Emergência

– É grave, doutor?

– Aneurisma cerebral.

– E o que devo fazer?

– Consultar especialistas.

– Ok, vou ver um bom neuro que atenda pelo meu plano…

– Melhor um sociólogo.

– Mas não é um problema no cérebro?

– Sociólogos entendem de tudo. E acho bom chamar também uma antropóloga da UFF…

– Doutor…

– … e um rapper de alguma ONG, que tenha um trabalho interessante com transgêneros dependentes de funk.

– … não seria melhor incluir um neuro?

– Neuros vão querer enfiar um grampo na sua cabeça, o que é uma violência, e não resolve as causas do problema. O seu tabagismo, por exemplo.

– Doutor, eu já parei de fumar.

– Sim, mas temos que tratar a causa. Quando você experimentou o primeiro cigarro?

– Eu tinha uns quinze anos.

– Governo Médici. Eu sabia que as origens estavam na ditadura militar. Melhor chamar também um humorista, uma filósofa, um cartunista e uma senadora investigada pela Polícia Federal.

– É grave assim, doutor?

– Gravíssimo. Vai ser necessário uma inter…

– …venção cirúrgica?

– Não diga essa palavra!

– Qual? “Cirúrgica”?

– Não. “Intervenção”. Meu diagnóstico é que será necessária praticamente uma Internacional Socialista, com o PSOL em peso.

– E isso vai solucionar o problema?

– Sr. Valtencir, eu aqui empenhado em problematizar, e o senhor me vem com essa lengalenga de “solucionar problema”.. Por isso que depois acaba morrendo e… Valtencir, Valtencir, responda, está me ouvindo?

– …

– Enfermeira, o Valtencir evoluiu para óbito. Providencie a remoção do corpo e mande entrar aquele paciente com septicemia aguda. Já estou com uma professora de História e um carnavalesco de prontidão para atendê-lo.

5 Comentários


  1. Deu até pra sentir o fumacê da expertise psolista “evoluindo” do campus de Humanas da uff, aqui em Nikiti!!! Muito bom texto, parabens

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    1. Deve haver alguma explicação científica para o psolismo crônico de Nikiti City.

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  2. Depois da implosão via sua pertinente crítica à Marcinha… passei a lê-lo. Melhor: passei a degustá-lo!

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    1. Seja bem-vinda (e tá vendo como até a Marcinha pode, sem querer, fazer coisas boas?).

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