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Arquivos por mêsabril 2016

Quanto pior, melhor

 

1.
Leio que o Temer não vai conseguir enxugar o ministério para “caber” da Esplanada, ou seja, ficar só nos 17 edifícios originais projetados pelo Niemeyer e pelo Lúcio Costa.

Descobriu (descobriu?) que tem que acomodar os partidos que o apoiaram – ou seja, TODOS os partidos, tirando o PT, o PDT, o PC do B e o PSOL.

É partido pra caramba.

Agora, vem cá: não foi pra acabar com essa maneira podre de fazer política, loteando cargos, entregando a chave do cofre aos aliados, que demos o golp… oops, que batalhamos tanto pelo impítimã?

Se era pra entregar os Transportes do PR, a Saúde ao PP, a Educação à PQP, deixasse a Dilma lá.

2.
Lula avisa que vai fazer da vida do Temer um inferno.

Vai botar os movimentos sociais na rua, fazer manifestações, bloqueios, paralisações, greves.

Quem mesmo que reclamava que a oposição que faziam ao PT era na base do “quanto pior, melhor”?

3.
Dilma deve fazer, nesses últimos dias que lhe restam, política de terra arrasada.

Vai torrar o que puder em propaganda (já está torrando), aumentar o Bolsa Família, inaugurar tudo aquilo onde der pra amarrar uma fita.

Depois solta o rojão na mão do Temer, e vai correr mundo (às nossas custas) denunciando o golpe de que foi vítima.

4.
Ainda bem que quem andou cuspindo por aí foram o Jean Wyllys e o José de Abreu.

Já pensou se fosse a Jandira Feghali?

Seus alvos teriam sido incinerados.

5.
Eu, se fosse o Temer, ficava só com 9 ministérios, entregava cada um deles a uma sumidade, um notável, indicava o Moro pra próxima vaga que abrisse no STF, dobrava a verba da Polícia Federal, duplicava a Papuda, anunciava em cadeia nacional que as leis do país passam a valer também para a CUT e o MST, e comprava dois pedalinhos em formato de cisne para pedalar com a Marcela pelo Lago do Paranoá ao cair da tarde.

Rosa

 

Minha vó Rosa faz 116 anos hoje. Já era velhinha aos 59, quando me tornei seu neto. Nunca consegui imaginá-la jovem ou criança, e não há nenhuma foto sua dessa época para que a vejamos como a viram sua mãe Margarida, meu vô Tote. Mesmo depois, raramente se deixou fotografar. Suponho, por isso, que tenha nascido idosa.

Minha vó Rosa não tinha a menor vaidade – sempre o mesmo corte de cabelo, o mesmo rosto enrugado sem qualquer pintura, os mesmos vestidos maria-mijona, chinelinhos baixos. Andava pela casa procurando os óculos, com os óculos bem ali, diante dos olhos, acocorados sobre o nariz.

Tinha varizes imensas nas pernas, com as quais eu gostava de brincar. Eram macias, textura de nuvem. Me sentava junto das suas pernas e passeava os dedos pelo relevo lilás, arroxeado, encantado com as curvas, o pulsar vivo daqueles rios subterrâneos (subcutâneos), mas, principalmente, com sua maciez, sua consistência morna. Eu achava lindas as varizes de minha avó, como eram lindos seus cabelos cinzentos sempre presos com grampos, seus olhos aquosos, sua fala sem floreios (meu avô falava bonito, minha avó falava sem adjetivos, sem figuras de linguagem, sem essas palavras que só aparecem nas palavras cruzadas).

Da última vez que a vi, estava no hospital, desenganada. Apertou minha mão e me chamou de “meu namorado” – não sei se havia perdido a lucidez ou se nunca estivera tão lúcida. Fomos, sim, namorados – enamorados – desde que me entendo por gente. Sempre me fez todas as vontades, sempre insistiu pra que eu usasse agasalho (mesmo nas noites mais quentes) e não esquecesse o guarda chuva (o sereno é um perigo!). Sempre foi mais carinhosa que minha mãe – não é pra isso que servem as avós? – e me dava doces fora de hora, e me tirava do castigo, e não gostava que me batessem – esse menino não é jirau de pancada!

Não me contaram quando minha vó Rosa morreu. Se esqueceram do quanto eu a amava. Soube muito depois, por acaso, e talvez por isso nunca tenha acreditado na sua morte. Não a vi sem a respiração conflagrada de quem padeceu a vida toda de enfisema e (acho) como eu, da asma. Não a toquei quando já não havia mais calor no seu corpo, varizes estagnadas.

