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Arquivos por mêssetembro 2016

Rio 2017

 

1. SE JANDIRA FOR ELEITA

Todas as barracas de praia voltarão a ser vermelhas, como eram alguns anos atrás.

Em solidariedade ao povo da Venezuela, o papel higiênico será retirado de circulação, e não haverá mais coco verde nos quiosques (só Maduro).

A cidade do Rio de Janeiro deixará de ser capital, já que o capital é a raiz de todos os males.

Em vez de servir merenda escolar às criancinhas, serão servidas criancinhas na merenda escolar.

Arrastão não será mais crime.
Crime vai ser levar celular, carteira ou relógio pra praia.

A língua oficial da cidade será o Jandirês, que usa a mesma estrutura do Português, porém com as palavras ganhando novos significados:

Útil = desperdiçado
Mulher = ????
Democracia = propinocracia
Sem vacilação = pedindo 410 mil à Queiroz Galvão
Exemplo: “Se tem um voto útil a ser feito hoje; é votar numa mulher que luta pela democracia sem vacilação”

Quebrar = Sanear, equilibrar
Exemplo: “Quem quebrou o Brasil foi o Fernando Henrique”.

Serão fechados todos os lava-jato da cidade, por apologia ao golpe.

A cartunista Laerte assumirá o cargo durante as ausências da prefeita – e ninguém notará a diferença.

2. SE O FILHOTE DE BOLSONARO FOR ELEITO

Alto falantes, espalhados por toda a cidade, acordarão a população às 5 da manhã, com toque de clarim.

Quem não estiver de pé, banho tomado, cabelo escovinha penteado e coturno engraxado às 5:45 terá que pagar flexão.

O toque de recolher será às 18:00 horas, pra dar tempo de chegar em casa, tomar banho, comer o rancho e ouvir a Voz do Brasil.

A cidade será bicolor: tudo que se mexe será pintado de verde; tudo que fica parado será pintado de branco (sim, é por isso que tronco de árvore em quartel é pintado de branco – pra evitar que a árvore saia andando).

O “kit homofobia” será distribuído já nas maternidades – isso só até a Prefeitura conseguir desenvolver o kit homofobia intrauterino.

A Secretaria de Educação será substituída pela de Adestramento.

Moral e Cívica será matéria obrigatória, do Maternal ao PhD. E eliminatória no ENEM.

31 de março passará a ser feriado municipal. O Dia de Zumbi, mesmo caindo em final de semana, será considerado dia útil.

3. SE O CRIVELLA FOR ELEITO

O ISS (Imposto Sobre Serviços), com alíquotas de 3 e 5%, será extinto. Em seu lugar, será criado o DSS (Dízimo Sobre Serviços) que, como mandam as Sagradas Escrituras, será de 10%.

A Praia da Macumba será rebatizada Praia do Louvor.
A Avenida Rio Branco virará Avenida Rio Jordão.
Padre Miguel será rebatizado de Pastor Jeremias.
Santa Teresa e São Conrado, respectivamente, de Apóstolo Isaías e Missionário Oséias.
Água Santa será Água Milagrosa a R$ 25,00 o Vidrinho de 50 ml.
Todos os Santos será Cúpula da Universal.
Bento Ribeiro será Ungido Ribeiro.
Vigário Geral será Reverendo.
Santíssimo será Aleluia.
A Glória passará a se chamar Ô Glória!

O Cristo Redentor ganhará um retrofit, passando a se chamar O Edir é Meu Pastor.

O Código de Obras será substituído pelo Velho Testamento.
Os flanelinhas serão substituídos por obreiros.
O SUS será substituído por sessões de descarrego e exorcismo.

As escolas de samba desfilarão na Sapucaí cantando gospel enredo, com a Ala das Samaritanas e varoas ungidas louvando no pé, e apresentarão temas como “Moisés no reino encantado do Mar Vermelho”, “Lendas e mistérios do Pentateuco” e “Sonhar com Deuteronômio dá pombinha do Espírito Santo na cabeça”.

A dispersão será na Praça do Apocalipse.

(Não, não dá mais tempo de transferir o título pra São Paulo).

