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Arquivos por dia6 06UTC março 06UTC 2016

Paladino da Justiça

 

“É difícil fazer com que alguém entenda algo quando seu salário depende do não entendimento desse algo.” (Upton Sinclair, escritor americano, citado por José Padilha, cineasta brasileiro).

É difícil querer que alguém perceba o óbvio quando esse óbvio põe em xeque todo o seu sistema de crenças.

Para certas pessoas, Lula continuará sendo o líder operário honesto, defensor dos pobres e oprimidos, paladino da Justiça, não importa quantos indícios, evidências e provas sejam encontrados pela Polícia, demonstrando que se trata de um milionário corrupto e corruptor, que arrastou milhões para a pobreza, destruiu a outrora sexta maior economia do mundo, zomba da Justiça e se considera acima da lei.

Para essas pessoas, é irrelevante que Lula seja efetivamente honesto, vítima de preconceito, inimigo das elites – basta que ele se afirme como tal. A palavra fala mais alto que o fato. Principalmente se for a palavra que se quer ouvir, e o fato que faz desmoronar o castelo de cartas.

Quando um petista, hoje, afirma algo, apenas externa sua negação. Não vai ao cerne da questão, não aborda pontos objetivos: se desvia, se contorce, se agarra a sofismas, dogmas, clichês, feito um afogado que, na falta de um colete ou de um bote salva-vidas, busca apoio no vento, na espuma.

Como no câncer (toda ideologia que cega é um câncer) o passo seguinte é a raiva. Que vai se expressar em violência, intolerância, que vai fazer vítimas, aprofundar a crise, abrir ainda mais o fosso entre o “nós” e o “eles”.

Diz a teoria que depois vêm a negociação, a depressão, e a aceitação final. Talvez o petismo seja mais maligno, e fique só na negação e na raiva, não admita redenção.

Foi assim com a denúncia dos crimes de Stálin. Ainda hoje há quem não acredite nos milhões de mortos dos gulags – ou do Holocausto – nem mesmo diante de suas ossadas.

Não importa quantas evidências haja de que Lula seja um bandido, o chefe da quadrilha. Para os membros da seita, ele seguirá venerado feito uma Viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido.