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Arquivos por dia12 12UTC março 12UTC 2016

Ofensa e orgulho

 

Dilma disse ontem que considera uma ofensa a ideia de renunciar ao mandato e que teria orgulho de ter o investigado Luís Inácio no seu governo.

Conhecendo sua proverbial indigência vocabular e seu raciocínio ora errático, ora catatônico, é o caso de pensar: será que ela sabe a diferença entre “orgulho” e “ofensa”?

Dilma arruinou o país. Não deu uma dentro. Errou em tudo, diligentemente. Pegou uma reta na direção errada, e a viseira ideológica (ou limitação neurológica) não lhe permitiu se desviar um grau que fosse do rumo do abismo.

Sabe que foi eleita, por duas vezes, com dinheiro da corrupção. A esta altura do campeonato, já não tem dúvidas de que a Polícia Federal dispõe das provas de todos os seus malfeitos e ilicitudes (palavrinhas que ela aprendeu e vive cacarejando).

Resignar-se com a própria incompetência e renunciar seria uma forma de evitar mal maior. Abortar a escalada de radicalização antes que haja cadáveres vestidos de amarelo (o mais provável) ou de vermelho (nem um pouco improvável). Assumir que errou, sim, e jogou o país na lama. Sair de cena com a grandeza dos que reconhecem a própria pequenez, a própria impotência, e se arrependem enquanto é tempo.

Mas se Dilma tivesse alguma grandeza não seria Dilma.

Ela diz que teria orgulho de contar em seu governo com o antigo chefe e mentor. A criatura, teoricamente, tendo como subordinado o Criador.

Dilma se esquece (ou, mais provável, não sabe) que orgulho também quer dizer insolência, vaidade, menosprezo, presunção. Tem a ver com desprezo, escárnio, indiferença.

Acolher o ex (que ela insiste em chamar até hoje de Presidente) para acobertá-lo é uma forma de obstruir a Justiça.

Se orgulho também pode significar honra, ela deveria se orgulhar é de uma saída honrosa, antes de causar mais males e ser escorraçada. E ofensa, afronta, desaforo, é tornar-se cúmplice de um investigado, tirando-o do alcance da autoridade policial.

Mas Dilma nunca foi boa com as palavras – nem com os números. Era querer muito que ela soubesse diferenciar “ofensa” de “orgulho”. Ou que fizesse uso da razão e da sensibilidade – e parasse de se embananar e gaguejar diante de conceitos tão simples como “resignação” e “renúncia”.