Procurei uma vez seu túmulo, em Eugenópolis – lugar onde nasceu e para onde a levaram, longe do meu avô, perto de seus pais, como se fosse ainda uma menina. Andei por todo o cemitério e não achei. Queria ler seu nome de flor numa lápide para me conformar com sua morte. Não vi o corpo de minha avó, não encontrei (não quis encontrar?) seu último leito. Talvez por isso nunca tenhamos deixado de comemorar, eu e minhas lembranças, o seu aniversário.

Parabéns, vó Rosa, nesta data querida. Muitas felicidades, muitos anos de vida.

Baianidades

 

1.
Não existe sorvete de casquinha.
Sorvete é no copinho ou no cascalho.

2.
Pego o ônibus de volta pra casa e aí é que vejo que só tem nota de 50 na carteira.
O trocador olha pra gavetinha dele e diz que tem troco, não.
Antes que eu faça menção de pedir pra descer e arrumar trocado, ou proponha esperar que o troco apareça, ele pede ao motorista que pare e abra a porta do meio.
“Desce, e entra lá por trás”.
Faço isso me sentindo um contraventor, mas é assim que funciona.
Se ele não tem troco, não é culpa minha.
Viajo de graça – não sem imaginar se não tem gente que aplique esse golpe, ou sem avaliar a possibilidade de só andar com nota de 100 no bolso quando for pegar ônibus em Salvador.

3.
Parece que ninguém coa nada por aqui.
Desde que cheguei que estou atrás de uma peneira – pra coar limonada suíça, suco de maracujá feito com a fruta – e não encontro.
Já fui no BomPreço, não tem. Nas Lojas Americanas, não tem. No Perini, não tem. No Le Biscuit, também não.
O jeito vai ser tentar no e-bay, no Mercado Livre, no amazon.com, no Alibaba.

4.
No ônibus, pergunto ao senhor ao meu lado se ainda está longe do Shopping da Barra.
Em vez de dizer que não sabe, ele se levanta, vai até o motorista, se informa, aperta o botão de parada e me diz “é no próximo ponto!”.

Igualzinho no Rio de Janeiro…

5.
“Lascar”, aqui, tem conotação sexual.
Sim, isso mesmo que você está pensando.
Logo, pense duas vezes antes de dizer “estou lascado” quando houver um soteropolitano por perto.
Ele pode entender mal, e aí você tá f*dido.

6.
No Rio, cachorro na praia é proibido.
Aqui parece ser obrigatório.

7.
Salvador me lembra muito Havana.
Com a diferença que lá tem muito menos esquerdista.

Primeiros

 

O PRIMEIRO MORTO

Morávamos em Unaí, eu teria dez, onze anos. Meu pai viajava sempre, deixando minha mãe sozinha com os cinco filhos, numa casa sem energia elétrica, no meio do nada, janelas hermeticamente fechadas por causa dos pernilongos e barbeiros, sob um calor sufocante.

Uma madrugada, batem à porta. Minha mãe vai atender, de revólver em punho, seguida por mim e por meu irmão.

Lá fora, o visitante avisa: matei um homem, vim me entregar ao juiz.

Minha mãe abre a porta e com a luz do lampião vê que ele não veio se entregar sozinho: arrasta o defunto, pelo colarinho, até nossa soleira.

Minha mãe pede que ele vá até a delegacia, é lá que deve se entregar. O sujeito não sabe onde fica, minha mãe explica: seguindo pela avenida Nossa Senhora do Carmo, na penúltima rua vire à esquerda.

Mal o assassino sai, manda meu irmão ir correndo (não há telefone) até a delegacia, pela rua de baixo, para que a polícia intercepte o criminoso, caso ele mude de ideia no meio do caminho, e para que venham buscar o morto.

Meu irmão e o assassino seguem sozinhos, na escuridão, por ruas paralelas – um no galope de passos curtos, o outro possivelmente a passos meditados.

Ficamos na porta – eu, minha mãe e o morto, à espera. Meus outros irmãos dormem sob seus mosquiteiros.

De repente, o morto murmura “água”.

Esfaqueados têm sede – minha mãe me explicará depois – e não se pode dar água a eles. Ela me manda buscar gelo (comprávamos gelo diariamente na fábrica de picolé, e a caixa de isopor nos servia de geladeira).

O morto sorve as pedras de gelo, num barulho de fole, enquanto se esvai.