Águas de Marte

 

Descobriram água em Marte. Não se sabe se há vida, muito menos vida inteligente. Se a água estiver poluída, cheia de garrafas pet e for pouca, saberemos que há vida, sim – e burra. O que é até mais provável, já que está estatisticamente comprovado que a burrice é muito mais comum que a inteligência (basta olhar em volta ou logar no feicebuque).

Mas o fato de os marcianos, estando tão perto, nunca terem aparecido oficialmente por aqui pode também ser um sinal de inteligência. Com zilhões de planetas por aí, cercados de anéis, orbitando estrelas duplas ou com dezenas de luas, vir pra Terra seria, no mínimo, falta de imaginação. Ou talvez tenham visto a nossa água, e desistido do passeio.

Supondo, como querem os ufólogos e os lunáticos (não dá pra diferenciar uns dos outros) que os alienígenas existam, e que já inclusive tenham nos visitado, pelo pouco que sabemos das suas aparições dá pra concluir algumas coisas.

1. São tímidos. Podendo baixar no reveiôn de Copacabana, na Parada Gay de São Paulo ou numa fila do Rock in Rio, preferem dar as caras de madrugada em São Tomé das Letras ou em comunidades alternativa do interior de Goiás. Isso porque não ouviram falar nas manifestações da CUT.

2. Não têm Guia 4 Rodas, ou são pilotados por aliens do sexo masculino, que se recusam a pedir informação quando estão perdidos no espaço. Só isso explica terem ido parar em Varginha MG, e não em Washington, DC.

3. Vêm de vários planetas – ou, talvez do mesmo planeta, mas de classes sociais diferentes. Se não, como explicar que uns cheguem de UFO (alta tecnologia, grande performance, design arrojado e linhas aerodinâmicas) e outros venham de OVNI (desenho ultrapassado, pintura num daqueles cinquenta tons de cinza que já saíram de moda, e girando em 78 rotações)?

4. Precisam urgentemente de um assessor de marketing. Se querem ser respeitados, têm que parar de aparecer só para ufólogos e começar a ser vistos também por gente normal ou que, pelo menos, não esteja sob efeito de substâncias ilícitas. Se continuarem a dar entrevista apenas para a “Planeta” e documentários do History Chanel, jamais terão credibilidade.

5. O que é que essa gente (de Marte, ou de Nibiru) viria fazer na Terra? Se for férias, Mercúrio é mais quente e não tem risco de chuva. Se for investimento, depois que foi rebaixado Plutão ficou bem mais em conta. Lua de mel? Saturno é mais romântico. Compras? Até onde se sabe, as camisas de Vênus são melhores que as daqui.

Ou talvez sejamos uma espécie de reality show deles. Eles nos trancaram aqui (3 bilhões de homens, 3 bilhões de mulheres e 1 bilhão de Tammy Gretchens), nos dão tarefas ridículas pra fazer, nos jogam uns contra os outros (pra isso servem as religiões, os times, os partidos, o trânsito, as festas no apartamento de baixo) e vão nos eliminando sem muito critério aparente. Volta e meia mandam o Pedro Bial deles pra dar uma espiadinha.

Por via das dúvidas, melhor começar a ir de sunga pro chuveiro. Isso enquanto ainda tem água.

Gerações presentes

 

Pais servem para nos dar a vida, nos preparar para a vida.
Avós, para nos mostrar que a vida é breve, e nos preparar para a morte.

Pai e mãe nos proíbem o doce antes da refeição, a mão suja na parede, o cotovelo na mesa, o pé descalço no chão.
Avós já viveram o bastante para saber que o sabor é que fica na memória, não a etiqueta.
Que a parede se pinta, o pé se lava, o resfriado se cura, e que o que perdura na nossa história, ao fim de tudo, não são os bons modos, mas os momentos.

Avô é o pai que errou o que tinha que errar, e acha que ainda dá tempo de salvar a próxima geração.
Sabe que não estará por perto quando o neto for adulto, e tem que fazer agora tudo que tiver que ser feito.
Daí as histórias – reais ou imaginadas, qual a diferença? – que insiste em contar a quem ainda não consegue entender. Sabe que a semente está plantada, e germinará a seu tempo.

