uma vez, foi agendado para o mesmo horário do megapanelaço contra o governo – o senhor reclamou dos brasileiros que não acreditam no Brasil (ou que falam mal do Brasil – não deu pra entender direito por causa do barulho das panelas, apitos e buzinas).

Mais uma vez, o senhor está enganado. O brasileiro acredita no Brasil. Não acredita é no senhor, e fala mal é do senhor – e dessa senhora que o senhor colocou tomando conta do seu lugar enquanto cumpria, a contragosto, a quarentena constitucional para retornar ao poder.

O brasileiro não acredita é nas suas mentiras, nas suas lorotas e nessa lengalenga de nordestino-humilde-cuja-mãe-nasceu-analfabeta-e-desdentada, de fornecedor de milhagem para quem só andava de van ou de pau de arara.

Não se iluda, sr. Luís Inácio: o senhor e o Brasil são duas coisas bem diferentes. Eu diria, mesmo, incompatíveis. O Brasil tem jeito. O senhor, não.

2.
Começo a achar que as asas dos aviões são móveis. Não importa que poltrona eu marque, é sempre em cima da asa. Faço a reserva, e eles mandam imediatamente adaptar a asa a uma posição que me impeça de fotografar lá de cima.

Se um dia eu resolver pilotar, não tenho dúvida: a asa vai pro focinho da aeronave.

3.
Ouvido sem querer de um guia turístico que descia o Pelourinho desinformando um bando de incautos: “Essas pedras que estamos pisando eram usadas nos porões dos navios, para garantir a aerodinâmica das caravelas.”

Arrojados esses portugueses do século 16, não?

4.
Leitura matinal em Salvador (num jornal, petista paradoxalmente, chamado “A Tarde”): “Pesquisa eleitoral mostra vitória de Lula em dois dos três cenários apresentados”. Os tais “dois cenários” eram aqueles em que não há candidato tucano na disputa.

Poderiam ter ido mais fundo, e proposto vários outros cenários: um em que Lula disputa com Kim Jong Il, outro em que o concorrente é José Dirceu ou Vaccari, um terceiro contra o Maníaco do Parque e o casal Nardoni, etc. Acho que só não o fizeram porque a vitória petista não seria assim tão garantida.

5.
Baiano é alegre, cordial, falante. Menos, claro, a baiana do acarajé do Pelourinho. Essa é o caso clássico de miscasting. Vestida em trajes vistosos num lugar turístico, fecha a cara à aproximação de qualquer fotógrafo. Rosna. Esbraveja.

Algo me diz que é funcionária pública concursada, odeia ter que usar turbante e saia rodada, e preferia estar no ar condicionado, de carimbo ou grampeador em punho, destratando algum contribuinte.

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