Não me lembro do meu irmão voltando, nem do que fizeram ao morto – se morreu ali, se deixou para morrer depois. Fui dormir, e quando acordei o sangue já tinha sido lavado da garagem.


 
O PRIMEIRO BEIJO

Treinei chupando laranja. Treinei do dorso da mão. Observei bem como faziam nas novelas.

Havia que encostar os lábios, torcer um pouco para a direita, para a esquerda. Sugar, talvez. Ou só ficar ali, rostos desencontrados para que os narizes não se esmagassem, preferentemente de olhos fechados e respiração semiofegante.

Beijar na boca era uma questão de tempo. E o tempo de beijar na boca não chegava. Era preciso, primeiro, arrumar a namorada.

Eu tinha várias em vista, mas era muito novo – e muito tímido -, e meninas da minha idade preferiam homens maduros, com mais de 17.

Finalmente uma se interessou, e passamos a conversar à noite, no seu portão – namorar era isso, não?

Quando a conversa se esgotava, abrindo-se uma clareira de silêncio entre nós, ou quando dava nove horas – o que acontecesse primeiro -, eu me despedia com um beijo no rosto, sem saber como avançar para o estágio seguinte.

E assim se passaram noites, semanas, meses, séculos, eu acho. Um beijo no rosto, e descia a rua, seguia a linha do trem e atravessava a ponte, a caminho de casa, prometendo a mim mesmo que, na noite seguinte, o beijo seria cinco centímetros mais à esquerda, mais à direita, mais para baixo, mais próximo do alvo.

E na noite seguinte, o beijo seguia firme na bochecha.
Seco.
Fraterno.
Diametralmente oposto à minha intenção, como que para compensar o terror que eu sentia de ela perceber a indisfarçável ereção, que depois me acompanhava até em casa, junto com o desapontamento e a autorrecriminação.

Até que uma noite, em meio ao milésimo insípido beijo na face dado às nove horas, ela, de súbito, me segurou pelo braço, girou o rosto e enfiou a língua na minha boca.

Aquilo não era um beijo – era um lagarto viscoso, uma lesma gigante, um tentáculo de polvo se metendo entre meus dentes, galgando o céu da boca.

Não sei quanto tempo durou o choque, a náusea, a vontade de cuspir aquela carne esponjosa que não estava nos planos, que invadia o beijo sem ser convidada.

Voltei para casa sem chão, sem ereção, sem acreditar que beijo na boca fosse aquilo.
Não havia o que sorver, como na laranja; não havia a maciez passiva do dorso da mão – só uma saliva que não era a minha, e uma enguia morna se debatendo, em convulsão.

Depois vieram – nem sei como – o segundo beijo, o terceiro, os milhares, milhões que se seguiram, e me acostumei – ou me conformei.

O que sei é que ninguém nunca me beijou melhor que um caju maduro, que uma manga ubá, uma laranja bahia cortada de tampa.

Enquanto isso, num universo paralelo…

 

… o Presidento Aécio Neves luta desesperadamente para se safar do impítimã.

Já denunciou à OEA, à OTAN e ao Pacto de Varsóvia que é vítima de uma intentona comunista – apesar de o PT e o PSOL estarem roucos de dizer que não são comunistas, que o impeachment está previsto na constituição e que não faz sentido comparar o momento atual com o levante vermelho de 1935. Só a cor das bandeiras é a mesma, mais nada.

O Presidento acusa o antigo aliado e agora desafeto, Paulo Maluf (Presidente da Câmara, que responde a 127 processos, e nega ser turco e ter conta na Suíça) de agir por vingança.

Visivelmente alterado pelo uso de substâncias, Aécio deu margem a milhares de memes em que aparece saudando o inhame, dizendo que atrás de toda velha tem um gato e sugerindo estocar espirro.

Isso como se não bastassem a inflação galopante, o desemprego em massa, a perda do grau de investimento, a recessão profunda e a urucubaca geral que se abateu sobre o pais durante sua gestão (ou gestação, como ele insiste em dizer).

Os ânimos estão acirrados. Ary Fontoura escarrou num casal homoafetivo que o chamou de “empadinha” num boteco da Boca Maldita – e depois foi se defender no TV Fama.

Regina Duarte fez um discurso confuso em defesa do Presidento (a quem não apoia, mas chama de Presidento assim mesmo), e acabou atacada no Orkut por hordas de petistas e psolistas indignados com a fortuna que ela conseguiu captar de incentivo fiscal para fazer uma fotonovela.