Cada frase dita por um avô é isso; uma cápsula do tempo.
Um dia, quando não for mais que ossos e um nome esquecido das conversas, alguma de suas cápsulas eclodirá assim, do nada. E sua voz soará de novo, e suas rugas sorrirão como só as rugas sabem sorrir, e sua mão outra vez pegará a nossa e nossos olhos se refletirão nos seus. Porque teremos, enfim, compreendido o trocadilho, a piada, a lição recebida décadas atrás.

Avós são Midas: o que tocam se eterniza.
Cinquenta anos depois, ovo cozido tem ainda gosto da casa dos meus avós, não importa a cozinha abandonada, a casa demolida.
O biscoito maisena molhado no café com leite, a macarronada de domingo, as castanhas quebradas na dobradiça da porta, tudo tem ainda a mesma textura, o mesmo aroma, o mesmo estalido, muito depois de não haver mais porta, mesa, Natais com castanhas, e as ilusões estarem mortas, e os ideais, perdidos.

Meus avós estão aqui, os quatro, intensamente, nas canequinhas esmaltadas que me trazem minha vó Preta, nas palavras cruzadas que faço todas as manhãs em companhia do vô Tote, no espelho em que me deparo com o nariz e os olhos do vô Zizico, na saudade dos cuidados excessivos da vó Rosa.

Queria poder me sentar agora com vô Zizico na varanda e lhe perguntar da sua infância, da vida de oleiro, calceteiro, oficial de justiça. Apagar da memória a imagem dos seus ossos exumados, empilhados numa caixa de papelão, e lhe pedir a bênção, pedir que não fume tanto e adie o câncer que terminará por levá-lo, contar de novo o filme que acabei de ver na matinê do Cine Odeon.

Queria massagear os pés ásperos, trincados, da vó Preta, e pedir que me conte do seu pai, que morreu aos vinte e poucos anos e virou assombração, e de todos os fantasmas que enxotou a vassouradas, e dos nove filhos que enterrou, e quem sabe lhe dizer algo que a faça sorrir – coisa rara numa mulher tão seca, tão séria, tão fria, tão sofrida.

Queria acariciar de novo os cabelos de seda branca da vó Rosa, suas varizes lilazes e mornas e macias, e ouvi-la falar dos perigos do vento encanado, do sereno, do banho depois do almoço. E descobrir, finalmente, que cor eram seus olhos sempre marejados, e como que cobertos de uma névoa acetinada, e sua boca sem batom, e o rosto sem pintura.

Queria a cada noite estender um cobertor sobre a mesa da cozinha e desafiar meu vô Tote para mais uma partida de crapô, e vê-lo rir das minhas barrigadas, e me fazer aprender com meus erros. Ler para ele o que escrevo, e anotar suas correções, e a infinidade de sinônimos que sabia. Separar no meu guarda roupas um lugar para seus ternos brancos, seus chinelos, seus suspensórios, e dividir com seu pente preto e seu fixador de cabelo um lugar no armário do banheiro.

Um a um, partiram, sem se despedir. Cumpriram seu destino, de me educar para a arte da perda, para o ofício de morrer.
Queria crer que me esperam na outra margem, com mão aveludada ou cravejada de calos, de pele alva ou curtida, rosto escanhoado ou barba sempre por fazer.

Mas é aqui que estão, à minha volta.
É aqui, do meu lado de dentro, que esperam por mim.

Catfish

 

Catfish é o nosso bom e velho bagre, mas é também uma gíria para feique – perfil falso, desses que a gente faz para podermos ser nós mesmos, sem a máscara de pessoa decente, bem resolvida e feliz que costumamos usar nas redes sociais.

Há um programa com esse nome (um reality, claro), em que pessoas que foram enganadas em suas paqueras virtuais têm a chance de confrontar seus enganadores.

É – como todo reality que se preze – um bom exercício de vergonha alheia.

Mas atire o primeiro emoticon de coraçãozinho partido quem nunca teve – ou provocou – uma decepção onlaine.

Eu mesmo uma vez fui parar em Paris (eram tempos de vacas obesas) para só no Aeroporto Charles de Gaulle me dar conta de que tinha caído numa cilada. Passei o réveillon sozinho (um réveillon sozinho em Paris ainda dá mais ibope que com dois milhões de desconhecidos em Copacabana) e me mandei pro País Basco, que eu jamais teria conhecido se tivesse pedido uma foto antes de embarcar. Enfim.

