Caso, namoro ou casamento?

 

Como saber se o relacionamento que você está tendo é caso, namoro ou casamento? A questão não é de tempo, obviamente. Pode-se ficar num caso anos a fio, ou já ser casamento em uma semana. Não se trata também de meros rótulos, até porque um caso vai continuar sendo um caso mesmo que você (ou, normalmente, a outra parte) passe a chamar de namoro – nem vai deixar de ser casamento só porque a outra parte (ou, quase sempre, você) insista que é um namorico.

Caso é quando ninguém fala de amor ou discute relação. Vocês se encontram (“e aí, tá de bobeira hoje?”) e já estão se pegando segundos depois de estar a salvo das câmeras de segurança do elevador. Ou talvez já comecem a se pegar no elevador, justamente por causa da cam.

Se você não presta contas diárias de tudo que fez e atende o telefone sem medo de quem possa estar do outro lado da linha, você está tendo um caso. Deu pra encontrar, ótimo – não deu, tudo bem, na quarta a gente se fala: isso é estar tendo um caso. Ninguém é dono de ninguém, ninguém faz cena, não há contrato de exclusividade. Vocês se gostam, estão felizes juntos e é o que importa. Não implicam com os amigos um do outro, não fuçam feicebuque alheio (ok, pesquisam, mas isso é defô) e não falam muito de si (falar pra que, se tem coisa melhor pra fazer?).

Perguntou quem é aquela pessoa que curte todas as suas postagens, botou apelido ou tirou cravo nas costas, aí já é namoro. Não basta mais encontrar quando der e ser muito bom: tem que encontrar sempre e nem precisa mais ser lá essas coisas. O que conta agora é uma certa aura de compromisso. Nada mais é desmarcado assim, sem mais nem menos. “Estou cansado”, “quero ver o jogo sozinho” ou um simples “hoje, não” estão definitivamente fora de cogitação.

No caso você goza – no namoro você sofre. Faz parte. É o charme da coisa. Você deixa o celular sempre à mão e olha o visor vinte vezes porque vai que alguém ligou e a bosta da Tim tava sem sinal. Você alimenta (na verdade, se entope de) expectativas, faz planos para daqui a dois meses, marca fotos da criatura no feicebuque e, dia sim dia não, vai naquele botãozinho de mudar de status de relacionamento, mas se controla. Ou não.

No caso, você leva escova de dente na bolsa ou um fio dental no bolso. No namoro, você esquece, cuidadosamente, a escova de dente em cima da pia (junto com o hidratante ou um pacote de camisinhas, pra não haver dúvidas de que o território tá demarcado – e que você tem intenção de voltar). No caso, vocês dormem (dormem?) pelados – no namoro, você pede uma camiseta emprestada, ou já deixa uma muda de roupa lá, pra qualquer eventualidade.

No namoro, você pede licença pra usar o controle remoto da tevê (no caso, vocês nem cogitam de ver tevê). No caso, vocês comem o que tem na geladeira (ou seja, não comem) – mas vira namoro quando você se oferece pra ir ao mercado, ou leva um tapué com uma pastinha, ou se oferece pra preparar, sei lá, um sushi, um miojo, uma lasanha de microondas. No caso, vocês transam em todas as posições possíveis – no namoro, escolhem a que deu mais certo e investem nessa.

Agora, se aconteceu de vocês irem pra cama juntos e não rolar nada, aí não tem dúvida: já é casamento. E não tem volta.

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