O Supremo, com 8 juízes indicados pelos tucanos – inclusive um ex-advogado do PSDB – tem aceito as delações premiadas das empreiteiras envolvidas no Valão, o escândalo de corrupção que praticamente quebrou a Vale do Rio Doce, mais importante empresa estatal do país.

A Operação Lanternagem e Pintura, da Polícia Federal, já botou quase metade do PIB nacional na cadeia, e está nos calcanhares de Aécio e sua turma.

A deputada Grazi Massafera, empadinha radical, chamou os petistas de “canalhas” na votação do impítimã e, na saída, ainda mostrou o dedo médio para Gleisi Hoffman, que defende a intervenção militar.

Aécio está ainda mais isolado depois que não conseguiu nomear FHC para o Ministério da Defesa, a fim de livrá-lo de uma juíza de Sergipe (ou “da República de Aracaju”, como ele chama). FHC alega que a penthouse nos Champs-Élysées comprada por d. Ruth não é deles, que o filho que teve com uma amante não é seu, e que a amante é do José Serra – ele apenas a compartilha nos finais de semana. Ninguém acreditou.

Aloysio Nunes (que, apesar de ser o vice eleito, “não teve um voto sequer”, segundo os tucanos) já monta seu governo, e é chamado de traíra, judas e fura-olho pelo ministro da Casa Civil Geraldo Alckmin e pelo Advogado Geral da União, Ronaldo Caiado.

Os petistas dão risada quando algum tucano diz que “Aécio não pode ser deposto porque foi eleito democraticamente por 54 milhões de brasileiros” e “vocês não se conformam em ver rico andando de ônibus e branco usando o SUS”.

Quando parecia que nada poderia piorar, a nova Ministra do Turismo (a décima terceira desde a posse do Presidento) levou o marido, um ex-ator pornô que já teve o título de Mr. Big Dick, para fazer fotos de sunga no gabinete.

Lula, que se manteve quieto e nas sombras durante os 13 anos de governo tucano, evitando meter o dedo na política e fazer oposição, raramente se manifesta.

A última esperança do Presidento é seu fiel aliado Fernando Collor, Presidente do Senado e com ficha mais suja que poleiro de pato.

Se nada mais der certo, Aécio pretende convocar novas eleições e, com o que sobrou do Valão, do Itaipuzão, do BNDESão, do Eletrobrasão e do Furnão, eleger novamente FHC – garantindo, com isso, foro privilegiado para si próprio como ministro de uma das 97 pastas criadas durante seu governo.

Ninguém se lembra mais de quem seja Dilma Rousseff.

Argumentação

 

1.
PT critica Temer por montar governo antes mesmo da decisão do Senado sobre o impítimã.

Queriam o que? Que ele esperasse o último senador invocar a esposa, a filharada, a concunhada, Deus e os parceiros de truco, para então começar a se articular? Que montasse um ministério nas coxas, na base do escambo, como sempre fez a Dilma?

Tenho pra mim que o Temer começou a montar esse governo em 2010.

2.
Dilma vai montar governo paralelo no Palácio do Alvorada.

Quem vai pagar os salários desses paraministros, já que o Marcelo Odebrecht tá em cana, o Fernando Baiano não tem mais acesso à senha das contas e o Moro fechou a torneira do petrolão?

A propósito, ela não devia também esperar o resultado do Senado para cair de novo na clandestinidade?

3.
Uma bela e descabelada Gleisi Hoffman foi à tribuna do Senado vociferar contra a indicação do amável e afável Antônio Anastasia para relator do processo do impítimã.

Motivo? Ele é do PSDB e já tem opinião formada sobre o caso.

Nobre senadora, quem, no Senado (ou neste país), ainda não tem opinião formada, pós graduada, com mestrado e PhD sobre o caso?

4.
A OAB pediu a cassação do mandato do Bolsonaro, por ele ter votado “em memória do coronel Brilhante Ustra”, notório torturador.

Mas não deu nem um beliscão no Glauber Braga (PSOL RJ), que votou por Marighela, notório terrorista.

Ustra e Marighela são dois lados da mesma viagem – ambos antidemocráticos, ambos dispostos a tudo.

Iguaizinhos aos nobres deputados que os citaram.

5.
O PT ajudou a derrubar Collor mas não apoiou Itamar, nem participou do seu governo, porque tinha lá seu projeto hegemônico de poder.

O PSDB ajuda a derrubar Dilma, mas reluta em participar do governo Temer porque tem lá seu projeto hegemônico de poder.

Como escreveu Guimarães Rosa, “o mundo do rio não é o mundo da ponte”.