Por que a gente se deixa enganar com tanta frequência na vida real, e aperfeiçoa o engano com tanto empenho no mundo virtual?

Resposta: Porque paixão é algo que acontece principalmente entre pessoas que não se conhecem direito. O que a gente não sabe do outro a gente inventa. E inventa como convém, de modo que o encaixe seja perfeito.

Quem só existia na sua imaginação passa a ter um pé no real – nem que esse pé seja um nome falso, algumas frases copiadas de um site de citações apócrifas, uma foto de cinco anos atrás, quando se tinha muitos cabelos pretos a mais e uns dez quilos a menos.

Então alguns cuidados são fundamentais.

Se vocês se conheceram numa sala de bate papo chamada “Quarentões e quarentinhas”, saiba que ela – assim como você – tem mais de 50.

Se ela se descreve como “gostosa” é porque é gorda.
Se diz ser “cheinha”, é muito gorda.
Falou que é “fofa”, prepare-se porque deve haver uma cirurgia bariátrica a caminho.

E não pense que ela se iludiu com sua descrição como “forte” ou “parrudo”.
No fundo, ela sabe que isso também quer dizer “gordo”.

“Empresário” quer dizer que você não tem emprego fixo.
“Autêntico” significa que você é grosso.
“Sensível”, se for mulher, quer dizer que é chorona.
Se for homem, gay.

“Extrovertida” quer dizer espalhafatosa.
“Divertida”, sem noção.
“Excêntrica”, maluca de pedra.

“Simpática”, pouco dotada de atributos estéticos (sendo objetivo: feia).
“Elegante”, feia, porém as roupas disfarçam.
“Agradável”, feia de dar dó, mas esforçada.
“Esforçada”: burra.

“Carente” é o mesmo que dependente.
Fuja enquanto é tempo.

Estar “disponível para relacionamento” indica que está abandonado, esquecido na prateleira de baixo. Às moscas.

Se disser que é “culto”, espere encontrar um sujeito metido.
“Metódico”, um neurótico.
“Companheiro”, um cara totalmente sem pegada.

(E “companheira” é o mesmo que chata, sem opinião própria, maria vai-com-as-outras.)

“De família”, se for mulher, quer dizer “ruim de cama”.
Se for homem, péssimo. Isso se houver cama.

“Não discuto política” = alienado(a)
“Gosto de política” = coxinha golpista ou petralha canalha, o que for mais incompatível com você.

“Humilde” quer dizer pobre.
“Simples” quer dizer pobre.
“Honesto” quer dizer pobre.
E ”trabalhador” ou “batalhador” – não se iluda – também quer dizer pobre.

Como tudo vale um pouco a pena se a alma não é muito pequena, mesmo nessas roubadas alguma coisa se aproveita, e algo se aprende,

Por exemplo: que amor onlaine é tão genuíno quanto dinheiro do Banco Imobiliário e que a conquista é tão efetiva quanto a dos territórios no War.

A segunda é que do outro lado quase certamente tem alguém tão indulgente com a realidade quanto você.

A terceira é que, sim, há uma chance em um milhão.
Se você já ganhou sozinho na loto, já foi entrevistado pelo Ibope ou bem atendido pela Net, então vai que é tua.
Você é um cara (ou uma coroa) de sorte, e há de encontrar um pé torto para o seu chinelo roto.

A quarta é que nada substitui tirar a bunda da cadeira, botar um salto alto ou um sapato sem fivela (sapatênis, nem pensar!) e ir à luta.
Recomendo a seção de vinhos do Zona Sul, a Smart Fit na hora do almoço e qualquer fuditruque de feira orgânica.

Você pode não pegar ninguém, mas pelo menos vai perder a barriga, se alimentar melhor e ter o que bebericar enquanto ri sozinho das desgraças alheias assistindo ao Catsifh, na MTV.

Eleições & Elections

 

1.
Não entendo todo esse auê em torno do “acordo de paz” entre o governo da Colômbia e as FARC.

Que paz, se não havia guerra?

Afinal, os livros de História editados pelo PT deixavam bem claro que os guerrilheiros colombianos “sonham com uma nova sociedade, mas os Estados Unidos os acusam de terrorismo”.

Se o PT ainda estivesse vivo, esse acordo fajuto não rolava.
Não mesmo.

2.
Não confio nessa Lava Jato nem nessa Polícia Federal.
Ô povinho midiático, espetaculoso e ingênuo.

Que prova eles têm que o tal “italiano” que aparece nas planilhas da Odebrecht seja mesmo o Palocci?

Quem garante que não é o Ricardo Berzoini? o Luiz Dulci? o Paulo Vannuchi? o Wagner Rossi? o Miguel Rossetto? o Guido Mantega? São todos igualmente italianos – e corruptos.

E se o Marcelo Odebrecht quis criptografar as coisas e chamou de “Italiano” o libanês Fernando Haddad, o francês Silas Rondeau, o alemão José Fritsch, o também alemão Mangabeira Unger, o japa Luiz Gushiken, a búlgara Dilma Rousseff?

Só porque o Marcelo Odebrecht não viu o Palocci numa cerimônia e escreveu que “o italiano não estava na diplomação da Dilma”?

Ora, senhores, o Berlusconi também não estava lá. Nem o Reinaldo Gianechini. Nem o Marcelo Crivella. Nem o Bruno Gagliasso. Nem o Carlos Marighella. E nem por isso foram presos.

Isso é perseguição política. Estamos voltando aos tempos da ditadura.

Só falta aparecer uma anotação dizendo que “o molusco de nove dedos” fez isso ou aquilo, e a PF amanhecer na porteira do sítio de Atibaia.

3.
Parece que o Moro levou a sério aquela ironia do Lula sobre a “República de Curitiba”.

Já levou pra lá três tesoureiros, dois ministros da Fazenda e dois da Casa Civil.

Não demora, fecha a escalação do ministério e, de quebra, leva até um presidente. Ou dois.

4.
Lula apoia Jandira (6% de intenção de votos).

Chico Buarque apoia Freixo (9% de intenção de votos).

Juntos, ainda é menos da metade da intenção de votos do bispo Crivella (35%), apoiado por Romário, Garotinho e Edir Macedo.

A música popular e o presidente popular já foram mais populares.

5.
O terceiro colocado na disputa pela prefeitura de Salvador é o Pastor Sargento Isidoro, ex-viciado, ex-adepto do candomblé e ex-gay.

“Eu estava gay, sim. Já queimei rodinha e rosquinha, queimei tudo, mas o que interessa é que Jesus mudou a minha vida.”

Pena que não seja candidato no Rio. Pelo menos teríamos uma alternativa contra o Crivella no segundo turno.

6.
Temer tinha que botar tornozeleira eletrônica na língua dos seus ministros ou decretar um “vaca amarela” geral no ministério.

Nem se Dilma tivesse infiltrado gente da sua confiança o resultado seria tão desastroso.

7.
Hillary foi de vermelho (cor dos republicanos) ao debate de ontem.
Trump foi de gravata azul (cor dos democratas).

Mais ou menos como se Aécio tivesse usado gravata de estrelinha e Dilma, um casaquinho com estampa de tucano.

Isso que é esforço para cativar os adversários.

62% acham que Hillary venceu o debate. 27% acham que foi Trump.

Mesmo fantasiada de Dilma Rousseff, eu ainda votaria nela.

(Nisso que dá não ter um único candidato decente aqui no Rio nestas eleições. A gente fica brincando de votar em Curitiba, em Salvador, nos Estados Unidos).

Código de honra

 

1.
Estou estarrecido com a prisão midiática e espetaculosa do Palocci.
Tenho a convicção, inclusive, de que foi sem provas.

É mais uma atuação arrogante e prepotente dessa Polícia Federal golpista, que não levou em conta nem as questões humanitárias.

Sim, porque a mulher de Palocci tinha manicure marcada para o sábado que vem, e ele foi levado preso hoje, segunda-feira.

Que condições terá essa mulher de tirar a cutícula no sábado, sabendo que o marido está comendo pirogue e cachorro quente com duas vina, e passando frio em Curitiba?

2.
A operação de hoje se chama “Omertá”.

Eu, se fosse a Máfia, processava a Lava-Jato por associá-la, de alguma forma, com as práticas do PT.

A Máfia, todos sabemos, tem um código de honra.
Tem uma ética.
Um nome a zelar.