6.
Renan já avisou que vai permitir que o José Eduardo Cardozo defenda, mais uma vez, sua patroa, agora em Waterloo, digo, no Senado.

Eu evitaria me sentar na primeira fila.

Vai que, esgotada a cantilena do golpe, ele resolve desenvolver a argumentação do Jean Wyllys e do José de Abreu.

E olha que o Cardozão tem fôlego para fazer um argumento encorpado e consistente chegar até as galerias!

Cusparada

 

1.
Esgotadas as possibilidades das palavras de ordem e dos mantras, expressar opiniões através de fluidos corporais parece ser a sensação do momento.

Depois de o Jean Wyllys desistir de gastar saliva com o Bolsonaro e partir pro cuspe, e de o José de Abreu lacrar uma discussão também na base da cusparada, os próximos passos devem ser a bela, recatada e “do bar” Letícia Sabatella vomitar em quem ousar discordar dela, e o Gregório Duvivier mijar nos burgueses com quem há fatalmente de cruzar no Sushi Leblon, no Celeiro ou no bar do Fasano.

De nossa parte, só nos restam as lágrimas pelo nível a que chegou o debate político, e continuar sustentando essa corja com o suor do nosso rosto.

2.
Empoderamento feminino é com o José de Abreu.

Não escarrou apenas no coxinha fascista, mas também na mulher dele.

Nessas horas é que a gente vê que petista leva mesmo a sério essa questão de igualdade de gênero.

3.
O mundo veio abaixo porque a Veja caiu na asneira de dizer que a bela Marcela é bela, que a recatada Marcela é recatada e que, apesar de não viver da sua profissão, a Marcela é “do lar”.

Reclamam dizendo que a Veja mente.

Quando diz a verdade, reclamam também.

Ô raça!

4.
Nunca antes na história da Humanidade um governante sob ameaça de golpe saiu para denunciar o golpe entregando o governo interinamente ao golpista.

Como se não bastasse, ao retornar da denúncia do golpe, recebeu do golpista o governo de volta, inteirinho e sem um arranhão.

Não se fazem mais golpes como antigamente.

5.
Dilma trocou ministros 86 vezes.

E o único que precisava desesperadamente do cargo ela não conseguiu empossar.

A vida não é justa, né?

6.
A direita é quente, a esquerda é fria.

Se vale para as torneiras, vale para a vida..

7.
Temer começou mal.

Ter a própria mulher como primeira-dama não é nepotismo?

Véi

 

1.
Pense duas vezes antes de falar de política com um baiano.
Há aproximadamente 150% de probabilidade de ele ser petista.

(Nota de esclarecimento: é possível, recomendável e enriquecedor que se converse com esquerdistas e direitistas, com liberais e conservadores, com quem pensa como você e com quem pensa diferente. É impossível conversar com quem não pensa).

2.
Laranja bahia, aqui na Bahia, se chama laranja umbigo.
Ou pelo menos é assim que se chama na quitanda aqui perto.

Faz sentido.
Não existe restaurante japonês no Japão – existe restaurante.
Não existe lojinha de turco na Turquia – existe lojinha.

Se bem que tem queijo Minas em Minas.

Ok, esquece a minha teoria.

3.
Amanhã é meu aniversário, e o presente que me dou é ter atingido a meta que estabeleci ao desembarcar em Salvador: chegar aos 57 com o mesmo peso que tenha aos 20.

Saí do Rio, vinte dias atrás, pesando 84. Hoje bati nos 78.

(Como já vi que não vai dar pra ficar rico como arquiteto, fotógrafo ou cronista de feicebuque, talvez invista no ramo das dietas milagrosas para emagrecimento.

Essa que inventei, a “Dieta de Salvador Hills”, consiste em caminhar muito (uns 12 km por dia), cortar carne vermelha, massas e frituras, e investir nas frutas e peixe.

Tudo bem que rola um acarajé de vez em quando. Mas gula não é pecado e, de mais a mais, a Bahia pode ser de todos os santos, mas eu, definitivamente, não sou um deles).

4.
Os ônibus aqui são velhos, sujos e feios.
Mas são seguros – e nunca estão lotados.
Isso vale mais que qualquer ônibus novo, limpo e bonito do Rio.

5.
Já me chamaram de véi.

Já me chamaram de pai.

Agora deram de me chamar de nêgo.

Assim é que eu não vou querer ir embora nunca mais dessa cidade miscigenada, arrodeada de água.