3.
Com a prisão do Palocci, a petezada deve dar um tempo na malhação do projeto do governo para o ensino médio (projeto que era do PT de Dilma, diga-se de passagem), e centrar fogo nas declarações do ministro da Justiça, que adiantou semana passada que haveria nova operação esta semana.

Isso, sim, é crime inafiançável.

#foraAlexandredeMoraes
#impítimãjá

4.
No debate entre os candidatos a prefeito do Rio, Índio da Costa, perguntado sobre ensino público, respondeu que não se deve bater em mulher.

Dilma Rousseff e sua técnica de só falar de golpe, qualquer que fosse a pergunta, fizeram escola.

5.
O PT tirou o vermelho e a estrelinha do material de campanha.

O bispo Crivella tirou a palavra “bispo” e qualquer menção à Igreja Universal.

Nessas horas é que a gente tem que dar o devido valor a gente como o Greca, que assumiu que quase vomitou quando botou um pobre dentro do carro.

Se eu não tivesse transferido meu título de Curitiba pro Rio, meu voto era dele (de novo).

6.
O prefeito mais popular das capitais é do PMDB (Teresa Surita, Boa Vista), com 72% de aprovação.

O mais impopular é do PT (Paulo Garcia, Goiânia), com 62% de reprovação.

E olha que esse casamento do PT com o PMDB durou mais que o do Brad Pitt e a Angelina Jolie.

7.
Lindbergh Farias foi chamado de ladrão e safado num restaurante da Barra.

Ele diz que estamos vivendo num ambiente fascista.

Como dizia um finado compositor petista, “Eu semeio vento na minha cidade / Vou pra rua e bebo a tempestade”.

Vovô garotão

 

Nunca pensei que fosse fazer isso na vida, mas comprei um sapatênis.

Sapatênis, pra mim, está para o sapato e para o tênis assim como a pochete está para a bolsa, a mochila e a carteira.
É um transgênero, uma mutação genética, uma aberração.

Mas ficou bem.
E dá pra usar com quase tudo.

Não dá pra usar com terno.
Mas terno eu não uso.

O sapatênis é mais uma prova de que todo homem tem seu preço.

No meu caso, o preço é a preguiça de levar na bagagem um par de sapatos para o evento social e um par de tênis pra sair pra fotografar quando der tempo.

E aí você vai com pinta de vovô garotão ao evento social e de tio sukita à caminhada fotográfica.

Porque ele é casual demais e esportivo de menos.
Ou seja, fica mal nas duas.

Mas é confortável.

Menos que o tênis, mais que o sapato.

Sapatênis é uma espécie de agnóstico, aquele que sabe que Deus não existe mas continua acreditando assim mesmo.

É o gay com um casamento de fachada.
O petista dando pinta de isentão.
O novo rico se enrolando com os talheres e os pronomes.

Acha que convence, mas não engana ninguém.

Não é um dois-em-um.
É um nenhum em dois.

Mas comprei, tá comprado.

A moça da Mr. Cat disse que ficou bem, e eu acreditei.

Eu sempre acredito no que dizem as vendedores desesperadas, quando sou o único cliente, a loja está pra fechar e pela sua aparência desolada (dela e da loja) imagino que não tenha vendido quase nada.

Sua esposa vai adorar, ela disse, queimando o último cartucho.

Não tem esposa nenhuma, respondi, quando devia era ficar calado e devolver o pé à caixa.

Não tem porque não quer, ela contra-atacou, e aí capitulei, e comprei antes que ela achasse que valia a pena buscar mais munição.

É um sapatênis marrom, de sola num tom mais claro.

Não é daqueles que gritam “eu sou um sapatênis”.

É um sapatênis introspectivo, ciente da própria condição de monstrengo, e conformado.

Talvez só o use em casa, quando não houver ninguém por perto.

Talvez arrisque numa saída em que tenha a certeza de não encontrar nenhum conhecido.

Ou talvez mande tudo às favas, nem que seja só para me dar conta de que ninguém repara nessas escorregadelas de estilo.

Afinal, já tive um raider.
Já usei blazer com a manga arregaçada.
E jaquetão de ombreira.
E sapato preto com meia branca.
E, claro, pochete.

Ao mullet não cheguei ainda.

O sapatênis pode ser o passo que faltava.