6.
Os jornais daqui são ilegíveis.

Vou ver se arrumo um emprego de revisor num deles.
A R$ 1,00 por erro, fico milionário antes da posse do Temer ou da prisão do Lula – o que vier primeiro.

Linha sucessória

 

1.
Lula está tiririca com o Tiririca, que prometeu votar contra o impeachment e votou a favor.

Tiririca fez Lula de palhaço.

2.
Eduardo Cunha diz que vai processar os deputados que, durante a votação do impítimã, o chamaram de corrupto .

Oscar Wilde fez o mesmo com um sujeito que o chamou de viado.
O sujeito, o Marquês de Queensberry, era – por acaso – o pai do namorado dele.

Deu no que deu.

3.
Eu, se fosse o Lula, registrava queixa no Procon.

Afinal, o Código de Defesa do Consumidor deve poder ser aplicado aos deputados que venderam o voto e depois não entregaram, né não?

4.
Temer sonha ser um novo Itamar, que se descolou do Collor, arrumou a casa e entrou para a História, ao tirar o país da crise, com a ajuda do FHC.

Arrumar um novo FHC vai ser complicado.

Mas posar num camarote com uma mulher sem calcinha já seria um bom começo.

5.
Dilma é mesmo um coração valente. Vai esta semana pra Nova York discursar sobre o golpe e entrega o governo, por três dias, ao conspirador golpista.

Vai que ele demite os cem mil petistas pendurados nas tetas do Estado, bota o Serra no Ministério da Fazenda, tira o sigilo dos “empréstimos” aos cubanos e bolivarianos, dá terra aos Sem Terra e nomeia o Moro como Ministro da Justiça…

6.
“Por minha filha Roseana, por minha esposa Marly, pelo Amapá, pelo povo do Maranhão e pelos maribondos de fogo, voto… ”

“Pela Dinda, por Alagoas, por PC Farias e pelo Fiat Elba, eu voto…”

“Por meu avô Tancredo, minha avó Risoleta e pelo aeroporto do meu tio, voto …”

“Pelos meus cabelos brancos, pelo povo de Mato Grosso do Sul e pela minha delação premiada, meu voto é…”

“Pelo meu filho Supla, pelo chato do meu ex-marido, pela elite branca paulista e pelo botox, eu voto…”

É, no Senado a coisa vai ser noutro nível.

7.
Algo me diz que o Bolsonado e o Jean Wyllys ainda vão terminar juntos.

Se em novela é assim, por que na vida real não seria?

Entre tapas e beijos
É ódio, é desejo
É sonho, é ternura
Um casal que se ama
Até mesmo na Câmara
Provoca loucuras

Moro privilegiado

 

1.
No pronunciamento de ontem, abatidíssima, Dilma disse que não vai se abater.

Já foi abatida e não sabe.

2.
Disse que sempre lutou pela democracia.

Principalmente quando fazia arte da Vanguarda Revolucionária Armada – Palmares, uma organização marxista-leninista, que pregava a guerra revolucionária com o objetivo de tomar o poder e implantar o socialismo.

Mais democrático, impossível.

3.
Entortando a boca, como se à beira de um AVC, Dilma se disse injustiçada, indignada, reafirmou que pedalada não é crime, que não a deixaram governar, que teve seus sonhos torturados, e que nenhum governo será legítimo sem ser pelo voto secreto numa eleição previamente convocada.

Conseguiu, em poucos minutos, fazer mimimi, apologia ao crime, mentir, fazer mais mimimi e deslegitimar o governo Itamar Franco, que arrancou o país do atoleiro chamado Fernando Collor e pavimentou a via que levaria ao Plano Real, e à retomada do crescimento.

4.
Disse, ipsis literis, que “sem democracia não há, nem haverá, crescimento econômico, nem a capacidade de criar empregos”.
Ou seja, atestou que seu governo é (foi) o mais antidemocrático da nossa História.

5.
É interessante ver como ela se sente indignada (ou perplexa, ou estarrecida, sei lá) por seu julgamento ter sido presidido por Eduardo Cunha – mas não vê nenhum problema em a segunda fase ser presidida pelo Renan Calheiros.

Pra quem fica estarrecida (ou perplexa) com os vazamentos seletivos, essa indignação também seletiva vem bem a calhar.

6.
O melhor do fim do governo Dilma vai ser ver essa cambada toda – Mercadante, Cardozão, Nélson Barbosa, Rossetto, Berzoini, Jaques Wagner, Edinho Silva – adquirir direito a Moro privilegiado.