Eros

 

Meu sobrinho agora é pai.
Que nome dar ao rebento?
Caio Júnior não cai
Tão bem a este nascimento?

Não, nem tampouco Hélder Neto
ou Eduardo Sobrinho.
Vai que ele que vira arquiteto
Ou causídico, coitadinho.

A mãe pensou em Bernardo
O pai sugeriu Heitor.
Mas querem pro felizardo
Um nome que fale de amor.

Eros, é como vai ser.
Mas já ganhou apelido.
Nem bem acabou de nascer
E o Eros, pra mim, é Cupido.

~
Para a Juliana e o Caio, que acabam de trazer ao mundo o pequeno – ou não tão pequeno – Eros.

Por enquanto, precisando de cuidados – mas logo estará a postos, flechando corações, conquistando nossa Psiquê.

Vida inteligente

 

PEQUENO CONTO DE FRICÇÃO CIENTÍFICA

– Viu que cientistas descobriram um planeta parecido com o nosso?

– Habitável?

– Ainda não dá pra saber. Parece ser rochoso e tem temperatura compatível com mercúrio em estado gasoso.

– Havendo mercúrio e arsênico, pode haver vida.

– É. O problema é se houver água…

– A vida não poderia se desenvolver num lugar com água. Nem com oxigênio na atmosfera.

– A questão é se não devemos sair do losango, e imaginar a possibilidade de um tipo de vida diferente da nossa…

– Como assim? Vida é vida, só existe se houver uma atmosfera rica em cianeto.

– Mas imagine um tipo de organismo que precise de oxigênio, de água…

– Não venha com esoterismos, Og. O mais provável é que nunca saibamos se, além de Próxima B, haverá outro planeta capaz de abrigar vida tal como a conhecemos.

– Mas esse planeta que descobriram, esse… como se chama?

– Terra.

– Terra. Se nesse planeta Terra houver vida, será que terá se desenvolvido, atingido algum nível de civilização, ou ainda estará naquele estágio de taxista brigar com Uber, ter reality show na televisão e gente votando em partido de esquerda?

– Possivelmente terá superado esse estágio tão primitivo, porque o planeta já existe há mais de dez anos, segundo os especialistas. Teve tempo de sobra para evoluir.

– Tinha vontade de ver como seria a vida num planeta assim. Se eles palitam as unhas, tiram selfie do cotovelo, soltam pum pelo umbigo, acreditam em divindades…

– O que sei, meu caro Og, é que, se houver alienígenas, eles não serão como nos filmes, todos parecidos com a gente, com sete tentáculos, treze olhos, dentes nas orelhas e uma cloaca na testa.

– Claro que não, Klog. Podem ser coisas estranhas, tipo com olhos só na frente, nariz escorrendo coriza pra boca e órgão sexual servindo também pra fazer xixi.

– Não creio que sejam tão monstruosos. De repente são só criaturas mais elementares, do tipo que não sobrevive à radiação, não digere chumbo ou ouve Jorge Vercilo.

– É. Seres assim jamais serão capazes de construir espaçonaves, sondas e, um dia, fazer contato conosco.

– Se nós, com toda a nossa tecnologia, nunca conseguimos fazer um disco voador decente…

– Enquanto não privatizar, não vai dar certo.

– Conforme-se, Og: vida em outro planeta é coisa de ficção científica.

– Pode ser, Klog. Mas sendo bilhões e bilhões de estrelas, será que…

– Está no tablet sagrado: o Supremo Vod fez todo o Universo em sete semanas apenas para iluminar a noite e para a gente ganhar verruga na ponta do tentáculo se apontar para as estrelas. Depois povoou Próxima B com os vírus, bactérias e flanelinhas, e nos criou à sua imagem e semelhança, e somos o topo da criação. Somos os únicos seres inteligentes do Universo.

– Mas e aquelas linhas nas montanhas, que só podem ser vistas do espaço? E os cones feitos com pedras gigantescas, no meio do deserto? E os calendários de civilizações extintas que marcavam com exatidão a hora do chá?

– Você anda assistindo muito “Terráqueos do Passado”, Og.

Algo de podre

 

1. Beneficiários do Bolsa Família (teoricamente, pessoas carentes, que dependem de subsídio do Estado para sobreviver) doaram mais de 5 milhões de reais a políticos. E doaram o dobro disso em bens e serviços.

Como diria um petista, “alguma coisa está fora da ordem”.
Como diria outro petista, “dormia a nossa pátria mãe, tão distraída / sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.
Como diria um terceiro petista, “marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo”.

2. O mundo veio abaixo porque prenderam o Guido Mantega no dia em que sua mulher ia ser operada.

O Moro mandou soltar em seguida.

A esta altura, Lula já deve ter agendado cirurgias diárias de aplicações de botox e preenchimento labial em dona Marisa até 2020.

3. O pacto de não agressão (ou pura e simples formação de quadrilha) dos candidatos de “esquerda” à prefeitura do Rio durou só até estarem todos embolados na disputa.

Freixo e Jandira já se estapeiam para ver quem é que vai perder de lavada para o “pastor” Crivella no segundo turno.

4. Nada é tão ruim que não possa ser ainda muito piorado – e não só na política ou no meu colesterol.

Me deparei ontem com mais um reality, o “De férias com o ex”.

Um bando de sarados tatuados, pegadores e machistas e suas ex, um cardume de pegadoras siliconadas, desbocadas e machistas, todos juntos se pegando, xingando, traindo e bebendo num cenário paradisíaco, enquanto tentam encontrar o amor verdadeiro se reconciliando com quem já sabem que não vai dar certo, ou buscando uma nova oportunidade com quem não tem a menor chance de sucesso.

Como os realities na tevê são tão inevitáveis quanto as greves dos bancários em setembro, por que não lançam…

– O FRAQUE IDEAL
Noivos vão escolher o traje do casamento, acompanhados do sogro, do pai e dos padrinhos.
O sogro nunca aprova o caimento e acha que a braguilha ficou muito evidente.
Os padrinhos adoram a gravata, mas acham que devia ser de outra cor, outro modelo e em outro tipo de tecido.
O pai chora.

– MASTER CHEF MIOJO
Solteiros se enfrentam em sucessivas eliminatórias para definir quem faz o melhor miojo.
O vencedor ganha o direito de participar da competição seguinte, de nível profissional, o Master Chef Lasanha de Micro-Ondas.

– LUNÁTICOS DO PASSADO
Apresentador artificialmente bronzeado, mais despenteado que o Guga Chacra e com olhos mais vidrados que o Lindbergh Faria, apresenta provas irrefutáveis de que todos os avistadores de disco voador estavam sob o efeito de substâncias ou tinham um parafuso a menos.

– PRATO FEITO
Uma loja mantida por três sujeitos meio fanfarrões e casca grossa, que servem PFs para pessoas que não têm grana suficiente para ir a um restaurante decente. É só isso.

– ESQUADRÃO DO ACOMODA
Deputados com mau gosto para a ética e que não sabem como combinar discurso de campanha e atuação parlamentar, se acomodam em outro partido, onde recebem orientação de especialistas para dar uma repaginada, ganhando um novo look e ficando irreconhecivelmente igual ao que era antes.

– IRMÃOS NA MASSA
Dois irmãos gêmeos univitelinos idênticos iguaizinhos um ao outro (só muda o avental) ajudam casais com dificuldades culinárias a fazer macarrão, pão, bolo e nhoque. Um, de avental mais mauricinho, faz a massa; o outro, de avental mais descolado, o molho.

– KEEPING UP WITH THE BALABANIANS
Câmera acompanha a vida loka de Araci Balabanian e sua família disfuncional, que inclui uma madrasta travesti, uma sogra ninfomaníaca, as sobrinhas megalômanas, os tios cleptomaníacos, as cunhadas dependentes de preenchimento labial e o primo isentão.

– AGARRADOS E BEM VESTIDOS
As aventuras de José Dirceu, João Vaccari, Marcelo Odebrecht, Ricardo Pessoa e Alberto Yousseff na carceragem da Polícia Federal, lutando para sobreviver ao banho frio, ao juiz Sérgio Moro e ao sotaque dos carcereiros curitibanos, tendo como única arma sua fé no marxismo e na delação premiada. A nova temporada promete emoções ainda mais fortes, com a visita relâmpago de Guido Mantega, e a chegada do chefão do esquema e sua excelentíssima senhora.